[26-27 Campeonato (Inglaterra)] Burnley x Wolverhampton Wanderers – Análise e Prévia Início da partida: 16 de outubro, às 16h (horário de Brasília)
Burnley e Wolverhampton Wanderers se enfrentam em Turf Moor pela 11ª rodada do Campeonato (Inglaterra) no dia 16 de outubro, às 16h (horário de Brasília). Rebaixadas juntas da Premier League na temporada passada, as duas equipes tiveram inícios distintos sob o comando de seus novos técnicos. O Burnley precisa de sua primeira vitória em casa, enquanto o Wolverhampton quer dar fim a uma sequência de duas derrotas consecutivas.
1. Visão geral da partida e momento das equipes
Números no campeonato Posição e pontos: Burnley 21º lugar, 8 pontos / Wolverhampton Wanderers 10º lugar, 14 pontos Jogos e retrospecto (V-E-D): Burnley 10 jogos, 1V-5E-4D / Wolverhampton Wanderers 9 jogos, 4V-2E-3D Gols marcados e sofridos: Burnley 15 e 19 / Wolverhampton Wanderers 16 e 14
No levantamento da central de dados de 15 de outubro, o Wolverhampton tem 6 pontos a mais que o Burnley e um jogo a menos disputado. O Burnley balançou as redes em todas as 10 rodadas da liga, mas só conseguiu vencer uma vez. Em casa pela liga, são 5 jogos, com 4 empates e 1 derrota, tendo 7 gols marcados e 8 sofridos. A equipe marcou em todas as partidas, mas também sofreu gols em todas elas, sem conseguir transformar isso em vitórias. Já a campanha do Wolverhampton fora de casa na liga registra 2 vitórias, 1 empate e 2 derrotas em 5 jogos, com 8 gols marcados e 8 sofridos. A diferença na tabela é clara, mas ambos os times vêm cedendo chances claras de gol aos adversários.
Os resultados recentes trazem mudanças de posicionamento e na pontaria. O técnico Nicky Hayen adiantou Max Alleyne, do Burnley, de zagueiro para volante. Nas 5 rodadas seguintes da liga, o Burnley levou 7 gols. É menos do que os 10 sofridos nas 5 partidas anteriores, mas esse período coincidiu com a entrada de Reo Hatate e Largie Ramazani no time, além de adversários de nível geralmente inferior. O Burnley conquistou sua primeira vitória na temporada ao golear o Watford fora por 4 a 0, mas em seguida ficou no 2 a 2 contra o Charlton Athletic. Diante do Charlton Athletic, vencia por 2 a 1 e cedeu o empate nos acréscimos do segundo tempo.
A forma como o Burnley administra as vantagens no placar volta a ser importante hoje. Contra o Derby County, a história foi parecida: gol sofrido nos acréscimos da etapa final e placar de 1 a 1. Hayen explicou que a equipe recuou demais diante do Bristol City e ficou posicionada excessivamente adiantada contra o Charlton Athletic (comunicado do clube Burnley, 15 de outubro). Isso mostra que o time ainda não encontrou uma resposta consistente sobre onde deixar seus jogadores de defesa depois de passar à frente. No lançamento longo que gerou o gol de empate do Charlton Athletic, 8 atletas do Burnley estavam no campo de ataque (The72, 14 de outubro).
O Wolverhampton vinha de duas vitórias consecutivas antes da data Fifa, mas acabou derrotado em sequência por Middlesbrough e Bolton Wanderers. Diante da pressão rápida do Middlesbrough, teve dificuldades para sair jogando em seu próprio campo; já contra o Bolton Wanderers, finalizou 19 vezes e gerou 2,23 de gols esperados (xG), mas só anotou 1 gol. Somando as últimas 3 partidas da liga, foram 4,75 de xG para apenas 2 gols marcados. No mesmo intervalo, o Burnley produziu 3,37 de xG e fez 7 gols. Como a amostra é de apenas 3 jogos e os ataques de ambos os lados mudam hoje, não dá para cravar que essa disparidade recente na finalização vá se repetir sem alterações.
