[Liga dos Campeões da UEFA 2026-27] Porto x PSV: análise e prévia Início da partida: 20 de outubro, às 16h (horário de Brasília)
Porto e PSV se enfrentam no Estádio do Dragão, às 16h de 20 de outubro pelo horário de Brasília, pela terceira rodada da fase de liga da Liga dos Campeões da UEFA 2026-27. Os dois times foram campeões nacionais na temporada passada, mas ainda não venceram nesta edição. A pressão alta do Porto e o jogo de posse do PSV se enfrentam em um duelo no qual as baixas no ataque e a diferença no tempo de descanso podem pesar na etapa final.
1. Visão geral da partida e situação dos times
O Porto venceu as oito primeiras rodadas do Campeonato Português e abriu cinco pontos de vantagem sobre o segundo colocado. Na Liga dos Campeões, porém, perdeu por 2 a 0 em casa para o Manchester City e por 3 a 2 fora para o Real Betis. Ainda não pontuou e ocupa a 30ª posição. O PSV empatou por 1 a 1 com o Shakhtar Donetsk e perdeu por 1 a 0 para o RB Leipzig. Tem um ponto e está em 26º. Os dois times buscam a primeira vitória na terceira das oito rodadas da fase de liga.
Cenário da partida Liga dos Campeões, 2 jogos: Porto, 2 derrotas, 2 gols marcados e 5 sofridos / PSV, 1 empate e 1 derrota, 1 gol marcado e 2 sofridos Descanso desde a última partida: Porto, 6 dias / PSV, 3 dias Principais questões no ataque: William Gomes, do Porto, está fora; Samu Aghehowa volta. O PSV está sem 3 centroavantes e Rubén van Bommel; a presença de Guus Til ainda é incerta.
Não dá para projetar o desempenho na Europa apenas com base nos resultados nacionais. Nos últimos 10 jogos, o Porto marcou 11 gols e sofreu apenas 1 nas cinco primeiras partidas. Nas cinco seguintes, voltou a marcar 11, mas sofreu 8. Cinco desses gols foram contra Manchester City e Real Betis. Contra adversários da liga, o Porto conseguiu virar jogos mesmo depois de sair atrás, graças ao ataque e às substituições no segundo tempo. Na Liga dos Campeões, porém, perdeu as duas partidas após sofrer o primeiro gol logo no início da etapa final.
O jogo contra o Real Betis mostrou tanto a força ofensiva quanto os riscos do Porto. O time chegou a abrir 2 a 1, com uma cobrança de falta de Gabri Veiga e um gol de Samu Aghehowa, que saiu do banco. Depois, não conseguiu conter as transições do adversário e perdeu por 3 a 2. Victor Froholdt explicou após a partida que a equipe pressionou em posições avançadas e criou chances, mas sofreu dois gols em transições. Foi um exemplo de como o Porto pode ser vazado mesmo em vantagem quando perde a bola e o adversário avança rápido enquanto seus jogadores se projetam ao ataque.
As mudanças no PSV começam pelo ataque. Ricardo Pepi se machucou por volta dos 10 minutos do jogo contra o Twente, e o time venceu apenas 1 dos últimos 4 jogos, com 3 derrotas. Contra o Twente, chegou a abrir vantagem com 2 gols de Guus Til, mas sofreu gols aos 79 e 83 minutos. Diante do RB Leipzig, perdeu um pênalti e sofreu o gol da derrota após uma jogada iniciada em escanteio aos 75 minutos. A derrota mais recente, para o ADO Den Haag, também precisa ser considerada no contexto: Sven Mijnans foi expulso aos 43 minutos do primeiro tempo, e a equipe jogou toda a etapa final com 10. Os resultados mostram 3 derrotas seguidas fora de casa, mas o conteúdo das partidas foi diferente.
Sem Pepi, Sam Lammers e Alassane Pléa, o PSV se prepara para jogar sem um centroavante de ofício. Rubén van Bommel, que costumava atacar o espaço nas costas da defesa pelo lado esquerdo, também não viajou. A expectativa é que Mijnans, que atua como meio-campista nesta temporada e já marcou 5 gols, jogue como referência no ataque. Mas, ao contrário de quando chegava de trás à área, ele também precisará receber a bola de costas para os zagueiros e fazer a ligação com os companheiros. Til, que costuma finalizar de cabeça os cruzamentos pela direita, viajou com o time, mas ainda não se sabe se jogará.
