[26-27 UEL Liga Europa da UEFA Fase de liga] Análise e prognóstico: TSG 1899 Hoffenheim x Olympique Lyonnais Início da partida: 22 de outubro, às 16:00 (horário de Brasília)
TSG 1899 Hoffenheim e Olympique Lyonnais se enfrentam na SNP Arena, em Sinsheim, pela 3ª rodada da Liga Europa da UEFA Fase de liga. Vindo de duas derrotas seguidas e na zona de eliminação, o Hoffenheim precisa urgentemente dos seus primeiros pontos. Já o Lyon, embalado por duas vitórias consecutivas e ocupando a 8ª colocação, quer defender a sua vaga direta nas oitavas de final. O confronto coloca frente a frente o ímpeto ofensivo dos donos da casa e a velocidade de transição dos visitantes.
1. Panorama do jogo e momento das equipes
O Hoffenheim perdeu para o OFI Creta por 2 a 0 e para o Beşiktaş por 3 a 2, ocupando a 30ª colocação da Liga Europa. O Lyon bateu o Anderlecht por 2 a 1 e o Crystal Palace por 3 a 2, figurando no 8º lugar. Na fase de liga, os oito primeiros avançam direto para as oitavas de final, enquanto os times a partir da 25ª posição acabam eliminados. Nos campeonatos nacionais, o cenário também é bem distinto: o Hoffenheim é o 14º colocado na Bundesliga, ao passo que o Lyon lidera a Ligue 1. Contudo, não dá para avaliar a força ofensiva desta partida apenas pela tabela. Pelos números do centro de dados, o Hoffenheim marcou 17 gols em 9 jogos nesta temporada, e o Lyon fez 24 gols em 13 partidas, resultando em médias de gols parecidas. O grande diferencial está na defesa: o Hoffenheim levou 2,11 gols por partida, enquanto o Lyon sofreu apenas 1,0 por jogo.
Números desta temporada Liga Europa: Hoffenheim 2 derrotas · 2 gols marcados, 5 sofridos / Lyon 2 vitórias · 5 gols marcados, 3 sofridos Posição nas ligas nacionais: Hoffenheim 14º na Bundesliga / Lyon 1º na Ligue 1 Total em jogos oficiais: Hoffenheim 9 jogos, 3 vitórias e 6 derrotas / Lyon 13 jogos, 7 vitórias, 3 empates e 3 derrotas
O Hoffenheim encerrou uma sequência de 4 derrotas consecutivas ao vencer o Borussia Mönchengladbach fora de casa por 2 a 1. Alexander Prass foi titular pela primeira vez na temporada, atuando no meio-campo ao lado de Leon Avdullahu, e somou 1 gol e 1 assistência. De acordo com o centro de dados, a equipe limitou o índice de gols esperados (xG) do adversário a apenas 0,47. O oponente, no entanto, era o lanterna sem nenhum ponto somado antes da partida. O técnico Christian Ilzer destacou após a vitória que o time ainda precisa provar mais evolução. Ficou claro que colocar Prass no meio ajudou na ligação ofensiva, mas seria precipitado considerar que apenas aquele jogo tenha resolvido os problemas defensivos.
Os 4 jogos do Hoffenheim em casa nesta temporada terminaram todos com a equipe marcando 2 gols. A única vitória foi o 2 a 1 sobre o Stuttgart; as outras 3 partidas terminaram em derrotas por 3 a 2. Ou seja, mesmo mantendo o ataque ativo, o time levou 10 gols em 4 jogos em seu estádio. Diante do Beşiktaş, após Fisnik Asllani empatar aos 68 minutos, a equipe sofreu gols em sequência aos 72, logo após um arremesso lateral cedendo contragolpe, e aos 79, após lançamento longo com infiltração. No duelo contra o Hamburgo, a expulsão de Bernardo comprometeu o resultado, portanto nem todas as derrotas se devem exatamente às mesmas falhas. Ainda assim, é inegável que marcar gols em casa não tem sido garantia de vitória.
O Lyon tem 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas nos últimos 10 jogos oficiais. Na última partida diante do Nice, venceu por 2 a 1 mesmo trocando oito titulares em relação ao confronto contra o Crystal Palace. A equipe saiu atrás, mas buscou a virada: Pavel Šulc aproveitou o rebote do goleiro após chute de Julien Duranville, e quatro minutos depois Tanner Tessmann cabeceou para as redes após cruzamento de Saël Kumbedi (Zakarie Ateba). Por outro lado, na etapa final, o adversário acertou a trave duas vezes em cabeceios. Contra o Crystal Palace, o Lyon também abriu 2 a 0 no primeiro tempo, cedeu 2 gols na etapa final e só garantiu o 3 a 2 graças ao gol decisivo de Šulc e a defesas no fim de Dominik Greif. A sequência de vitórias dos franceses foi construída com gols rápidos e poder de finalização, mas não foram partidas em que o time conseguiu controlar as ações do oponente depois de abrir vantagem.