Equipes Burnley: Desfalques principais: Anel Ahmedhodzic e Zeki Amdouni / Mudanças de função hoje: alteração na dupla de zaga e ausência do artilheiro na definição dentro da área Wolverhampton Wanderers: Desfalques principais: Raúl Jiménez, Adam Armstrong e Rodrigo Gomes / Mudanças de função hoje: nova opção como referência ofensiva e menos homens da segunda linha pisando na área
Se Hjalmar Ekdal entrar no lugar de Ahmedhodzic, Alleyne pode seguir formando a dupla de meio-campo com Hatate. Caso Alleyne seja recuado para a zaga, essa dinâmica no setor central muda. Artilheiro do Burnley, Amdouni também fica de fora por lesão no tornozelo. Contra o Watford, ele marcou aproveitando rebote do goleiro; diante do Derby County, balançou as redes de cabeça após cobrança de escanteio. Armando Broja e Jamie Vardy, opções para o comando de ataque, ainda não marcaram nesta temporada. Com isso, o poder de finalização dos pontas e dos meias ganha ainda mais peso.
No Wolverhampton, além de Jiménez, o substituto imediato Armstrong também não joga. O técnico Cesar Peixoto pode recorrer a Sean Neave, que soma apenas 36 minutos no campeonato, ou adiantar o meia Marshall Munetsi para atuar como referência. Neave oferece corridas nas costas da linha defensiva, enquanto Munetsi garante presença física para segurar a bola no pivô. Caso Munetsi seja adiantado, outro atleta terá de compensar seu volume de jogo no meio-campo. Sem Rodrigo Gomes na linha de meias, Fer López e Mateus Mané assumem uma responsabilidade ainda maior de pisar na área adversária.
Nos últimos 6 confrontos diretos, o histórico aponta 2 vitórias do Burnley, 2 empates e 2 derrotas. No duelo mais recente em Turf Moor, na última rodada da temporada passada, o placar terminou 1 a 1. Naquela ocasião, contudo, ambos tinham treinadores diferentes dos atuais e já estavam matematicamente rebaixados. O fato de o Wolverhampton não vencer em Turf Moor há 8 visitas (4 empates e 4 derrotas) é um retrospecto construído por elencos diferentes ao longo de 16 anos, não devendo se sobrepor às escalações de hoje.
Ambas as equipes usaram seus titulares no compromisso anterior da liga e voltam a campo após apenas três dias de descanso. O Wolverhampton ainda tem pela frente, quatro dias depois, o confronto adiado contra o Portsmouth. Embora Peixoto tenha mantido uma base titular relativamente estável na liga, desfalques e calendário podem forçar várias trocas desta vez. Para a hora do apito inicial em Turf Moor, a previsão indica ausência de chuva e ventos fracos, condições que não devem interferir de forma decisiva na proposta de jogo de nenhum dos lados.
2. Análise do confronto
O Wolverhampton registra posse média de 55% nesta temporada, contra 48% do Burnley (The Hard Tackle, 15 de outubro). É provável que os visitantes fiquem mais com a bola, mas a chave do jogo está em como o Wolverhampton fará a progressão a partir do seu próprio campo. O Middlesbrough pressionou alto com velocidade, forçando erros na saída de bola e gerando finalizações logo após a recuperação. Se o Burnley também apertar em bloco alto e roubar a bola, Josh Laurent pode acionar Bruun Larsen em transições rápidas pelo centro. O primeiro gol sobre o Charlton Athletic saiu justamente de um passe de Laurent com arremate de Bruun Larsen.
Esse embate passa diretamente pela escolha do centroavante do Wolverhampton. Com Neave, a equipe ganha infiltração em profundidade, mas é incerto se ele conseguirá reter a bola quando os companheiros forem pressionados e precisarem de lançamentos longos. Com Munetsi, há ganho no duelo físico, mas muda quem faz a contenção das transições do Burnley no meio. Mesmo que a pressão do Burnley funcione, se a equipe não deixar peças suficientes atrás dos jogadores que subiram — como aconteceu diante do Charlton Athletic —, López e Mané podem explorar esses espaços. O Burnley precisará equilibrar a altura da sua marcação com a recomposição defensiva assim que perder a posse.
Se o Wolverhampton superar a primeira linha de pressão do Burnley, o posicionamento de López será determinante. Se López receber a bola nas costas de Josh Laurent e conseguir girar, poderá construir jogadas de frente para os zagueiros adversários. Caso Ekdal substitua Ahmedhodzic, Alleyne permanece à frente de López para combatê-lo; se Alleyne for para a zaga, outro volante terá de assumir esse papel. Se López atuar aberto pela direita, como apontam as prováveis escalações, o duelo direto migra para o lado esquerdo do Burnley. O time da casa terá de redobrar a atenção caso Lucas Pires apoie o ataque e deixe López livre para receber por aquele setor.
