O retorno de Pierre Sage ao Parc Olympique Lyonnais é muito mais do que um reencontro sentimental com o clube que comandou por dois anos: é um teste tático imediato para o ataque reformulado de Paulo Fonseca. O Lyon sofreu sua primeira derrota na temporada em uma derrota por 2 a 1 para o Lens — outro ex-clube de Sage — e ainda perdeu o atacante Loïs Openda, que fraturou a fíbula. Agora, Fonseca precisa encontrar uma solução para o mesmo estilo de futebol físico e de transições intensas que Sage leva ao Crystal Palace, mas sem a referência vertical que costuma prender as defesas adversárias. A forma como o Lyon reorganizar o espaço pelo centro sem Openda vai determinar se conseguirá controlar o campo ou cair nas armadilhas de contra-ataque do Palace.
Na entrevista coletiva pré-jogo, reportada pelo Ferveur Lyonnaise, Fonseca admitiu abertamente que o Lyon não tem outro atacante com o perfil específico de Openda e confirmou que Keito Nakamura será titular. Para preencher o espaço central ao lado de Nakamura, Fonseca apontou Pavel Šulc e o jovem Khalis Merah como opções, observando que ambos podem atuar como camisa 10 ou falso 9 enquanto ajudam a adaptar a construção de jogadas da equipe. Essa linha de frente fluida e com trocas de posição é bem diferente de jogar em função de um atacante que ataca os espaços pelos lados, especialmente com o lateral-esquerdo Nicolás Tagliafico fora por três semanas e o meio-campista Mohamed Ouédraogo afastado após uma cirurgia. Já o zagueiro Moussa Niakhaté está novamente à disposição depois de voltar aos treinos com o grupo.
Do outro lado, Sage confirmou no site oficial do Crystal Palace que o atacante Jean-Philippe Mateta segue indisponível, assim como o goleiro Dean Henderson, Takehiro Tomiyasu e Ben Chilwell. Chadi Riad também está fora. Mesmo assim, o Palace encontrou seu ritmo na vitória por 3 a 1 sobre o Nottingham Forest, pelo campeonato nacional, com gols de Daichi Kamada, Jefferson Lerma e Yeremy Pino, após estrear na Liga Europa da UEFA Fase de liga com uma vitória por 4 a 0 sobre o Lech Poznan. Nos últimos oito jogos com estatísticas registradas, o Palace teve média de apenas 44,4% de posse de bola e cedeu 17,6 finalizações por partida, mostrando que se sente à vontade para absorver a pressão antes de partir para o ataque.
O problema para os visitantes, como destaca a prévia do 101 Great Goals, é que o Palace venceu apenas um dos últimos oito jogos fora de casa em todas as competições: foram dois empates e cinco derrotas. Se as rotações improvisadas do Lyon com Šulc e Nakamura como falso 9 conseguirem tirar a defesa de três do Palace de sua zona de conforto, os mandantes poderão manter os visitantes recuados. Mas, se as novas combinações do Lyon perderem a bola no meio-campo, o time de Sage tem tudo para explorar justamente os espaços deixados às costas da defesa.