[Serie A (Itália) 26-27] Análise e prognóstico: Parma x Udinese Início da partida: 28 de outubro, às 14:30 (horário de Brasília)
Parma e Udinese se enfrentam no Stadio Ennio Tardini pela 9ª rodada da Serie A 2026-27, no dia 28 de outubro, às 14:30 (horário de Brasília). É um confronto entre duas equipes que somam apenas 4 pontos em 8 partidas. A vitória é urgente para ambos os lados: o Parma quer deixar a zona de rebaixamento, enquanto a Udinese tenta quebrar uma sequência de 6 derrotas consecutivas.
1. Visão geral da partida e momento das equipes
O Parma é o 19º colocado, com 1 vitória, 1 empate e 6 derrotas, somando 5 gols marcados e 15 sofridos. Com a mesma campanha de vitórias e derrotas, a Udinese ocupa o 17º lugar por ter 1 gol a mais de saldo, com 9 marcados e 18 sofridos. A Fiorentina, em 18º, também tem 4 pontos, e o lanterna Venezia soma 3. Quem vencer este confronto direto ganha fôlego para escapar do Z-3, mas quem perder pode se afundar na parte de baixo da tabela. Foi por isso que o técnico da Udinese, Kosta Runjaic, após a derrota para o Milan, fez questão de ressaltar a importância do jogo contra o Parma e a necessidade de terminar sem sofrer gols.
8 jogos na liga Campanha: Parma 1V-1E-6D / Udinese 1V-1E-6D Gols pró e contra: Parma 5/15 / Udinese 9/18 Gols esperados pró e contra por jogo: Parma 0,78 / 1,71; Udinese 1,09 / 2,27 Sequência recente de derrotas: Parma 3 jogos / Udinese 6 jogos
Mesmo com a mesma pontuação, o desempenho dos times em campo é diferente. Pelos dados da central estatística, o Parma produz poucas oportunidades na liga, com média de 0,78 gols esperados por jogo. Na partida recente contra o Torino, chegou a finalizar 25 vezes e teve 1,57 de gols esperados, mas não balançou as redes; além disso, desperdiçou a chance de sair na frente ainda na primeira etapa diante da Lazio. Nas 3 partidas sob o comando do técnico Alberto Gilardino, erros na saída de bola e cortes ruins dos defensores custaram gols. Com apenas 3 jogos e adversários de níveis distintos, ainda não dá para cravar que o ataque evoluiu após a troca no comando.
A Udinese, por sua vez, cede muito mais chances aos adversários. Os 18 gols que a equipe de fato sofreu em 8 jogos na liga batem quase perfeitamente com os seus 18,14 gols esperados sofridos. Dos 7 gols levados na série recente de 3 derrotas, 4 nasceram em faltas ou escanteios. O ataque também caiu de rendimento. Depois de enfrentar o Torino, o time passou em branco contra Lecce e Milan, gerando apenas 0,55 e 0,42 em gols esperados nessas partidas. Diante do Lecce, mesmo com 67% de posse de bola, levou desvantagem de 7 a 15 nos chutes de dentro da área. Ter a bola por muito tempo não se traduziu em oportunidades claras.
As duas equipes devem ter mudanças nas escalações. Na provável formação do Parma, Abdoulaye Ndiaye entra na linha de três zagueiros na vaga de Diego Carlos, que esteve diretamente envolvido em vários dos últimos lances de gol sofrido. Ndiaye disputou apenas uma partida completa de 90 minutos nesta temporada da liga, de modo que o entrosamento do setor defensivo terá de ser testado durante os 90 minutos. Na frente, os prováveis titulares são Simone Lontani, artilheiro do time em jogos oficiais, ao lado de David Romero. É uma opção para usar Lontani, que vinha entrando no segundo tempo, desde o apito inicial. Pontus Almqvist e Hans Nicolussi Caviglia voltaram aos treinos parciais e foram relacionados, mas o tempo deles em campo pode ser reduzido. Autor do gol da vitória sobre a Udinese em abril, Nesta Elphege é desfalque certo.
