[LaLiga 26-27] Análise e palpite: Valencia x Villarreal Início da partida: 24 de outubro, às 13:30 (horário de Brasília)
Valencia e Villarreal se enfrentam no Mestalla neste sábado, 24 de outubro, às 13:30 (horário de Brasília), pela 10ª rodada de LaLiga 2026-27. Na 19ª colocação, o Valencia busca sua primeira vitória em casa sob o comando do novo treinador, enquanto o Villarreal, 12º colocado, volta a campo pelo campeonato nacional apenas quatro dias após a visita ao Liverpool pela Champions League. O Submarino Amarelo leva vantagem na tabela e no número de gols marcados, mas, considerando as escalações prováveis e a dinâmica esperada para a segunda etapa, a tendência é de um duelo bastante equilibrado.
1. Visão geral da partida e momento das equipes
Nesta temporada de LaLiga Posição e pontos: Valencia 19º (6 pts) / Villarreal 12º (9 pts) Desempenho em 9 jogos: Valencia 1V 3E 5D / Villarreal 2V 3E 4D Gols marcados e sofridos: Valencia 6 marcados e 15 sofridos / Villarreal 13 marcados e 13 sofridos
O Valencia ainda não venceu como mandante na liga: são 2 empates e 3 derrotas em 5 jogos diante de sua torcida. Marcou apenas 2 gols e sofreu 9, balançando as redes em uma única partida, contra a Real Sociedad. E mesmo esses dois gols saíram de um chute de longe de Aaron Mayol e de um gol contra do adversário. É verdade que o calendário em casa foi duro, recebendo equipes fortes como Barcelona, Real Betis e Real Sociedad. Por outro lado, o time também passou em branco contra Celta de Vigo e Athletic Bilbao, o que mostra que a falta de poder de fogo no Mestalla não pode ser explicada unicamente pelo nível dos rivais.
Além disso, os números gerais da temporada do Valencia não refletem fielmente o momento atual da equipe. Nas 5 primeiras rodadas com Carlos Corberan, foram 1 gol marcado e 10 sofridos; sob a tutela do interino Óscar Sánchez, foram 3 marcados e 3 sofridos em 2 partidas. Já nos 2 jogos desde a chegada de Javier Aguirre, o time somou 2 empates, anotando 2 gols e sofrendo 2. Contra o Athletic Bilbao, mesmo cedendo a posse de bola por longos períodos, a equipe limitou o perigo adversário e cedeu apenas 0.59 de gols esperados (xG). O setor defensivo deu sinais de melhora, mas, com apenas dois jogos sob a batuta de Aguirre, ainda é cedo para cravar uma evolução sustentável.
Mesmo com as trocas no comando, a dificuldade na saída de bola desde a defesa persiste. Diante da pressão alta de Sevilla e Real Sociedad, a equipe perdeu a bola com passes curtos interrompidos e, após sua estreia contra o Racing Santander, o próprio Aguirre admitiu que o time entregou a posse com muita facilidade. Em contrapartida, quando Javi Guerra arrancou com a bola ou conseguiu lançamentos nas costas da defesa, o time criou perigo. Foi dessa ligação que saíram o gol da vitória contra o Alavés e o do empate diante do Racing Santander. Aguirre tem administrado as partidas mantendo as linhas defensivas compactas para, no segundo tempo, acionar peças ofensivas do banco.
No ataque, as opções são escassas. Umar Sadiq é desfalque, enquanto Hugo Duro e Arnaut Danjuma ainda não marcaram nesta edição de LaLiga. Duro soma 5 finalizações, nenhuma no alvo, enquanto Danjuma finalizou 14 vezes, acertando o gol em 5 ocasiões. Se Danjuma começar como centroavante, o Valencia pode tentar explorar a profundidade desde os primeiros minutos. Caso Duro jogue centralizado, Danjuma deve atuar pela esquerda, dando a Aguirre a margem para alterar o desenho ofensivo no decorrer da etapa final, como fez no compromisso anterior. Copete, Foulquier, Diego Lopez Noguerol e Sergi Canós também estão fora. A vaga de Foulquier na lateral-direita vem sendo ocupada por Pablo Maffeo, que soma bastante minutagem na temporada.
O Villarreal marcou 7 gols a mais que o Valencia no campeonato, mas vem de uma derrota por 1 a 0 para o Real Madrid e de um empate sem gols contra o Elche. As duas partidas sem balançar as redes, no entanto, tiveram contextos distintos. Fora de casa contra o Real Madrid, o time produziu pouco e ficou em 0.62 xG. Já em casa diante do Elche, acumulou 2.15 xG e 20 finalizações, parando nas defesas do goleiro rival e em gols anulados por impedimento. A capacidade criativa existe, mas faltam evidências de que ela se repita no mesmo nível fora de seus domínios. Como visitante nesta liga, o Villarreal venceu apenas 1 de 5 partidas e foi vazado em todas elas.
