[26-27 Campeonato] Análise e Prévia: Birmingham City x Preston North End Início da partida: 13 de outubro, às 16:00 (horário de Brasília)
Birmingham City e Preston North End se enfrentam no St. Andrew's @ Knighthead Park pela 10ª rodada do Campeonato Inglês. O Birmingham City briga na parte de cima da tabela com 14 pontos, enquanto o lanterna Preston North End busca somar seus primeiros pontos sob o comando do novo treinador. A diferença na classificação é grande, mas o ponto central deste confronto é o duelo entre uma equipe que ainda não venceu em casa e outra que costuma abrir vantagem fora, mas acaba deixando a vitória escapar.
1. Panorama da partida e situação das equipes
Nesta temporada da liga: Classificação e pontos: Birmingham City 7º (14 pts) / Preston North End 24º (4 pts) Campanha em 9 jogos: Birmingham City com 3 vitórias, 5 empates e 1 derrota / Preston North End com 1 vitória, 1 empate e 7 derrotas Gols marcados e sofridos: Birmingham City 13 marcados e 11 sofridos / Preston North End 8 marcados e 16 sofridos Desempenho com o mando de campo atual: Birmingham City em casa tem 4 empates, com 7 gols marcados e 7 sofridos / Preston North End fora de casa soma 1 empate e 3 derrotas, com 4 gols marcados e 7 sofridos
Há seis equipes empatadas com os mesmos 14 pontos do Birmingham City. Em caso de vitória, o time pode subir até para a 3ª colocação, a depender dos outros resultados. O Preston North End está a 3 pontos de sair da zona de rebaixamento e disputa seu segundo jogo sob o comando de Graham Alexander. Os dois times foram a campo pela liga no dia 10 de outubro. Para Alexander, houve apenas um dia de treino para preparar esta visita.
Não dá para explicar os 4 empates do Birmingham City em casa apenas por falta de ataque. Em 3 dessas 4 partidas a equipe marcou 2 gols, mas acabou sofrendo gols em todas elas diante de sua torcida. Vale destacar também o nível dos adversários: Middlesbrough (atual 2º), Wolverhampton Wanderers (5º), Bristol City (10º) e Southampton (11º). Esta será a primeira vez na temporada em que o Birmingham recebe um adversário da parte inferior da tabela. Diferente dos jogos anteriores, em que saía atrás e precisava aumentar o volume ofensivo para buscar o empate, a tendência agora é que precise ter a posse de bola e furar a defesa fechada do Preston North End.
A vitória recente fora de casa por 1 a 0 sobre o West Bromwich Albion foi bastante positiva para o Birmingham City. Após trabalhar a manutenção de posse durante a pausa para a data FIFA, Tomoki Iwata viu seu aproveitamento de passes subir de 71% (média das 8 partidas anteriores na liga) para 86% naquele jogo. Por outro lado, das 15 finalizações da equipe, 10 vieram de bolas paradas, e o único gol saiu de pênalti. Ter mais segurança com a posse ainda não comprova a capacidade de furar uma defesa recuada com a bola rolando.
O Preston North End perdeu 5 dos seus 7 jogos por apenas um gol de diferença. Fora de casa, chegou a sair na frente contra Watford e Queens Park Rangers. O problema tem sido segurar a vantagem. Dos 11 gols sofridos nos últimos 7 jogos com horário registrado, 8 aconteceram após os 66 minutos de jogo. Contra o Watford, sofreu gols aos 69 e aos 76 minutos em jogadas criadas pelos reservas que entraram pelas alas; já contra o Queens Park Rangers, abriu 2 a 0 e cedeu o empate mesmo com o rival atuando com um a menos desde o primeiro tempo. Na estreia de Alexander, diante do Millwall, levou o gol decisivo aos 79 minutos em uma jogada de linha de fundo. A amostra para avaliar o sistema defensivo sob a nova comissão técnica ainda é de apenas um jogo.
O fato de o Preston North End criar chances em partidas onde não tem o controle da posse é relevante para esta visita. Na sua única vitória na temporada, sobre o Blackburn Rovers, a equipe teve 33% de posse; contra o Watford fora de casa, abriu o placar com 39%. A questão é que os jogadores que executavam esses contra-ataques são dúvidas. Callum Lang, artilheiro do time com 3 gols, foi substituído contra o Millwall e foi direto para o vestiário. Johnny Kenny, que marcou dois gols diante do Queens Park Rangers, aguarda resultados de exames e é dúvida seríssima. Caleb Wiley e o ala-direito Harry Clarke também não têm presença garantida. Substituir a finalização de Lang na área e a velocidade de transição de Kenny à mesma altura não é tarefa fácil.
No Birmingham City, Seung Ho Paik é desfalque. A ausência pesa menos na dupla titular do meio-campo, formada por Jhon Solís e Tomoki Iwata, e mais nas opções de substituição no segundo tempo e nas cobranças de bola parada. Max Bird e Demarai Gray estão à disposição para o decorrer da partida. O técnico Chris Davies entende que ambos poderiam começar jogando, mas ponderou que seria melhor ganharem mais ritmo antes de encararem 60 minutos em alta intensidade.
No histórico recente do confronto, o Birmingham City venceu os últimos 3 jogos. Na temporada passada, levou a melhor por 1 a 0 e 2 a 1, saindo na frente em ambas. Davies já comandava o Birmingham naquela ocasião, e atletas envolvidos nos gols daquelas vitórias, como Alex Cochrane, Phil Neumann e Jay Stansfield, continuam no elenco. O Preston North End mudou de treinador e de setor ofensivo. Por isso, mais do que o placar dos confrontos anteriores, vale prestar atenção no padrão das bolas paradas e na forma como o Birmingham controla a vantagem no placar.
