O Inter Miami já garantiu sua vaga nos playoffs, enquanto o próprio site do Atlanta United trata este jogo como um dos mais importantes da temporada. Essa diferença no que está em jogo me interessa mais do que o cartaz do Messi. O técnico do Miami, Kily González, disse que vai mexer na equipe após a vitória do meio de semana sobre o NYCFC, mantendo o trio de ataque e abrindo espaço para rodar a linha de defesa e o meio-campo. A minha dúvida, então, é se o Atlanta, precisando desesperadamente do resultado, consegue achar o ponto fraco de um Miami modificado ou se os homens de frente do Miami simplesmente resolvem a parada.
Começando pelo Atlanta. O 3 a 0 sobre o Montréal no meio de semana não veio pela posse de bola: nossos registros mostram 48% de posse, 18 finalizações e 2,07 de xG contra 0,40, com gols marcados por Almirón, Galoppo e Embolo (o gol de Embolo foi o 500º do clube na MLS, segundo o El Intransigente). Eles têm a volta de Tomás Jacob após suspensão e, de acordo com o relatório de desfalques do clube, apenas Will Reilly está fora. É um onze inicial mais estável do que o Atlanta conseguiu escalar nos últimos tempos, e isso pesa bastante porque Martino já declarou que quer dar entrosamento ao elenco após uma janela agitada de transferências de verão.
Do lado do Miami, a história não é tão simples quanto “Messi joga, Miami vence”. O 2 a 0 contra o NYCFC veio com 57% de posse e 2,29 xG contra 1,39, mas o tropeço recente na liga, a derrota por 2 a 1 diante do Columbus, teve um desenho oposto: 56% de posse, 5 finalizações, 0,27 xG, uma expulsão nos minutos finais e o gol da vitória dos donos da casa já nos acréscimos. Quando o Miami fica com a bola sem conseguir acionar o trio de ataque, a equipe acaba ficando exposta na transição defensiva. As próprias palavras de Kily, citadas pelo El Intransigente (minha tradução: quando você se desgasta tanto para furar a marcação adversária, o cansaço é maior e você precisa mudar), retratam bem esse problema visto por dentro.
Por isso, o que eu ficaria de olho são os primeiros trinta minutos: será que um meio-campo mexido do Miami consegue seguir abastecendo Messi, Berterame e Suárez, ou o Atlanta vai conseguir colocar Embolo e Almirón para correr para cima de uma linha defensiva que jogou pouco junta? As escalações ainda não foram confirmadas e as projeções na imprensa divergem, então eu não me apegaria tanto aos detalhes por enquanto.
Fontes: prévia da MLSsoccer.com, relatório de desfalques do Atlanta United, El Intransigente (todos de 16 de outubro), além do nosso banco de dados de partidas (alguns dados marcados como provisórios).