[Espanha 26-27 LaLiga] Getafe x Rayo Vallecano: análise e prévia Início do jogo: 19 de outubro, 16h (horário de Brasília)
Getafe e Rayo Vallecano chegam empatados com 8 pontos e se enfrentam às 16h (horário de Brasília) do dia 19 de outubro, no Coliseum, pela 9ª rodada da LaLiga. É um dérbi madrilenho em que a diferença para a zona de rebaixamento é de apenas 1 ponto. O Getafe vem segurando a defesa em casa, enquanto o Rayo Vallecano marcou em todos os jogos, mas errou muito atrás. É um confronto em que o ponto forte de cada time encontra o ponto fraco do outro.
1. Panorama do jogo e situação das equipes
O Getafe tem 2 vitórias, 2 empates e 4 derrotas em 8 jogos e está em 15º. O Rayo Vallecano tem 2 vitórias, 2 empates e 3 derrotas em 7 jogos e ocupa a 14ª posição. O Rayo tem um jogo a menos porque a partida contra o Athletic Club foi interrompida aos 24 minutos, depois que torcedores atiraram objetos em campo. Esse jogo ainda não terminou. O último jogo oficial em que o Rayo Vallecano atuou os 90 minutos foi o de 19 de setembro, fora de casa contra o Osasuna, e desde então, até esta partida, o time só jogou de verdade por 24 minutos.
LaLiga 2026-27 Jogos · pontos: Getafe 8 jogos · 8 pontos / Rayo Vallecano 7 jogos · 8 pontos Gols marcados · sofridos: Getafe 4 · 10 / Rayo Vallecano 11 · 16 Campanha em casa: Getafe 2 vitórias e 2 empates · 4 gols marcados e 2 sofridos / Rayo Vallecano 2 vitórias e 1 empate · 6 marcados e 4 sofridos Campanha fora: Getafe 4 derrotas · 0 gol marcado e 8 sofridos / Rayo Vallecano 1 empate e 3 derrotas · 5 marcados e 12 sofridos
Todos os 4 gols do Getafe no campeonato saíram em casa. Foi 1 gol a cada jogo no Coliseum, e o time não sofreu gol no primeiro tempo. Já nos 4 jogos fora, perdeu todos sem marcar. Mesmo levando em conta que muitos dos adversários na estrada eram do alto da tabela, o xG de 0,62 contra o Osasuna e de 0,12 contra o Barcelona mostra jogos em que faltou criação de chances. Em casa, o time pressionou desde o início a saída de bola do Deportivo La Coruña e, contra o Málaga, aumentou as finalizações com passes diretos e cruzamentos até fazer o gol da vitória no fim do segundo tempo. O ataque do Getafe de Bordalás funciona quando recupera a bola no campo adversário ou a lança rápido para a frente.
O Rayo Vallecano de Beñat San José marcou nos 7 jogos que disputou no campeonato nesta temporada. Sergio Camello fez 7 dos 11 gols do time, e os lances de gol se repetiram também pela esquerda, onde atuam Álvaro García e Adrià Pedrosa. Contra o Barcelona, Álvaro García entrou na área e deu a assistência para o gol de Camello; contra o Osasuna, Camello finalizou um passe rasteiro de Pedrosa. O problema é que o Rayo sofreu 16 gols nesses 7 jogos. San José disse que vai manter a pressão alta e a construção de jogo arriscada e admitiu que alguns gols sofridos vieram de erros nesse processo.
Nenhum dos dois venceu fora de casa, mas os números não se comparam de forma direta. Os adversários do Getafe em casa ocupam hoje o 8º, 9º, 16º e 20º lugares, e as 3 derrotas do Rayo na estrada vieram todas contra times que estão entre os 6 primeiros. O único jogo do Rayo fora de casa contra um time do meio da tabela foi o do Osasuna. Nele, o time teve 63% de posse e 19 finalizações, mas 13 delas saíram de fora da área. Ter a bola diante de um adversário recuado e dar a Camello chutes de boa posição são tarefas diferentes.
