[Eredivisie 26-27] Análise e prévia: Telstar x Feyenoord Início da partida: 17 de outubro, às 15:00 (horário de Brasília)
Líder da Eredivisie, o Feyenoord entra em campo pela 9ª rodada neste sábado, 17 de outubro, às 15:00 (horário de Brasília), visitando o Telstar no BUKO Stadion, em Velsen-Zuid. O Feyenoord tem apenas 1 ponto de vantagem sobre o vice-líder PSV, enquanto o Telstar, 15º colocado, precisa abrir distância da zona de rebaixamento. O ponto central é ver qual escalação e postura a equipe líder adotará jogando com apenas três dias de descanso, diante de um mandante que teve seis dias de preparação.
1. Visão geral da partida e momento das equipes
O Feyenoord soma 20 pontos em 8 rodadas na liga, com 6 vitórias e 2 empates, somando 27 gols marcados e 7 sofridos. PSV e AZ vêm logo atrás com 19 pontos. O Telstar tem 6 pontos, com campanha de 1 vitória, 3 empates e 4 derrotas, com 7 gols marcados e 14 sofridos. Nesta temporada da liga, o Feyenoord venceu todas as 4 partidas fora de casa, ao passo que o Telstar somou apenas 2 empates e 2 derrotas em 4 jogos como mandante. As 4 partidas do Telstar em casa terminaram com 4 gols no placar combinado de cada jogo. No entanto, entre elas houve o duelo contra o SC Cambuur, com 2 gols de pênalti, e o confronto contra o ADO Den Haag, no qual o adversário atuou com 10 jogadores desde os 13 minutos. O total de gols dos jogos em casa, por si só, não autoriza projetar um placar dilatado para este confronto.
Nesta temporada da liga Posição e pontos: Telstar 15º (6 pts) / Feyenoord 1º (20 pts) Gols marcados e sofridos: Telstar 7 marcados, 14 sofridos / Feyenoord 27 marcados, 7 sofridos Desempenho no local: Telstar em casa com 0 vitórias, 2 empates e 2 derrotas / Feyenoord fora com 4 vitórias, 0 empates e 0 derrotas
O Telstar não vence há 7 jogos, desde o triunfo fora de casa contra o NEC Nijmegen na estreia. Nas visitas recentes a Twente, SC Heerenveen e AZ, a equipe baixou as linhas de marcação e limitou os gols sofridos a no máximo 1 por partida, mas não conseguiu marcar em nenhum desses 3 jogos. Diante do AZ, cedeu 17 finalizações, com o goleiro Ronald Koeman Jr defendendo 7 dos 8 chutes certos. A baixa quantidade de gols sofridos ao atuar recuado teve forte contribuição das defesas do goleiro.
O confronto anterior em casa, contra o ADO Den Haag, apresentou um cenário oposto. Mesmo com superioridade numérica a partir dos 13 minutos, o Telstar empatou em 2 a 2. Marcou 2 gols com Tyrone Owusu, em cobrança de falta direta e em chute de média distância, mas sofreu 2 gols mesmo após a expulsão do adversário. Dos 30 chutes tentados, apenas 4 foram no alvo. O técnico Brugge vinha utilizando o 3-4-2-1 em 4 das últimas 5 partidas, mas escalou um 4-3-3 nessa ocasião. Ainda não está definido se ele manterá a linha de quatro defensores ou se retornará ao esquema com três zagueiros centrais diante do Feyenoord.
O Feyenoord anotou 17 gols e sofreu apenas 1 nas últimas 4 rodadas da liga, período que coincide com a entrada de Nacho Ferri entre os titulares a partir do duelo contra o NEC Nijmegen, em 5 de setembro. Com a saída de Ayase Ueda, os gols se dividiram: Gjivai Zechiël, Anis Hadj Moussa e Ferri somam 5 gols cada na liga. Ainda assim, não se pode transferir diretamente as goleadas por 7 a 0 sobre o PEC Zwolle e 5 a 0 sobre o FC Utrecht para o jogo contra o Telstar. Diante do AZ, na liga, Ferri abriu o placar aproveitando uma sobra defensiva e Javi López ampliou em cobrança de escanteio. Na Champions League contra o Como, a vitória por 3 a 2 veio com métricas de gols esperados em 0,54 para o Feyenoord e 1,24 para o Como. A construção dos gols e o desempenho nas vitórias recentes variaram de acordo com o adversário.