No Porto, o ponta titular William Gomes está fora por uma lesão no tornozelo. Borja Sainz deve começar, como contra o Real Betis. Com isso, o Porto perde a opção de colocá-lo no segundo tempo, mas ainda tem Samu e Oskar Pietuszewski. Os dois entraram no decorrer das partidas e marcaram recentemente, contra Real Betis e Marítimo, respectivamente. Na defesa, Jakub Kiwior pode voltar após cumprir suspensão. Se jogar ao lado de Kiwior, Pablo Rosario, que atuou como zagueiro central contra o Real Betis, deve retornar ao meio-campo.
Francesco Farioli mantém o Porto no 4-3-3 e costuma repetir a escalação. Peter Bosz, por sua vez, poupou alguns jogadores antes e depois dos jogos europeus, mas agora tem menos opções com o aumento das baixas no ataque. O Porto teve 6 dias de descanso depois do jogo contra o Real Betis, sem compromisso pela liga no fim de semana. O PSV jogou fora contra o ADO Den Haag há 3 dias, com os 4 defensores e os 2 volantes previstos entre os titulares. Depois da expulsão, passou o segundo tempo com 10 jogadores. Na segunda-feira, viajou para Portugal.
Os clubes não se enfrentam oficialmente desde 1993. Um exemplo mais recente vem da temporada 2024-25, quando Farioli treinava o Ajax e enfrentou o PSV de Bosz duas vezes, vencendo ambas. O PSV teve mais posse de bola nos dois jogos, mas não conseguiu o resultado. Hoje, porém, Farioli comanda o Porto, e antes da partida prometeu pressionar para reduzir o tempo e o espaço dos zagueiros centrais adversários. O que os dois treinadores vão fazer hoje importa mais do que os resultados dos confrontos anteriores.
2. Análise do confronto
A questão principal no início será como o PSV vai sair jogando sob a pressão do Porto. Farioli elogiou a capacidade dos zagueiros centrais do PSV para jogar curto, longo e inverter o lado, mas disse que vai pressionar forte. Se o Porto recuperar a bola no campo adversário, Veiga e Froholdt podem avançar até a área, enquanto Pepê, que já deu 5 assistências nesta temporada, pode participar da construção. O PSV já perdeu a bola em um passe lateral durante a saída de jogo no início da partida contra o SC Heerenveen e permitiu que o rival avançasse. É esse tipo de lance que o plano do Porto deve buscar.
O PSV também tem como responder. Bosz disse que pretende manter seu estilo mesmo fora de casa, com alguns ajustes. Se Ivan Perišić e Filip Kostić combinarem passes pela esquerda e Esmir Bajraktarević avançar pela direita, o time pode escapar da pressão inicial do Porto. Aí, os jogadores do Porto que subiram para pressionar terão de voltar às posições defensivas. É nesse momento que pode reaparecer o risco visto contra o Real Betis. O PSV, porém, está sem Pepi e Van Bommel, que poderiam receber a bola nesse espaço. Se Mijnans não conseguir dominar um passe longo e segurar a bola, os companheiros pelos lados terão menos tempo para avançar.
A jogada mais concreta para o PSV marcar está pelo lado direito. Bajraktarević deu assistências em cruzamentos pela direita contra Sparta Rotterdam e SC Heerenveen. Til marcou de cabeça após cruzamentos pelos lados contra Twente e SC Heerenveen. Essa jogada mira a defesa pelo lado esquerdo do Porto. O gol de empate do Real Betis também saiu desse lado, quando Antony rolou a bola para trás e Cucho Hernández finalizou. Farioli não revelou quem será o titular na lateral esquerda. Francisco Moura pode voltar ao time, ou Zaidu pode jogar, apesar de ainda não ter entrado em campo desde que se recuperou da lesão.
O Porto também pode começar seus ataques pelo mesmo lado. Se Sainz mantiver Sergiño Dest preso à defesa, o lateral poderá apoiar menos as investidas de Bajraktarević. Se Dest avançar, Sainz poderá atacar o espaço às suas costas. Esse duelo não se resume às arrancadas de um jogador. O quanto Dest subir também pode mudar tanto a quantidade de cruzamentos do PSV quanto as oportunidades do Porto pela esquerda.
