Este jogo será decidido pelo que acontecer depois dos 60 minutos. Com Amorim, o Milan constrói as jogadas com calma e vence no segundo tempo, principalmente com jogadores que chegam de trás e atletas que saem do banco. Com Sarri, a Atalanta fica com a bola e joga com a linha alta, mas vai ao San Siro sem três zagueiros e sem três de suas principais fontes de chances. A dúvida é se uma defesa remendada da Atalanta vai resistir à pressão do Milan na reta final, enquanto um ataque desfalcado tenta criar alguma coisa do outro lado.
Os gols do Milan nesta temporada contam essa história. Contra o Torino, marcou duas vezes entre os 64 e os 66 minutos; contra o Venezia, aos 69 e aos 89; diante da Juventus, com Cisse saindo do banco; e contra a Lazio, duas vezes com Moreira depois que ele entrou. O Milan começa devagar no primeiro tempo contra equipes organizadas, mas o estrago vem depois. Em casa, com Amorim, também tem cedido muito pouco, e os adversários criaram apenas chances pequenas na maioria desses jogos.
A Atalanta cede muitas chances com Sarri. Sofreu gols em cinco de seis jogos da liga e permitiu chances claras em todos eles, incluindo 39 finalizações contra a Roma. Fora de casa contra clubes grandes, criou muito pouco contra a Roma e a Juventus, mesmo contando com Raspadori, Elmas e Kessie naquelas partidas. Os três estão fora desta vez: Raspadori se machucou no início do jogo contra o Pafos, Kessie está com um problema na panturrilha e Elmas está suspenso após ser expulso contra o Venezia.
O confronto decisivo será Cisse e Ramos atacando o espaço nas costas da linha alta, defendida por Kristensen e Kolasinac. Com Hien, Kossounou e Scalvini fora, essa dupla quase não jogou junta. Quando Scalvini saiu contra o Venezia, a defesa da Atalanta começou a ceder chances logo em seguida. Os alas do Milan, especialmente Moreira, que marcou três vezes chegando pelo lado, também vão testar laterais que estão improvisados.
Do outro lado, Krstovic vive boa fase, e De Ketelaere pode encontrar espaço contra uma linha de três do Milan sem Gabbia. A Atalanta tem, portanto, uma opção para ameaçar. Mas, sem os meio-campistas que costumam aparecer na área, essa jogada terá pouco apoio.
Esperamos um primeiro tempo equilibrado, com a Atalanta mantendo a posse de bola. A virada deve acontecer por volta dos 60 minutos, quando as mudanças de Amorim entrarem contra defensores improvisados e cansados, que jogaram na quinta-feira. Se o Milan marcar primeiro, a Atalanta terá de se abrir, e a linha alta vai deixar ainda mais espaço para os jogadores do Milan atacarem. Os dois times jogaram competições europeias no meio da semana, então a agenda pesa para ambos. Por isso, ficamos com a vitória do Milan em casa, com boa margem.