2. Análise dos encaixes táticos
Davies monta sua equipe na base do 4-2-3-1. O Birmingham City busca recuperar a bola no campo de ataque para acelerar, ou trabalha com os cruzamentos de Emil Hansson pela esquerda e lances de bola parada. Alexander utilizou o 3-4-2-1 contra o Millwall e indicou a intenção de manter o esquema. Se o Preston North End se defender recuando os alas para formar uma linha de cinco, a posse de bola do Birmingham pode se estender por períodos mais longos — justamente o tipo de cenário que a equipe da casa ainda não provou dominar nesta temporada.
Pelo lado esquerdo, Hansson e Cochrane vão encarar o ala-direito do Preston. Se Clarke não puder atuar, Pol Valentín, que o substituiu no segundo tempo contra o Millwall, pode começar como titular. Caso Valentín avance para conter os cruzamentos de Hansson, Cochrane ganha espaço para ultrapassar; se ele recuar muito, o Birmingham terá tempo para girar a bola na intermediária ofensiva. Contra o Derby County, um cruzamento de Hansson encontrou Carlos Vicente para marcar de cabeça; contra o Norwich City, foi a ultrapassagem de Cochrane vindo do banco que gerou o cruzamento do ponta. Já o Preston levou gols recentes em infiltrações e cruzamentos do Watford e em passe rasteiro para trás do Millwall. Ainda que o Birmingham encontre espaço para cruzar, converter essas bolas diante de uma área povoada é outro desafio.
A reação logo após a perda da bola também será fundamental no meio-campo. Com os laterais do Birmingham adiantados, se Alfie Devine receber com campo para conduzir, o Preston North End pode atacar os espaços deixados às costas da marcação. É exatamente por isso que Davies vem insistindo na paciência para frear contragolpes. Solís e Iwata já criaram lances de gol ao desarmar o passe rival contra o Middlesbrough. Desta vez, caberá aos dois controlar as subidas de Devine na transição defensiva. Sem Kenny em campo, reduzem-se as opções de passe em velocidade para Devine, mas o risco de perdas de bola no meio ainda existe.
Na bola parada, os dois lados têm ferramentas para ameaçar. O Birmingham conta com o serviço qualificado de Hansson e Cochrane para os cabeceios de Neumann, Christoph Klarer e August Priske. Todos os gols da vitória nos 3 triunfos fora de casa envolveram disputas aéreas na área. Em contrapartida, em casa o time já sofreu dois gols em cobranças de escanteio na primeira trave. Do lado do Preston, Jordan Thompson e Devine batem bem na bola, com Andrew Hughes e Jordan Storey fortes no jogo aéreo. Sem Lang, a equipe perde um atacante que já converteu falta de cabeça. Mesmo que não fique muito com a bola, um único lance de bola parada do Preston representa perigo real ao Birmingham.
Nas mexidas da etapa final, o leque do Birmingham City é bem superior. Davies costuma mexer no ataque pelos lados entre os 55 e os 70 minutos. Contra o West Bromwich, ele lançou sucessivamente Patrick Roberts, Bird, Marvin Ducksch e Gray. Já o Preston não conseguiu sequer preencher as 9 vagas do banco diante do Millwall, e suas substituições naquela partida foram forçadas por lesão. O momento em que o Birmingham coloca peças novas e descansadas nas pontas coincide justamente com a faixa de jogo em que o Preston mais tem levado gols. Vale ponderar, no entanto, que contra os Wolves o Birmingham tocou 36 vezes na bola dentro da área rival no segundo tempo e mesmo assim não conseguiu o gol da vitória. Aumentar o volume ofensivo com as substituições é uma coisa; converter esse volume em bola na rede é outra.
3. Conclusão e palpite
A vitória do Birmingham City aparece como o desfecho mais provável. A tendência para o primeiro tempo é o Preston North End fechado em linha de cinco, com o Birmingham tentando encontrar brechas através das bolas paradas e dos cruzamentos pela esquerda. Mesmo que o primeiro gol demore, Davies tem alternativas como Roberts ou Gray no banco para mudar a dinâmica dos lados de campo. O Preston vem sofrendo gols em sequência nesse setor e nesse período do jogo, além de ter dúvidas cruciais sobre Lang e Kenny. Uma vez que o Birmingham passe à frente, a capacidade de Davies de administrar vantagens e o poder de fogo limitado do adversário tornam um triunfo por margem mínima mais provável do que um placar dilatado.
O mercado já precificou a distância entre as equipes na tabela e as baixas médicas do Preston North End, apontando o favoritismo dos mandantes. A grande chave para as apostas está no número de gols e na margem de vitória. Os empates por 2 a 2 do Birmingham em casa aconteceram após o time sair atrás contra rivais que aceleravam com qualidade, algo improvável de se repetir caso os principais nomes ofensivos do Preston fiquem de fora. Sem Lang, o poder de conclusão do Preston diminui consideravelmente, e em um cenário em que o Birmingham abra o placar tardiamente e passe a cadenciar o jogo, restará pouco tempo para construir uma goleada.
Nosso palpite fica nos placares de 1 a 0 ou 2 a 1 para os donos da casa. Caso Lang não jogue, vemos o Birmingham marcando o gol decisivo após os 60 minutos, via jogada lateral ou bola parada, segurando o 1 a 0. Se Lang for titular e ajudar o Preston a balançar as redes em uma bola parada, projetamos o Birmingham buscando a vitória por 2 a 1 com a força do seu banco de reservas. O ponto central dessa leitura é que o Birmingham consiga transformar ao menos uma das chances que fatalmente criará no segundo tempo em gol; se a linha de cinco do Preston resistir impecável pelo alto até o fim, um 0 a 0 não pode ser totalmente descartado.