A Udinese não poderá contar com os titulares do miolo de zaga Oumar Solet e Hassan Alaba. A ausência de Solet reduz a capacidade do time de conduzir a bola desde trás para iniciar a transição ofensiva. Contra o Milan, Matteo Palma foi o substituto e atuou pela primeira vez como zagueiro pela esquerda na linha de três. Ainda assim, mesmo com Solet e Alaba entre os titulares contra o Lecce, a Udinese levou 3 gols, o que indica que os problemas defensivos não se explicam apenas pelas baixas. No setor ofensivo, Idrissa Gueye é ausência após operar o tornozelo. Ele dava dinâmica diferente atacando as costas da zaga adversária; sem ele, as opções de referência se resumem a Keinan Davis e Giulio Vinciati, este com apenas 11 minutos jogados na temporada.
Na última temporada, houve uma vitória para cada lado. No Stadio Ennio Tardini, a Udinese ganhou por 2 a 0: Nicolò Zaniolo abriu o placar aproveitando uma indecisão de Edoardo Corvi, e depois Mariano Troilo cometeu pênalti em Davis e acabou expulso. Em abril deste ano, no estádio da Udinese, o Parma levou a melhor por 1 a 0. Como o Parma tinha outro técnico e outro goleiro naquela ocasião, o resultado não serve de espelho direto. Ainda assim, vale observar o duelo entre Corvi e Troilo contra as movimentações de Davis, já que ambos voltam a ser cotados como titulares hoje.
O calendário dá um fôlego um pouco maior ao Parma. A equipe da casa chega com cerca de quatro dias de descanso após encarar a Lazio, enquanto a Udinese teve cerca de três dias depois do duelo com o Milan — e volta a campo três dias depois para enfrentar a Roma. Embora Runjaic tenha indicado cautela com a minutagem de Zaniolo, dois veículos da imprensa apontam o jogador entre os titulares. A presença dele desde o início e o tempo que aguentar em campo vão ditar as opções ofensivas para a etapa final.
2. Análise do confronto
O roteiro esperado indica a Udinese trabalhando a posse de bola contra um Parma recuado e focado na marcação. Ao defender, o Parma baixa seus homens de lado para formar um 5-3-2 e, quando recupera a bola, busca ligações diretas para a arrancada dos seus atacantes. A Udinese deve sustentar o 3-4-2-1, posicionando dois meias logo atrás de Davis. Se o Parma ceder a posse, a Udinese precisará propor o jogo contra um adversário muito povoado em seu próprio campo — um teste desconfortável para quem ficou com a bola por longos períodos contra Cagliari e Lecce e não conseguiu vencer.
Os nomes capazes de desequilibrar esse cenário para a Udinese são Jürgen Ekkelenkamp e Zaniolo. Ekkelenkamp fez 3 gols nas primeiras seis rodadas partindo da meia-esquerda central; depois que mudou de posicionamento, o time acumulou dois jogos sem marcar. Não se pode atribuir o jejum apenas à mudança de função, mas, se Ekkelenkamp e Zaniolo atuarem juntos nas costas de Davis como apontam as prévias, os dois podem receber entre as linhas do meio e a zaga do Parma para arriscar finalizações. O pivô de Davis, protegendo a bola de costas para a zaga e servindo quem vem de trás, também é peça-chave. Assim como no lance da temporada passada em que Troilo sofreu na área contra Davis, qualquer erro de abordagem da defesa pode virar chance de gol.
Do outro lado, o avanço dos alas da Udinese será determinante. Se Mërgim Vojvoda e Hassane Kamara subirem demais para apoiar, o Parma terá campo aberto para acionar Romero e Lontani logo após desarmar. Romero balançou as redes contra o Genoa infiltrando por dentro e também criou perigo em contragolpes diante da Lazio. Já Lontani soma 4 gols em partidas oficiais e lidera a artilharia do Parma no ano. Considerando que a recomposição nas laterais ficará a cargo de um trio de zagueiros remendado, esses contragolpes são o caminho mais claro para o Parma agredir a defesa rival.
Runjaic tem alternativas para equilibrar o ataque pelas alas com a segurança contra os contra-ataques. Se deixar um entre Vojvoda e Kamara mais contido, ele reduz o espaço para os atacantes do Parma correrem. A contrapartida é diminuir a presença de área no apoio ofensivo. Como o técnico cobrou publicamente uma atuação sem sofrer gols, é provável que a prioridade inicial seja defensiva. Se o placar seguir zerado até a etapa final, a grande decisão da Udinese, que precisa do resultado, será se arrisca empurrando os alas ou se mantém as posições para não se expor às estocadas do Parma.