O técnico Inigo Perez sinalizou que pretende rodar o elenco para encarar a maratona de competições. O time marcou 3 gols contra o Liverpool, mas levou 4, e após a visita ao Mestalla terá compromissos pela Copa do Rei, liga e Champions League. Ilias Akhomach foi poupado contra o Liverpool, enquanto Juan Foyth, Alex Freeman e Ayoze Pérez entraram apenas no decorrer do jogo. Como são fortes candidatos à titularidade no Mestalla, o desgaste físico não atinge o grupo de forma homogênea. No entanto, nomes como Santi Comesaña e Sergi Cardona podem emendar mais um jogo como titulares após começarem contra Elche e Liverpool. Carlos Romero e Nicolas Pépé estão fora, enquanto Nathan Saliba ainda é dúvida.
Nos últimos 5 confrontos diretos por LaLiga, o Villarreal segue invicto, com 3 vitórias e 2 empates, tendo vencido no Mestalla na temporada passada por 2 a 0. Contudo, naquela ocasião o Valencia ainda era treinado por Corberan, e Inigo Perez também não comandava o Villarreal. O histórico serve de contexto, mas não dita as escolhas táticas de hoje. O Valencia teve 7 dias de descanso desde a última partida, contra 4 do Villarreal após a viagem à Inglaterra. Essa diferença de repouso não garante disparidade física ao longo dos 90 minutos, mas justifica atenção especial à pressão inicial que Aguirre planeja e à resposta física de Comesaña e Cardona no segundo tempo.
2. Análise dos confrontos diretos e peças-chave
No início do jogo, o duelo tático deve colocar frente a frente a marcação adiantada do Villarreal e a saída de bola do Valencia. O Villarreal costuma castigar erros dos adversários na própria área defensiva: diante de Napoli e Liverpool, Georges Mikautadze balançou as redes interceptando passes e cortes de cabeça da defesa rival. Já o Valencia, sob três técnicos diferentes, demonstrou dificuldades crônicas para acionar o meio quando pressionado. Se o Villarreal subir a marcação no instante em que Pepelu e Guido Rodríguez receberem de costas para o campo de ataque, os donos da casa podem perder a posse antes mesmo de iniciar a transição.
Aguirre, porém, tem como recurso diminuir os passes curtos por dentro. Contra o Racing Santander, Dani Raba abriu o placar aos dois minutos após lançamento longo de De Haas. Se o Valencia superar essa primeira linha com bolas esticadas, Guerra e os pontas podem atacar os espaços nas costas da zaga do Villarreal. Vale lembrar que, diante do Real Madrid fora de casa, o Villarreal cedeu chances claras a Kylian Mbappé justamente em bolas longas. O contraponto é que os atacantes do Valencia não vivem boa fase na finalização nesta temporada. Embora a bola direta ajude a escapar da pressão, ela por si só não assegura gols.
Caso o Villarreal retenha a posse por mais tempo, as investidas de Akhomach pela ponta direita e o posicionamento de Alberto Moleiro serão determinantes. Contra o Málaga, Akhomach foi ao fundo pela direita e serviu Moleiro para marcar; frente ao Levante, insistiu com sucesso no mesmo setor. No Mestalla, ele terá pela frente o lateral-esquerdo Gayà. Se Moleiro atuar centralizado, poderá receber entrelinhas, nas costas de Pepelu e Guido Rodríguez. Se cair pelo lado esquerdo, a equipe visitante deve concentrar as jogadas pelos flancos, dependendo menos da criação interior. Como as prévias divergem quanto ao papel de Moleiro, essa dinâmica só ficará evidente com a divulgação das escalações.
O ataque do Valencia pelo lado direito também promete incomodar a defesa visitante. Sergi Cardona, provável titular na lateral-esquerda na ausência de Romero, apoia constantemente o ataque. Quando ele avança, cede espaços que David Otorbi ou Dani Raba podem explorar em velocidade. Otorbi entrou no segundo tempo contra o Racing Santander para empatar a partida e também gerou perigo pelas pontas contra o Athletic Bilbao. Se iniciar como titular, enfrentará Cardona desde o apito inicial; se vier do banco, pegará o lateral rival mais desgastado no segundo tempo, após duas partidas em sequência na equipe principal. Como o fôlego real de Cardona é uma incógnita antes do jogo, a capacidade do Valencia de castigar esse corredor será fundamental.
