As duas partidas envolvem encaixes de estilo, não choques de propostas. Em Córdoba, o River quer a bola, enquanto o Belgrano vem fazendo seu melhor trabalho recente sem ela. Em Monterrey, os donos da casa terão de assumir a posse, enquanto o Pachuca fica com o papel de visitante que contra-ataca, o mesmo que lhe rendeu quase todos os pontos. Nos dois casos, as médias do favorito foram construídas em condições diferentes das que este confronto oferece.
Belgrano x River Plate (Argentina). Sob o comando interino de Leonardo Ponzio, o River teve entre 58% e 75% da posse em todos os jogos recentes com estatísticas disponíveis, além de finalizar de 15 a 28 vezes por partida. Ainda assim, costuma vencer por um gol de diferença ou empatar, e sofre gols mesmo quando o adversário cria muito pouco: o Huracán marcou duas vezes quase sem ameaçar, no próprio estádio do River. Com Ricardo Zielinski, o Belgrano joga de duas maneiras. Em casa contra adversários mais fracos, fica com a bola e não impressiona. Contra equipes de nível igual ou superior, recua em um bloco compacto, como fez para vencer o Racing por 2 a 0, com 38% de posse, e o Talleres por 1 a 0. A equipe não sofreu gols em cinco dos últimos dez jogos.
O duelo-chave será a troca de passes do River contra a dupla de meio-campo do Belgrano, Adrian Sanchez e Franco Vazquez, com Lisandro Lopez e Maldonado protegendo a área. A escalação provável do River tem cerca de quatro mudanças: Lucas Beltran deve começar no ataque no lugar de Driussi, Lautaro Pereyra pode substituir Galvan, e Acuna é dúvida depois de sair machucado na última partida. Galvan, Driussi e Acuna marcaram uma boa parte dos gols recentes do River. Do outro lado, Thiago Cardozo volta ao gol do Belgrano.
Esperamos um primeiro tempo equilibrado, com o River tendo a bola, e os primeiros tempos do Belgrano têm terminado sem gols repetidamente. Depois dos 60 minutos, a situação na tabela ganha peso. O River está em nono e precisa vencer, enquanto o Belgrano já garantiu vaga na Libertadores do ano que vem e pode aceitar o empate. Se o jogo seguir igualado até o fim, o River vai avançar com mais jogadores, abrindo espaço para o banco e os contra-ataques do time de Zielinski, que já fizeram estrago: aos 86 minutos contra o Talleres, nos acréscimos contra o Racing e com dois gols no fim quando o Belgrano venceu o River na final do Apertura. Por isso, ficamos com o Belgrano para não perder.
Monterrey x Pachuca. O Monterrey de Almeyda fica com a bola em casa (63% contra o Tigres, 72% contra o San Luis), mas isso não tem criado muitas chances, e a equipe fica exposta quando perde a posse. O San Luis venceu por 3 a 1 ali, em contra-ataques. O Pachuca muda bastante conforme o mando. Em casa, mantém a bola e sofre gols; fora, cai para cerca de 44% de posse, joga buscando Rondon e as arrancadas de Pizarro e Idrissi, e sofreu apenas três gols em seis partidas como visitante. Venceu o Atlante por 3 a 0 e só perdeu para o Santos em um pênalti.
Os duelos que podem decidir a partida são o contra-ataque do Pachuca contra a defesa do Monterrey quando tem a posse, e o lado direito do Monterrey contra Isais, que entra na lateral esquerda no lugar do suspenso Venegas e já acumulou muitos minutos saindo do banco. As lesões de longa duração do Pachuca já são notícia antiga, e os números recentes fora de casa foram feitos sem esses jogadores. Almeyda diz que vai buscar a vitória, o que coloca o Monterrey justamente no papel de ter a bola, aquele em que seus resultados em casa têm sido mais fracos. O Pachuca também venceu nas últimas três visitas a este estádio.
Os resultados mais prováveis são empate, vitória apertada do Monterrey ou vitória do Pachuca em um contra-ataque. Uma vitória tranquila dos donos da casa exigiria um gol cedo e, depois, que o Pachuca abandonasse o esquema que tem funcionado fora de casa. Por isso, ficamos com o Pachuca para manter o jogo equilibrado.