Os números por tempo de jogo reforçam essa dinâmica. A Udinese sofreu gols no segundo tempo em todas as 8 rodadas da liga: se na primeira etapa tem 7 gols a favor e 7 contra, no segundo tempo o placar despenca para 2 gols pró e 11 sofridos. Como cada gol teve um contexto, não se deve apontar uma causa única para esse padrão. Já o Parma marcou 4 dos seus 5 gols no campeonato justamente após o intervalo. Na etapa final, Almqvist pode entrar como opção de velocidade para encarar a marcação no mano a mano. Ele ainda vem de volta gradual após treinar em separado, então o ganho de rendimento do Parma no fim não depende de uma longa minutagem sua, mas da perspectiva de encontrar brechas em velocidade contra uma Udinese cansada e obrigada a se expor.
Se a Udinese sair na frente, a leitura da partida muda. Por ser um time que produz pouco ofensivamente nesta temporada, o Parma teria de se adiantar para buscar o placar, o que abriria o espaço às costas de seus defensores. A Udinese já soube castigar adversários desse jeito fora de casa, aproveitando as linhas adiantadas de Monza e Inter para marcar. Por outro lado, o dado de 7 gols marcados com apenas 2,6 de gols esperados nas 3 partidas como visitante está muito inflacionado pelo aproveitamento cirúrgico nas finalizações; não dá para esperar uma produção ofensiva desse nível apenas pelo histórico recente fora de seus domínios.
Na bola parada, embora os gols sofridos recentemente pela Udinese chamem a atenção, é preciso olhar também para o repertório ofensivo do Parma. A Udinese levou 2 gols de escanteio contra o Lecce e foi vazada em cobrança rápida de falta contra o Milan. Contudo, todos os 7 gols oficiais do Parma na temporada saíram dos pés de seus atacantes, sem nenhum gol de defensores em bolas paradas. Faltam evidências para garantir que a fragilidade da Udinese casa exatamente com o ponto forte do Parma. Para o time da casa, a transição rápida acionando Romero e Lontani logo no desarme é muito mais perigosa do que a bola parada.
3. Conclusão e prognóstico
O cenário mais provável é o Parma segurar o empate sem sofrer gols no primeiro tempo para, na etapa complementar, explorar os espaços deixados pela Udinese nos contra-ataques. Embora a Udinese costume ter mais posse, o time tem encontrado muitas dificuldades para criar chances claras contra blocos fechados e hoje não conta nem com as arrancadas de Solet desde a defesa nem com os desmarques de ruptura de Gueye. Com a provável dupla Lontani e Romero no ataque, o Parma tem velocidade para explorar o corredor deixado pelos alas adversários. O fato de a Udinese ter sofrido gols no segundo tempo em todas as rodadas, somado ao desgaste pelo descanso mais curto e ao compromisso contra a Roma logo em seguida, dá ainda mais peso à força do Parma na etapa final.
O mercado abriu apontando a Udinese como favorita e, mesmo após a confirmação dos desfalques defensivos fazer o movimento em direção ao Parma, ainda mantém uma ligeira vantagem para os visitantes. A tabela, o número de gols marcados pela Udinese e a baixa produção ofensiva do Parma justificam essa leitura inicial das cotações. Porém, as equipes têm a mesma pontuação, e a Udinese — que hoje deve ficar mais tempo com a bola — terá de propor o jogo diante de um adversário que vai esperar o erro. As baixas de Solet e Gueye limitam tanto as vias de construção quanto o poder de fogo do banco de reservas no segundo tempo. Diante desse encaixe tático e das peças disponíveis, vemos valor em apontar melhores chances de vitória para o Parma do que o mercado indica.
Nosso palpite é de um duelo equilibrado e com poucos gols, no qual o Parma constrói a vitória no segundo tempo aproveitando contragolpes ou o impacto das substituições. Se o time da casa abrir o placar e a Udinese se lançar à frente, pode até surgir espaço para mais um gol, mas não projetamos uma vitória elástica da Udinese nem um jogo movimentado com muitos gols de lado a lado. O que mudaria esse panorama seria uma falha grave de Corvi ou da zaga do Parma logo no começo, entregando o gol inaugural para a Udinese. Nesse caso, o Parma precisaria subir suas linhas, permitindo que Ekkelenkamp e Kamara explorassem os espaços deixados na defesa mandante.