As mexidas dos dois treinadores devem ditar os rumos do segundo tempo. Aguirre colocou atacantes em campo entre os 54 e 58 minutos nas duas partidas que comandou, e em ambas o time cresceu ofensivamente após as substituições. Já o Villarreal mostrou nesta temporada a fragilidade de sofrer gols logo após ficar em vantagem: contra o Levante, cedeu o empate um minuto após abrir o placar; diante do Deportivo La Coruña, foi vazado logo depois de fazer 2 a 1. Caso o Valencia segure o placar no primeiro tempo ou chegue ao intervalo perdendo por apenas um gol, a entrada de pontas descansados voltará a colocar a zaga do Villarreal sob forte teste.
O Villarreal também dispõe de pólvora no banco para essa mesma faixa de jogo. Ausente das prováveis escalações em dois veículos da imprensa espanhola, Mikautadze é o artilheiro da equipe no ano, com 4 gols e 2 assistências em jogos oficiais. Tani Oluwaseyi também saiu da reserva para marcar diante de Napoli e Liverpool. Se Mikautadze começar no banco, o Villarreal pode contar com Ayoze Pérez, Moleiro e Akhomach para definir as jogadas na etapa inicial e acionar novas opções de definição depois do intervalo. Se o Valencia lançar atacantes e desguarnecer a defesa, o risco de sofrer gols nos contra-ataques também aumenta. Por isso, as mexidas no segundo tempo não representam uma vantagem exclusiva do time da casa.
O Valencia precisa ter atenção redobrada ao placar do primeiro tempo. Nas 9 rodadas desta liga, jamais foi ao intervalo em vantagem, e nas 3 partidas em que foi para o vestiário perdendo, acabou derrotado em todas. É verdade que esses três reveses ocorreram antes da chegada de Aguirre; sob sua gestão, o time buscou o 2 a 2 contra o Racing Santander após estar perdendo por 2 a 1. O Villarreal também teve dificuldades em partidas que foram para o intervalo empatadas, embora essa amostragem inclua duelos de alto nível contra Liverpool, Borussia Dortmund e Real Madrid. Um empate por 0 a 0 ao final do primeiro tempo encaixa-se no padrão em que o Valencia costuma pontuar, mas o placar em branco por si só não garante que a equipe consiga conter o ímpeto dos visitantes no segundo tempo.
3. Diagnóstico final e palpite
No primeiro tempo, o cenário mais provável é de um Villarreal com mais posse de bola, adiantando suas linhas para pressionar a saída do Valencia. A equipe da casa, ainda que ensaie pressionar nos primeiros instantes, deve recuar para manter a solidez no 4-2-3-1, apostando em conduções de Guerra e lançamentos de De Haas. A marcação do Villarreal vai explorar os problemas recorrentes do Valencia com a bola no próprio campo, mas a ausência de Mikautadze entre os titulares — se confirmada — altera a qualidade de finalização dessas jogadas na etapa inicial.
O mercado de apostas pende para a vitória do Villarreal, apoiando-se na diferença de posições e gols, na invencibilidade recente no confronto direto e no volume de gols sofridos pelo Valencia na temporada. No entanto, boa parte dos gols sofridos pelo Valencia aconteceu sob gestões anteriores, e o time que o Villarreal deve mandar a campo hoje é diferente do que enfrentou o Liverpool. Além disso, a instabilidade do Villarreal para sustentar vantagens conversa diretamente com a postura do Valencia de pressionar na reta final com trocas ofensivas. Como a pontaria do ataque do Valencia ainda não inspira confiança, essa balança tende mais a equilibrar o confronto do que a resultar em uma vitória mandante.
Nosso palpite de placar exato fica entre o empate por 1 a 1 e o 0 a 0, com maior probabilidade para o 1 a 1. Imaginamos um primeiro tempo zerado, com o Villarreal podendo abrir o placar na etapa final através de seus reservas ofensivos, e o Valencia buscando o empate após Aguirre mandar Otorbi ou Luis Rioja para explorar as costas de Cardona. O Villarreal pressiona bem, mas pode sentir falta do poder de fogo de Mikautadze no início, enquanto a resposta pelas pontas do Valencia coincide com o momento em que os visitantes costumam ceder terreno. Se os atacantes que vierem do banco em ambas as equipes não estiverem com a pontaria calibrada, o 0 a 0 ganha força. Por outro lado, caso Mikautadze comece como titular e transforme erros na saída do Valencia em bola na rede logo no primeiro tempo, a leitura de um jogo travado na etapa inicial perde sustentação.