A Sérvia é o único time deste grupo que os Países Baixos já bateram, e vale rever como isso aconteceu antes da revanche no Philips Stadion. No primeiro jogo, os holandeses finalizaram 25 vezes contra 11 e ainda precisaram de um gol aos 69 minutos, porque o bloqueio sérvio parou dez desses chutes e empurrou outros dez para longe do gol. O que falta à Sérvia é qualquer forma de se manter no jogo depois que esse bloqueio cede: contra a Alemanha, ela deu um único chute no total.
Comecemos pelos números do primeiro jogo no banco de dados. Os Países Baixos tiveram 2,74 de xG contra 1,32 e 67% da posse, mas a Sérvia mandou 6 de seus 11 chutes no alvo, e 10 deles saíram de dentro da área. Luka Jović marcou logo depois do intervalo e anulou um pênalti de Meerdink, e o gol da vitória foi outro de Meerdink. Ou seja, aquele jogo não diz que "a Sérvia foi dominada". Diz que a Sérvia cede poucas chances, mas as que cede são boas.
O padrão holandês nos últimos três jogos aponta na mesma direção. O xG por tempo foi de 1,30, 0,37 e 0,57 antes do intervalo, e de 1,43, 0,79 e 2,61 depois dele. O jogo contra a Grécia é o caso mais claro: 19 finalizações, 71% de posse, e mesmo assim a Grécia marcou duas vezes no primeiro tempo em apenas 8 chutes, e o time de Koeman precisou de gols aos 59 e aos 89 minutos para salvar o empate. Um time que sempre chega tarde não é um adversário confortável, mas também é um time que sempre dá ao rival uma janela no início.
A lista de convocados também pesa aqui. O banco de dados marca Brobbey, Gakpo, Malen, Kluivert, de Jong, Wieffer, Geertruida e van Hecke com sinal de lesão, mas são marcações do elenco, não desfalques confirmados. O que sabemos é que Gakpo saiu machucado aos 17 minutos contra a Sérvia e Brobbey aos 35 contra a Alemanha, e que Meerdink entrou no lugar de Brobbey nesse jogo e depois marcou duas vezes contra a Sérvia. Se o ataque for remontado de novo, a dúvida é se os holandeses conseguem criar suas chances iniciais pelo meio-campo, em vez de esperar que as substituições do segundo tempo façam isso.
Para a Sérvia, que não tem nenhum ponto após três jogos, o plano realista é o mesmo da última vez: ficar compacta, deixar os chutes saírem de longe e usar o reinício do jogo ou uma bola parada no começo para marcar. Se isso vai funcionar depende de o primeiro tempo holandês se parecer com o 1,30 de xG do primeiro jogo ou com o 0,37 contra a Grécia. Eu ficaria de olho na primeira meia hora, e não no placar.