A ala esquerda do Burnley também impõe dificuldades ao Wolverhampton. Lucas Pires acumula 3 assistências e 9 passes decisivos em 7 partidas nesta temporada, formando com Bruun Larsen o principal corredor de ataque da equipe (The Hard Tackle, 15 de outubro). Do outro lado, Kieran Trippier também é uma fonte constante de perigo com seus cruzamentos. Se Lucas Pires conseguir avançar e prender Trippier no campo de defesa, o Burnley dita o ritmo por ali. Por outro lado, se Trippier subir e empurrar Lucas Pires para a marcação, a saída ofensiva do Burnley pela esquerda fica recuada. A movimentação desses dois laterais afetará diretamente a estrutura defensiva deixada atrás por suas equipes.
A bola parada surge como um caminho nítido de gol para o Wolverhampton. Segundo o The Hard Tackle, a média de gols esperados em bolas paradas por jogo é de 0,669 para o Wolverhampton e 0,145 para o Burnley. Contra o Charlton Athletic, o Burnley cedeu gol após não conseguir afastar a bola de um escanteio, e hoje a dupla de zaga estará modificada. No entanto, sem Jiménez e Armstrong, não é garantido que o Wolverhampton mantenha o mesmo perigo aéreo do restante da temporada. Pelo Burnley, a ausência de Amdouni — autor do gol de escanteio contra o Derby County — também obriga outro atleta a assumir a definição pelo alto.
Depois do primeiro gol, as posturas recentes dos dois times serão colocadas à prova. Se o Burnley sair na frente, o Wolverhampton pode recorrer às substituições e ao jogo de pontas para buscar o empate; contra o Middlesbrough, Peixoto fez três trocas simultâneas aos 61 minutos. Já o Burnley sofreu gols de empate nos acréscimos contra Derby County e Charlton Athletic com participação direta de jogadores vindos do banco adversário. Se o Burnley recuar inteiramente ou continuar subindo em bloco com excesso de jogadores, os erros das rodadas anteriores tendem a se repetir.
Se for o Wolverhampton a abrir o placar, o time pode tentar segurar a vantagem mínima recuando suas linhas e tirando homens de frente, como fez diante do West Bromwich Albion. O Burnley, porém, balançou as redes em todos os 5 jogos em casa nesta liga e marcou duas vezes contra o Charlton Athletic mesmo sem Amdouni. O contragolpe de Bruun Larsen e as finalizações na entrada da área com Hatate e os alas continuam como ameaças reais. Para sustentar uma liderança mesmo com um ataque remendado, o Wolverhampton precisará limitar os espaços de chute da segunda linha do Burnley.
3. Veredito e palpite
Nosso palpite de placar é um empate por 1 a 1 entre o mandante Burnley e o visitante Wolverhampton Wanderers. O cenário mais provável é o Burnley marcar primeiro ainda no primeiro tempo, recuperando a bola no campo de ataque por meio da pressão alta e construindo a jogada com Laurent e Bruun Larsen. Acreditamos que o Wolverhampton deve buscar a igualdade por volta dos 60 minutos, acionando as peças do banco e explorando a bola parada em cima da nova dupla de zaga do Burnley. Como ambos perderam peças importantes para empurrar a bola para as redes, a tendência é que o confronto termine sem vencedor.
Essa projeção se apoia no aspecto tático: a pressão do Burnley deve complicar a vida do ataque improvisado do Wolverhampton. Por outro lado, a dificuldade do Burnley em manter um posicionamento defensivo equilibrado nos minutos finais sustenta a probabilidade de um gol dos visitantes. Ao mesmo tempo, com Amdouni fora no Burnley e as ausências de Jiménez, Armstrong e Rodrigo Gomes no Wolverhampton, as duas equipes chegam com poder de fogo reduzido para buscar um segundo gol.
O mercado de apostas precificou o Wolverhampton com favoritismo com base na tabela e na superioridade recente em gols esperados. Após os resultados de terça-feira, a cotação do Burnley ganhou força, enquanto a avaliação do Wolverhampton teve leve queda após a confirmação dos desfalques na quinta-feira. Levando em conta as baixas de peso dos dois lados e a instabilidade do Burnley em proteger vantagens, vemos valor maior no empate do que em um resultado com vencedor. Contudo, se o Wolverhampton sair na frente na bola parada e baixar o bloco para defender o 1 a 0 até o apito final — repetindo a postura diante do West Bromwich —, esse prognóstico pode não se confirmar.