O calendário do Getafe está apertado. No dia 16 de outubro, o time jogou na Romênia contra o Universitatea Craiova pela Conference League e, três dias depois deste jogo, recebe o Lugano em casa. Contra o Craiova, Bordalás poupou minutos de Kiko Femenía e Johan Mojica e deixou claro que a prioridade é o campeonato. Mesmo assim, vários jogadores do meio-campo e do ataque começaram aquele jogo como titulares. O Rayo descansou bastante, mas está há um mês sem jogar 90 minutos e precisa voltar a ajustar em jogo real a pressão e os passes curtos de San José.
Iván Alén, Orel Mangala e Zaid Romero, do Getafe, ainda não treinaram totalmente com o grupo em 18 de outubro. Enes Ünal e Ramón Terrats fizeram parte do treino com os companheiros, então ainda há chance de jogarem. Alén marcou o gol da vitória contra o Málaga e também recebia de costas os passes diretos para segurar a bola. Se Ünal também ficar fora, Martín Satriano e Borja Mayoral, que tem pouco tempo de jogo, terão de comandar o ataque. Na zaga, Abqar deve entrar no lugar de Romero.
No Rayo Vallecano, o lateral-direito Andrei Rațiu não pode jogar, e o zagueiro Luiz Felipe e o goleiro Augusto Batalla também estão fora. Iván Balliu deve jogar na direita, Dani Cárdenas no gol, e Mujaid Sadick aparece na frente para formar a dupla de zaga com Florian Lejeune. Como Balliu substitui Rațiu, que vinha também participando do ataque, a questão é como o apoio pela direita vai mudar e com que precisão a nova defesa vai trocar passes.
Nos últimos 5 confrontos, o Getafe tem 2 empates e 3 derrotas. Em maio, também no Coliseum, sofreu o primeiro gol de Camello e perdeu por 2 a 0. Mas o técnico do Rayo naquela ocasião era Inigo Perez. Com San José, o time sofreu gol nos 7 jogos, e Batalla, que defendeu o pênalti do Getafe no último confronto, também não joga desta vez. O resultado do confronto direto, sozinho, não serve para avaliar a defesa de agora.
2. Análise do confronto
O primeiro duelo a observar é o da saída de bola do Rayo contra a pressão do Getafe. San José quer manter a construção curta, do goleiro e dos zagueiros, mesmo quando o adversário avança. O Getafe pressionou uma saída parecida contra o Deportivo La Coruña e dominou o jogo por cerca de 30 minutos no começo. O Rayo sofreu gol contra o Real Madrid por um passe errado de Lejeune para trás e, contra o Racing Santander, quando Unai López perdeu a bola na entrada da área. Se o Getafe atrapalhar hoje a ligação com a participação de Aude e Sadick, o time da casa poderá começar seus ataques perto do gol.
Essa pressão, porém, não significa gol na hora. O Getafe é um time que recupera a bola e a lança rápido para o ataque. Alén e Ünal conseguem receber esse passe e dar tempo para os companheiros chegarem, mas a presença dos dois não está confirmada. Satriano já mostrou que sabe recuar para ligar o jogo, mas não dá para saber se ele assumiria sozinho a disputa de bola e a finalização que eram de Alén. Por outro lado, se o Rayo passar pela primeira pressão, pode achar Camello e Álvaro García nas costas dos meio-campistas do Getafe que avançaram. Unai López deu várias assistências para gols de Camello, mas também perdeu bolas no próprio campo. O ponto em que o Getafe vai pressioná-lo quando a bola chegar a ele muda a origem dos ataques dos dois lados.
Quando o Rayo tiver a bola por mais tempo no campo do Getafe, o ataque pela esquerda será importante. Se Pedrosa avançar pela ponta e Álvaro García encarar o marcador, Camello pode receber um passe de trás dentro da área. Foi assim que saiu gol também contra o Osasuna. Na direita do Getafe, Femenía pode jogar, e a presença de Dani Carvajal, que chegou há pouco, só será definida no dia do jogo. Se Bordalás usar cinco defensores, o zagueiro do lado direito pode dar cobertura a Femenía. Começando em 4-4-2, os dois da frente ficam mais perto de pressionar os zagueiros do Rayo, mas o meia direito também precisa ajudar a defender quando Pedrosa subir.