O calendário também impõe condições distintas. O Feyenoord jogou contra o Como em 14 de outubro e volta a atuar fora de casa apenas três dias depois, além de encarar visitas duras contra Real Betis e PSV na semana seguinte. O técnico Van Bronckhorst afirmou que precisa rodar a equipe em razão do desgaste físico dos atletas, embora valorize o resultado final (Feyenoordpings, 16 de outubro). Já o Telstar descansou por seis dias após o jogo contra o ADO Den Haag e só volta a jogar no dia 24. Pelo calendário, não há motivos para Brugge poupar titulares.
No Feyenoord, os defensores Jordan Bos, Thomas Beelen, Bart Nieuwkoop e Gijs Smal são desfalques. Como há poucas opções para as laterais, é provável que Givairo Read na direita e Javi López na esquerda atuem novamente após a partida contra o Como. Luciano Valente, substituído no intervalo contra o Como com desconforto na coxa, não teve lesão constatada nos exames e participou do treino de sexta-feira. Nas prováveis escalações, Gaoussou Diarra surge na vaga de Valente, Sem Steijn entra no lugar de Oussama Targhalline e Tsuyoshi Watanabe substitui Bart Saint Juste, embora o time titular ainda não esteja confirmado. Pelo Telstar, o capitão Jeff Hardeveld começou no banco no último jogo por opção tática, sendo também uma dúvida para o onze inicial.
Nos 2 confrontos diretos da temporada passada, o Feyenoord venceu ambos por 2 a 1. Hadj Moussa marcou 3 dos 4 gols do Feyenoord nesses encontros, o que chama a atenção para sua presença em campo hoje. Contudo, os dois clubes tinham treinadores diferentes na época, e nomes como Ueda, pelo Feyenoord, além dos autores dos gols do Telstar, não jogam mais por suas equipes. O retrospecto do confronto direto não serve de garantia para a repetição do placar.
2. Análise dos encaixes do jogo
O duelo individual mais direto ocorre entre a ala direita do Feyenoord e a ala esquerda do Telstar. Hadj Moussa corta da direita para o meio para finalizar, enquanto Read apoia pelo corredor lateral. Se o Telstar optar por uma linha de quatro, o lateral-esquerdo Marvin Peersman e o ponta Patrick Brouwer terão de conter essa dupla. Se Brouwer recuar para acompanhar Read, o Telstar perde uma válvula de escape para puxar contragolpes por aquele setor. Por outro lado, se Brouwer permanecer adiantado, Peersman terá de vigiar sozinho os movimentos de Hadj Moussa e Read. Diante do ADO Den Haag, Peersman tentou um recuo de cabeça curto e entregou a bola ao adversário, lance que originou o gol da virada rival. Essa jogada isolada não resume todos os gols sofridos, mas ilustra o cuidado necessário no trato com a bola no setor onde atua Hadj Moussa.
Caso o Telstar retorne ao 3-4-2-1 frequentemente utilizado e baixe suas linhas, o zagueiro pela esquerda e o ala podem dobrar a marcação sobre Hadj Moussa, reduzindo os espaços às costas da zaga que o Feyenoord gosta de explorar. Em contrapartida, surge a dificuldade de recuperar a bola e fazê-la chegar a Jelani Seedorf no comando de ataque. Na visita ao AZ, o Telstar suportou a pressão nessa estrutura e produziu apenas 3 finalizações. Recrutar mais defensores para conter Hadj Moussa não se traduz automaticamente em mais chances de gol para o Telstar.
No ataque do Feyenoord, Ferri também encontrará cenários distintos dependendo da postura do Telstar. Se os mandantes tentarem sair jogando com passes curtos a partir de trás, como fizeram contra o ADO Den Haag, Ferri e Zechiël poderão pressionar a saída no campo de ataque. O primeiro gol de Ferri contra o AZ surgiu justamente da persistência na pressão sobre um corte da defesa rival. Se o Telstar optar por ligações diretas do goleiro Koeman Jr para escapar da pressão, o perigo diminui, mas a equipe precisará disputar a segunda bola no ataque; se não retiver a posse, será empurrada de volta ao seu campo defensivo. Em qualquer uma das opções, a capacidade do Telstar de acionar Seedorf após recuperar a posse será determinante.
As possíveis alterações na escalação do Feyenoord trazem nuances táticas ao jogo. Valente vinha operando pela esquerda para articular com os homens de meio e ataque, ao passo que Diarra tem entrado com a função de atacar a profundidade nas costas da linha de defesa. Se os laterais do Telstar avançarem, Diarra terá campo para correr. Se o Telstar se fechar perto da própria área, esse espaço diminui, tornando mais valiosa a capacidade de ligação que Valente oferece. Caso Steijn comece jogando, vale acompanhar a dinâmica de passe e combate no setor central, já que ele ainda não iniciou partidas ao lado de Vanhoutte e Zechiël. Por outro lado, manter Valente e Targhalline como opções de banco dá ao Feyenoord poder de fogo para o segundo tempo.