No meio, vale observar como os jogadores do PSV vão acompanhar Veiga. O meia soma 5 gols e 3 assistências em 10 jogos nesta temporada. Ele participa da construção no meio e depois chega à área para finalizar. Godaï Sano e Mauro Júnior terão de ajudar na saída de bola e também acompanhar as infiltrações de Veiga. Se o Porto recuperar a bola por perto, os dois terão pouco tempo para voltar às posições defensivas. A presença de Mauro Júnior também é uma dúvida e será decidida depois do treino da véspera.
Do outro lado, será importante observar onde Mijnans vai receber a bola diante de Jakub Kiwior e Kiwior. Se Mijnans recuar, os zagueiros centrais do Porto terão de decidir se o acompanham ou se mantêm suas posições. Mas faltam atacantes para receber a bola nas costas da defesa depois de Mijnans fazer a ligação. Se Til jogar, o PSV terá mais uma opção para receber os cruzamentos pela direita e outro jogador entrando na área, o que pode aliviar um pouco essa limitação. Se Til não atuar, vai sobrar ainda mais para Mijnans tanto na ligação quanto na finalização.
Depois de uma hora de jogo, as opções no banco podem fazer diferença. Farioli costuma reforçar o ataque com várias substituições por volta dos 60 minutos quando está atrás no placar. Se Samu não começar como titular, poderá entrar, e Pietuszewski também já marcou como substituto. Bosz também costuma fazer várias mudanças de uma vez, mas desta vez não poderá contar com Pepi nem Van Bommel. A defesa do PSV jogou a etapa final com 10 contra o ADO Den Haag. Isso, por si só, não confirma uma queda física no segundo tempo de hoje, mas deixa claro qual time tem mais opções quando o Porto colocar atacantes descansados em campo.
As bolas paradas podem dar às duas equipes uma chance de marcar mesmo durante os períodos de domínio do adversário. O Porto tem Veiga, que marcou de falta direta contra o Real Betis. Com o retorno de Kiwior, ele e Kiwior também podem disputar bolas pelo alto na área adversária. O PSV pode explorar os escanteios de Perišić e a presença aérea de Obispo. Matej Kovar fez várias defesas contra o RB Leipzig e também pode impedir gols do Porto. Mas não dá para presumir que o PSV resolverá seus problemas defensivos apenas porque Kovar pode voltar a fazer boas defesas.
3. Palpite final e conclusão
Nossa previsão é vitória do Porto por 2 gols de diferença. A principal razão é a escalação disponível hoje, mais do que a sequência de vitórias no campeonato. Para escapar da pressão anunciada pelo Porto, o PSV precisa de alguém que consiga receber a bola na frente e protegê-la. Com 3 centroavantes de ofício fora, a expectativa é que Mijnans assuma essa função. Mesmo que o PSV supere a pressão, Pepi e Van Bommel, que costumavam atacar o espaço nas costas da defesa do Porto, não estarão disponíveis. Já o Porto pode escalar Rosario no meio-campo se Kiwior voltar e ainda terá Samu e Pietuszewski como opções para o segundo tempo.
O mercado favorece o Porto por jogar em casa, pela sequência de vitórias na liga e pelas derrotas fora e baixas do PSV. Concordamos com essa direção. A diferença está no placar. As ausências do PSV se concentram no ataque, enquanto Kovar e os defensores estão disponíveis, então não devemos colocar como cenário principal uma goleada por 3 ou mais gols. Ao mesmo tempo, os resultados registrados pelo mercado não explicam por completo como a defesa do PSV, que jogou toda a etapa final com 10 há 3 dias, vai lidar com os atacantes que o Porto pode colocar em campo nos últimos 30 minutos.
Esperamos que o Porto recupere a bola em posições avançadas e saia na frente. Depois, o PSV avançará em busca do empate, e o Porto marcará de novo no segundo tempo. Se Til jogar e completar um cruzamento pela direita, o placar pode ser 3 a 1; se ele ficar fora e o PSV tiver menos força por esse lado, nossa previsão é 2 a 0. O plano de pressão do Porto mira os erros de saída de bola que o PSV já cometeu. Mesmo que consiga superar a pressão, o PSV terá menos atacantes para atacar o espaço rapidamente. O Porto pode colocar Pietuszewski no segundo tempo e, se Samu não for titular, também poderá usá-lo como substituto. Ainda assim, se a defesa do PSV segurar os ataques nos últimos 30 minutos, o Porto pode vencer sem abrir os 2 gols de diferença que prevemos.