Para o confronto de hoje, Šulc, responsável por essas finalizações decisivas, ficou de fora da viagem por um problema no joelho. Loïs Openda, cuja grande virtude é a infiltração nas costas da zaga, também é desfalque por fratura na fíbula. O técnico Paulo Fonseca pretendia escalar Šulc, mas declarou que, com a lesão, a entrada de Rémi Himbert, de 18 anos, como titular é a melhor alternativa. Não foi divulgado se Himbert atuará centralizado no ataque ou aberto pelas pontas. Como o Lyon venceu Crystal Palace e Nice sem Openda, a ausência dele não chega a ser uma novidade recente. A função que realmente fica vaga hoje é a presença de área que Šulc vinha oferecendo para completar as jogadas que vêm pelas laterais.
O Hoffenheim também chega com desfalques: Albian Hajdari, Patrick Wimmer e Nathan De Cat estão fora. A ausência de Hajdari reduz as opções para a zaga central e para a lateral esquerda, enquanto a perda de Wimmer tira uma alternativa de velocidade do banco para o ataque. Para a lateral esquerda, as opções cogitadas são Bernardo, Mats Rots e Prass. Caso Prass seja deslocado para essa posição, o Hoffenheim perde a dupla de meio-campo que funcionou muito bem contra o Gladbach.
As duas equipes já se enfrentaram 3 vezes em competições europeias, com 3 empates e gols de ambos os lados em todas elas. O confronto mais recente foi em novembro de 2024, em Sinsheim, terminando em 2 a 2. Porém, Paulo Fonseca ainda não comandava o Lyon naquela época, e Ilzer havia acabado de assumir o Hoffenheim naquele mesmo mês. Por isso, os empates anteriores servem pouco de parâmetro para projetar o placar de hoje. Em relação ao calendário, ambos jogaram pelas ligas nacionais em 18 de outubro, mas o Lyon poupou vários titulares contra o Nice. Na sequência, o Hoffenheim terá o Leverkusen pela frente, enquanto o Lyon encara o Paris Saint-Germain. Para a hora do jogo, não há previsão de chuva ou ventos fortes, de modo que o clima não deve interferir no estilo de jogo de nenhum dos lados.
2. Análise do confronto direto
Se o Hoffenheim mantiver a posse de bola no campo ofensivo e apoiar muito com os laterais, o Lyon encontrará o cenário ideal para acelerar logo após a recuperação da bola. Em 2 partidas na Liga Europa, o Hoffenheim registrou 60,5% de posse de bola e 34 finalizações, mas apenas 8 acertaram o alvo, resultando em 2 gols. Quando o volume com bola não se converte em finalizações perigosas, a equipe precisa redobrar o cuidado com o espaço deixado atrás dos laterais. O gol sofrido em contra-ataque contra o Beşiktaş logo após o empate ilustra bem esse perigo. O técnico Ilzer, inclusive, alertou para o perigo das transições rápidas do Lyon após a roubada de bola.
O caminho mais direto para o Lyon atacar é pelo lado esquerdo da defesa do Hoffenheim. O ponta-direita Ernest Nuamah é o artilheiro do time na temporada com 5 gols, e o lateral daquele setor, Zakarie Ateba, deu a assistência para o gol da vitória de Tessmann contra o Nice. Com Nuamah cortando para dentro com a bola dominada e Ateba ultrapassando pela linha de fundo, a lateral esquerda do Hoffenheim terá de lidar com movimentações simultâneas. Bernardo já foi expulso contra o Hamburgo por dois cartões amarelos, e, caso Rots avance bastante ao ataque e perca a bola, a cobertura defensiva fica exposta. Se Prass for escalado por ali, cobre a lateral, mas faz falta no meio. É justamente sobre esse setor indefinido que incidirá o ataque pela direita do Lyon.
Mesmo que o Lyon consiga progredir pelos lados, transformar isso em gol exigirá eficiência. Com os desfalques de Openda e Šulc para receber os cruzamentos de Ateba, será preciso que Nuamah finalize direto ou que nomes da segunda linha, como Tolisso e Tessmann, cheguem à área na hora certa. O gol da vitória contra o Nice ilustra bem essa dinâmica com Tessmann. Ainda que Himbert comece jogando, falta base para garantir que ele reproduza a mesma capacidade de finalização de Šulc na pequena área. É importante separar a capacidade do Lyon de furar a marcação nas transições da probabilidade real de converter essas chances em gols.