Depois que o Getafe recuar, será decisivo quantas vezes o Rayo transforma as infiltrações pela esquerda em finalizações dentro da área. Se repetir o que fez contra o Osasuna, com muita posse mas chutes de longe, será difícil aproveitar a pontaria de Camello. Se Isi Palazón começar e o Rayo jogar em 4-2-3-1, haverá mais meio-campistas para receber a bola atrás e, com isso, mais opções para reagir à pressão do Getafe. San José disse que Isi Palazón está em condições físicas de começar jogando.
Bola parada e bola aérea também contam depois do primeiro gol. O Getafe saiu na frente contra o Celta de Vigo e o Deportivo La Coruña, mas nos dois jogos levou o empate no segundo tempo em bola aérea. Bordalás, quando está na frente, costuma tirar um atacante e colocar mais um defensor. Desta vez, Romero, que era titular, também deve ficar fora. O Rayo tem Lejeune, que já fez gol de cabeça em escanteio contra o Getafe, e Camello, que marcou de cabeça em escanteio contra o Barcelona. Se o Getafe abrir vantagem e recuar a linha defensiva, as disputas aéreas com esses dois podem aumentar.
Se o Rayo marcar primeiro, o Getafe terá de jogar uma partida a que não está acostumado. O time ainda não empatou nem virou nenhum jogo no campeonato nesta temporada. Mesmo adiantando a linha, se não conseguir levar a bola ao atacante pelo meio, o Rayo ganha espaço para avançar de novo. O Rayo já marcou mesmo atrás no placar, mas a gestão do jogo depois de abrir vantagem não foi regular. Contra o Espanyol, reforçou o meio-campo para segurar o 2 a 1; em Sevilla, perdeu a vantagem do primeiro tempo. Dependendo de quem marcar primeiro, mudam as substituições dos técnicos e o espaço que o adversário terá para atacar.
O tempo de jogo também pesa nesse duelo tático. No início, quando o Getafe pode pressionar forte a saída do adversário, a longa pausa do Rayo sem jogos oficiais pode pesar na precisão dos passes e na resposta à pressão. No segundo tempo, o fôlego do meio-campo do Getafe, que começou o jogo na Romênia, será o ponto-chave. Se o Rayo passar pela pressão inicial e trocar passes com segurança, terá mais chances de usar a esquerda e a bola parada na etapa final. Os dois times têm como explorar as fraquezas do rival, mas a condição dos jogadores que precisam executar isso e o tempo de jogo são diferentes.
3. Palpite final e conclusão
O cenário mais provável, na nossa opinião, é um 1 a 1 com Ünal em campo. O Getafe pode recuperar a bola na pressão inicial contra a nova defesa do Rayo, achar Ünal com passe direto e abrir o placar. Ünal fez parte do treino de 18 de outubro, o que mantém essa hipótese viva. Mas, se o Getafe abrir vantagem e passar a se fechar, tirando um atacante, a defesa pelo alto, que já cedeu 2 empates em casa, volta a ser testada. Contra uma defesa que pode ficar sem Romero, com Lejeune e Camello indo à bola parada, o gol de empate do Rayo tem fundamento.
O mercado deixa o Rayo Vallecano ligeiramente à frente, pelos gols de Camello, pelo baixo número de gols do Getafe no campeonato, pelos últimos confrontos e pela viagem europeia do Getafe. Só que os 4 gols do Getafe saíram todos em casa, e o técnico que comandava a defesa do Rayo nos jogos anteriores também é outro. Somando a chance de o Getafe marcar primeiro ao risco de ele ceder o empate depois, achamos que o empate pesa um pouco mais que a vitória do Rayo.
Se Ünal e Alén ficarem os dois de fora, o palpite muda para 0 a 1. Mesmo que a pressão funcione, faltaria um atacante para receber o passe direto e segurar a bola, e, com o passar do tempo, o Rayo ganharia mais chances de atacar no campo do Getafe. Nesse caso, é grande a chance de o Rayo fazer 1 gol no segundo tempo, em passe de trás pela esquerda ou em bola parada. Por outro lado, se Ünal jogar, o Getafe abrir o placar e, mesmo assim, segurar até o fim as bolas aéreas de Lejeune e Camello com Abqar à frente da defesa, o 1 a 1 passa a ser uma vitória do Getafe por 1 gol de diferença.