As conversas antes deste jogo giram em torno dos desfalques do Chelsea e do pouco tempo de descanso após a partida em Anfield. O desenho do confronto, porém, aponta para outra direção: o Manchester United produziu menos chances que seus adversários em cada um dos seus últimos cinco jogos, tanto no ataque quanto na defesa. Fora de casa, eles costumam ceder a posse de bola, e é exatamente nesse tipo de jogo que o Chelsea mostrou sua melhor versão com Alonso. As ausências tiram profundidade do elenco dos Blues, além de um centroavante e do goleiro titular, mas não atingem a espinha dorsal responsável por fazer a bola avançar.
Diante de Bournemouth, Como, Leeds, Atlético e Tottenham, o United nunca superou 1,2 em gols esperados (xG) e nunca permitiu que um oponente ficasse abaixo de 1,4. Isso não se resume à força dos adversários, já que essa diferença apareceu tanto contra equipes do meio da tabela quanto contra times de nível europeu. Desde que Sesko virou desfalque, a equipe ficou sem uma referência de área, além de sofrer com lances de bola parada e erros individuais: um escanteio contra o Leeds, uma falta na segunda trave diante do Bournemouth, um escorregão, um goleiro adiantado.
O Chelsea vence quando o rival permite que Caicedo, Lavia e Palmer ditem o ritmo com a bola nos pés. Bateu o Bournemouth por 5 a 1 dividindo a posse pela metade e superou o Everton fora com 53%, criando uma vantagem clara em oportunidades. O único cenário incômodo foi contra o Tottenham, quando os Spurs tiraram a bola deles. Como visitante, o United ficou entre 39% e 45% de posse diante de Leeds, Como e Atlético, o que oferece ao Chelsea exatamente o contexto de jogo que prefere.
Os duelos decisivos ficam por conta de Palmer, de volta após suspensão, atuando entrelinhas, além de Neto e Rogers partindo para cima dos laterais improvisados do United, já que Shaw e Dorgu estão fora. As bolas paradas são uma via de mão dupla. Maguire e Lisandro Martínez são as principais armas ofensivas do United por ali, e Penders já passou por momentos de instabilidade em cobranças de escanteio. Ainda assim, o Chelsea cobra em média quase seis escanteios por jogo, e a marcação do United já falhou duas vezes nessa sequência recente.
Minha expectativa é de um Chelsea controlando a posse na etapa inicial diante de um United mais recuado em bloco médio, com a bola parada servindo como o principal fator de desequilíbrio para os dois lados. O ponto de virada no segundo tempo tende a ser por volta dos 60 minutos, momento em que as mexidas de Alonso encontram um banco curto do United. Se o Chelsea abrir o placar, o United terá que se lançar à frente, abrindo espaço para os contra-ataques com Neto e Rogers, que já liquidaram a fatura contra o Everton. João Pedro e Penders já não atuaram nas últimas partidas dos Blues, então essas baixas já estão refletidas nos números recentes. Por isso, fico com a vitória do Chelsea em casa.