O Telstar também dispõe de caminhos para ferir a retaguarda do Feyenoord. Aos 13 minutos contra o ADO Den Haag, Seedorf atacou o espaço nas costas da zaga e provocou a expulsão do adversário. Se o Telstar desarmar logo após as subidas de Read e acionar Seedorf em velocidade, colocará à prova a transição defensiva do Feyenoord, que já cedeu 2 gols em contra-ataques rápidos no jogo em casa contra o ADO Den Haag. No entanto, o Telstar não marcou em nenhuma das saídas recentes contra adversários do topo da tabela enquanto priorizou a defesa. Reconhecer que há rotas para o contra-ataque é diferente de presumir alta probabilidade de gol diante do Feyenoord.
Outro recurso ofensivo do Telstar está nas faltas diretas e arremates de longe de Owusu. Caso Hardeveld atue, os arremessos laterais longos para a área — recurso que gerou gol contra o NEC Nijmegen na estreia — voltam a ser alternativa. Se o Feyenoord baixar suas linhas após construir vantagem, o Telstar terá tempo para trocar passes no campo de ataque e buscar esses arremates. Vale lembrar que o Feyenoord cedeu o empate em 2 a 2 contra o Go Ahead Eagles após liderar por 2 a 0 e sofreu gol nos acréscimos contra o Como em bola longa mal rebatida quando vencia por 3 a 1. Contra o AZ, por sua vez, defendeu em bloco baixo e garantiu a vitória sem sofrer gols. Ceder a bola após abrir vantagem nem sempre resulta em gol sofrido, mas concede ao Telstar minutos para tentar diminuir a desvantagem.
Nesses momentos, as estratégias dos dois lados voltam a se cruzar. Em situações de desvantagem, o Telstar costuma colocar atacantes adicionais, expediente que não funcionou diante de AZ e ADO Den Haag. Ao povoar a frente, abre-se espaço para que os reservas do Feyenoord explorem a profundidade no segundo tempo. Contra o Ajax em casa, o Telstar se lançou ao ataque após sair atrás e sofreu 2 gols em sequência, aos 56 e aos 60 minutos. Mesmo que o Feyenoord marque primeiro, a dinâmica entre gols adicionais e um eventual desconto do Telstar dependerá de como cada time administrará a liderança e fará suas substituições.
3. Conclusão e palpite
Nosso palpite de placar exato é de 1 a 3 para o visitante (Telstar 1 x 3 Feyenoord). O cenário mais provável aponta para o Feyenoord abrindo o marcador na etapa inicial com jogadas pelo lado direito de Hadj Moussa e Read, ampliando em seguida diante de um Telstar obrigado a avançar suas linhas. Caso o Feyenoord reduza o ritmo e recue depois de construir vantagem, o Telstar pode descontar em arremate de bola parada ou chute de fora da área com Owusu. Por fim, com os mandantes lançados em busca do empate, as peças que entrarem no Feyenoord no segundo tempo têm totais condições de explorar o espaço nas costas da zaga para fechar a conta.
Essa projeção vai além da simples diferença de posições entre o 1º e o 15º colocado. Como as mudanças na escalação do Feyenoord devem se concentrar no meio-campo e no lado esquerdo, a forte dobradinha entre Hadj Moussa e Read pela direita tende a ser preservada. Se o Telstar tentar sair jogando por baixo, ficará exposto à pressão adiantada de Ferri e Zechiël; se recuar em bloco baixo, terá de lidar com a seca de gols exibida nas últimas partidas diante dos times do pelotão de cima. Na reta final, o hábito do Telstar de arriscar colocando mais atacantes aliado à qualidade do banco do Feyenoord reforça a expectativa de mais gols.
O mercado olha com peso para a possibilidade de uma goleada ampla, sustentado pelo 100% de aproveitamento do Feyenoord fora de casa e por suas recentes vitórias elásticas. Porém, o Feyenoord tem histórico recente de recuar e ceder campo depois de estar em vantagem, somado ao fato de ter duelos de peso contra Real Betis e PSV longe de seus domínios na sequência. Vemos a vitória do favorito com forte probabilidade, mas consideramos que o Telstar terá chances de descontar. Se o Telstar optar pelo 3-4-2-1 para travar as ações de Hadj Moussa e contar com grande atuação de Koeman Jr para segurar o zero até os 60 minutos, o tempo para múltiplos gols do líder encurta; nesse cenário alternativo, uma vantagem mínima do Feyenoord e uma bola parada do Telstar poderiam manter o jogo em aberto até os acréscimos.