Este jogo é menos desequilibrado do que a tabela sugere. A Juventus terá a bola, mas estão fora todos os jogadores que costumavam transformar essa posse em chances pelos lados. A sequência recente de gols sofridos primeiro coincide exatamente com o período em que o Genoa costuma vencer em casa. O que vai decidir é se as bolas paradas da Juve resolvem a partida antes de um contra-ataque rápido do Genoa.
Vamos começar por quem conduz a bola. A Juve teve entre 52% e 72% de posse em todos os jogos recentes da Serie A, enquanto o Genoa de De Rossi fica entre 34% e 45%. Sem Yildiz, Conceição e Nicolás González, a Juve perde toda a sua força no um contra um pelos lados. As chances criadas em jogadas trabalhadas a partir dessas arrancadas têm rendido cerca de um gol esperado por jogo: contra Lecce e Lazio, e contra o Sassuolo. Até contra o Lecce, os gols vieram do meio-campo: uma cobrança de falta de Douglas Luiz desviada por McKennie e um chute de Luiz da entrada da área, não pelos flancos.
O duelo decisivo é a transição rápida do Genoa contra os lados da linha de três da Juve. A Juve sofreu o primeiro gol em quatro dos últimos cinco jogos, aos 15, 18, 20 e 37 minutos, sempre antes de conseguir controlar a partida. Esse é o caminho do Genoa: Osmajic e Messias marcaram cedo contra a Fiorentina, Ellertsson fez o mesmo contra o Venezia, e depois a equipe se fechou lá atrás. O Venezia finalizou 19 vezes e, mesmo assim, o Genoa venceu por 1 a 0. A melhor resposta da Juve são as bolas paradas, com Luiz cruzando para Bremer, Gatti e McKennie contra um Genoa que cede muitos escanteios em casa.
As ausências fazem diferença em campo, embora não sejam novidade. Çelik, González e Conceição são as baixas mais recentes, além de Yildiz, Thuram e Locatelli. Sow, Ehizibue e Wiafe estão de volta ao Genoa, que conta com o meio-campo e o lado direito completos; a dupla Osmajic-Ellertsson deve começar junta.
No cenário que espero, o Genoa pressiona no início e busca um contra-ataque rápido enquanto a Juve se ajusta. Se o Genoa marcar primeiro, recua e monta um bloco como o do Venezia, deixando a Juve correr atrás do resultado com bolas paradas e muita posse. Foi esse tipo de jogo que terminou empatado em Cagliari, com a Juve tendo 72% de posse. Se a Juve marcar primeiro, costuma diminuir o ritmo depois do intervalo quando vem de pouco descanso, o que dá a bola ao Genoa no fim.
Por isso, ficamos com o Genoa para não perder. A criação pelos lados da Juve desapareceu, o início do jogo coincide com o período em que ela costuma sofrer gols, e o empate também nos serve.