Do outro lado, Vladimír Coufal e Bambasé Conté enfrentam Abner Vinícius na lateral esquerda do Lyon. Com Conté flutuando por dentro e Coufal dando amplitude, o trabalho defensivo de Abner será muito exigido. Keito Nakamura pode recuar para ajudar na marcação, mas, se baixar demais o bloco, a transição rápida do Lyon pela esquerda começará muito distante da meta rival. Se Abner e Ateba forem titulares novamente, será a terceira partida de ambos em um intervalo de oito dias. Conforme o Hoffenheim mexer no ataque no segundo tempo e mantiver a intensidade pelos lados, o desgaste desses dois defensores pode pesar para o Lyon segurar um eventual resultado.
O Hoffenheim conta também com o perigo da bola parada como rota direta para o gol. Nos últimos 2 jogos em casa, escanteios cobrados por Coufal originaram gol de cabeça de Koki Machida e um gol contra. O Lyon sofreu gol após escanteio contra o Crystal Palace e cedeu duas bolas na trave em cabeceios no segundo tempo contra o Nice. Por isso, mesmo que falte ao Hoffenheim o último passe nas jogadas trabalhadas, o escanteio é uma arma perigosa. Se o Lyon estiver em vantagem e recuar as linhas, a capacidade de neutralizar essa pressão final e a bola parada do time alemão será posta à prova. Fonseca reconheceu que, no segundo tempo contra o Crystal Palace, a equipe buscou apenas segurar o placar em vez de manter o controle da posse.
O posicionamento de Prass pode mexer com o volume de chances de ambos. Se ele jogar centralizado ao lado de Avdullahu, o Hoffenheim consegue sair jogando com passes curtos pelo meio, repetindo o que fez contra o Gladbach. Escapando da pressão alta do Lyon e reduzindo as perdas de posse, diminuem também os contra-ataques franceses. Por outro lado, se Prass for recuado para a lateral, a tendência é o retorno da dupla Avdullahu e Wouter Burger, como diante do Beşiktaş. Vale ressaltar que o desempenho consistente por apenas uma partida não é garantia suficiente de que Prass consiga anular totalmente a marcação do Lyon.
Na reta final da partida, as substituições dos treinadores devem definir o ritmo. Ilzer costuma mandar a campo duas peças ofensivas por volta dos 60 minutos, tendo à disposição nomes como Andrej Kramarić e Adam Hložek. Enquanto o Lyon tentar se fechar para defender uma vantagem, o Hoffenheim colocará mais gente na área buscando cruzamentos e bolas paradas. O risco para os alemães é que, se mantiverem os laterais altos demais mesmo após um eventual empate, darão o campo que Nuamah e Nakamura precisam no contragolpe. Sem Šulc, autor do gol decisivo contra o Palace, ampliar o placar também não será tarefa simples para o Lyon. Como os dois lados têm vulnerabilidades a contragolpes, dificilmente o primeiro gol resolverá o confronto.
3. Análise final e palpite
Nosso palpite de placar exato fica entre 2 a 1 para os visitantes ou empate em 1 a 1. Acreditamos que o Hoffenheim deve ter o controle da posse buscando o ataque, mas o Lyon tem boas chances de abrir o placar explorando as brechas pelo lado direito com transições velozes. O Hoffenheim pode buscar o empate apoiado na bola parada de Coufal e na pressão com as alterações do segundo tempo. Caso os donos da casa continuem avançando os laterais de forma arriscada mesmo após empatar, o Lyon tem qualidade para acertar um segundo contragolpe e definir o placar em 2 a 1. Já se Prass ditar o ritmo no meio ao lado de Avdullahu, qualificando a troca de passes e contendo os contra-ataques franceses, o cenário se aproxima bastante do 1 a 1.
Essa projeção leva em conta as circunstâncias dos dois times. O Hoffenheim marcou 2 gols em todos os seus jogos em casa nesta temporada, mas perdeu 3 de 4 partidas, e o adversário de hoje é especialista em atacar o espaço deixado após a perda da posse. O Lyon preservou titulares contra o Nice de olho nesta rodada, porém as ausências de Šulc e Openda limitam o potencial de transformar chances criadas em vários gols. A força aérea do Hoffenheim na bola parada aliada ao cansaço defensivo do Lyon no segundo tempo também pesam contra uma vitória elástica dos visitantes.
O mercado aponta favoritismo para o Hoffenheim, influenciado pela regularidade ofensiva do time em casa e pelas baixas no ataque francês. Há argumentos claros de que a capacidade de finalização do Lyon perdeu força. No entanto, os gols do Hoffenheim em seu estádio não têm sido suficientes para vencer, e os espaços cedidos na retaguarda durante a pressão casam com as melhores virtudes do contragolpe do Lyon. O ponto em que divergimos do mercado não é sobre a capacidade do Hoffenheim marcar, mas sim se a equipe terá consistência para conter a resposta do Lyon após ir às redes. Se Ilzer optar pela cautela após um eventual empate e segurar um dos laterais na base para neutralizar a segunda transição adversária, a vitória do visitante por um gol de diferença tende a se transformar em empate.