Dois jogos em que a atenção vai para o lado errado da lista de desfalques. A longa lista de lesionados do Perth Glory já é notícia velha na maior parte, e os buracos, tanto deles quanto do Adelaide United, estão no setor defensivo e no banco de reservas, enquanto o ataque segue intacto ou até mais forte. O Venezia é o lanterna com apenas seis gols marcados, mas continuou balançando as redes exatamente com a proposta que terá diante do Como. Nas duas partidas, o jeito de marcar gols de cada equipe se encaixa perfeitamente com a maneira como o rival costuma sofrer gols.
Primeiro, Perth Glory x Adelaide United. O Adelaide pressiona alto com Burkitt, tendo Goodwin e Muñiz logo atrás, e vai encarar uma saída de bola instável: Sutton acertou 25 de 37 passes contra o Brisbane Roar e perdeu a posse no lance do primeiro gol sofrido, além de o Perth também ter levado gol de cabeça após falta cruzada diante do Macarthur. Kaltak, Dench e Shamoon estão fora do sistema defensivo — embora já tenham desfalcado o time na última rodada —, e Freney retorna ao meio-campo. O Perth deu seis chutes a gol com ele em campo contra o Macarthur e apenas um sem ele diante do Brisbane.
Ficar com a posse de bola não tem protegido o Adelaide. A equipe cedeu 11 finalizações dentro da área contra o Sydney FC e 16 diante do Lion City Sailors, e os últimos quatro gols sofridos saíram a partir dos 64 minutos. Kikianis, Alagich, Burkitt, Phillis e Kitto somaram muitos minutos em dois jogos na última semana e agora encaram uma viagem de ponta a ponta pelo país. Nenhum dos dois pontuou até aqui, e nenhum dos técnicos parece satisfeito com um empate.
A expectativa é de um Adelaide mais perigoso no começo, com o Perth crescendo a partir da marca de uma hora de jogo — período em que saíram seus dois gols no campeonato —, aproveitando o fôlego a mais depois de nove dias de descanso.
Por isso, fico com o mercado de gols em Perth, já que os dois lados oferecem caminhos para balançar as redes e quem estiver atrás no placar deve ceder ainda mais espaço.
Na sequência, Como x Venezia. O Como deve ter o controle da posse, assim como teve 72% diante do Torino, e seus gols costumam sair no segundo tempo com Paz, Baturina e os laterais, tendo Douvikas na finalização. Eles marcaram em nove das dez partidas, enquanto o Venezia cedeu 22 chutes dentro da área contra o Napoli e 12 diante da Inter, mesmo sob o comando de Nicola. Stankovic pode diminuir o prejuízo, mas dificilmente vai segurar o Como o tempo todo.
O verdadeiro teste é o gol do Venezia, e os números são mais animadores do que a tabela indica. Com apenas 29% e 35% de posse contra Napoli e Inter, eles ainda acertaram quatro chutes no alvo em cada partida, além de terem tido outros dois gols anulados por impedimento contra a Inter. Adams e sua dupla de ataque agora encaram Ramon e Kempf, a dupla reserva com a ausência de Chalobah. Ramon ganhou 12 disputas aéreas e marcou contra o Torino, mas também perdeu a bola no gol adversário. O Como sofreu gols em oito dos dez jogos, inclusive em um bate-rebate após escanteio diante da Fiorentina.
Com o Como tendo compromisso contra o Lens na quarta-feira, Fabregas pode poupar titulares caso abra vantagem, e sua equipe já cedeu contra-ataques no fim nesta temporada, como no gol de Zirkzee nos acréscimos.
Por isso, também fico com o ambas marcam aqui: o Como deve encontrar espaços após o intervalo, e o Venezia só precisa de um contra-ataque rápido ou uma bola parada para deixar o seu na rede.