[26-27 UCL Liga dos Campeões] Análise e prévia: Internazionale x Club Brugge Início da partida: 13 de outubro, às 16:00 (horário de Brasília)
A Internazionale e o Club Brugge se enfrentam no Estádio Giuseppe Meazza pela 2ª rodada da Liga dos Campeões da UEFA Fase de liga, no dia 13 de outubro, às 16:00 (horário de Brasília). Campeões de suas respectivas ligas nacionais, as duas equipes foram derrotadas na estreia. Neste primeiro confronto oficial entre elas, tão importante quanto a força ofensiva da Inter será a capacidade do Club Brugge de suportar essa pressão e também balançar as redes.
1. Visão geral da partida e momento das equipes
A Internazionale perdeu fora de casa para o Real Madrid por 2 a 1, enquanto o Club Brugge foi derrotado em casa pelo Aston Villa por 3 a 2. Ambas somam zero ponto, mas a pressão sobre cada lado é distinta. A Inter vem de três derrotas seguidas na Liga dos Campeões, contando desde os playoffs da temporada passada. O técnico Cristian Chivu declarou que o time precisa somar o máximo de pontos nas rodadas restantes para buscar uma vaga direta no G-8. O técnico Ivan Leko também afirmou que pretende sair com um resultado positivo de San Siro, mas admitiu que, se for difícil assumir o controle do jogo como visitante, poderá atuar de forma pragmática em função do placar.
Retrospecto oficial nesta temporada Campanha: Internazionale 7 jogos, 5V 1E 1D / Club Brugge 9 jogos, 7V 2D Gols marcados e sofridos: Internazionale 19 marcados e 10 sofridos / Club Brugge 21 marcados e 7 sofridos Último jogo: Internazionale 3 x 0 Parma / Club Brugge 4 x 1 RAAL La Louvière
Pelos dados da temporada, os dois times começaram bem. A Inter divide a liderança da Serie A com 5 vitórias e 1 empate em 6 jogos, enquanto o Club Brugge é o vice-líder da liga belga com 7 vitórias e 1 derrota em 8 rodadas. No entanto, o nível dos adversários e a quantidade de partidas em cada liga são diferentes, de modo que os números de gols por si só não definem o favoritismo para hoje. A Inter venceu as 4 partidas em casa nesta temporada, marcando pelo menos 3 gols em cada uma. Em compensação, contra o Napoli e a Udinese, sofreu 2 ou mais gols. O domínio como mandante tem dependido mais do ataque produtivo do que de uma defesa sólida que termine os jogos sem sofrer gols.
As oscilações recentes da Inter ficam mais evidentes nos gols sofridos do que nos resultados em si. Em setembro, da partida contra o Napoli até o confronto com a Roma, a equipe saiu perdendo por 2 gols de desvantagem em 4 jogos oficiais consecutivos. Quando perde a bola na construção pelo meio ou na saída lá de trás, o adversário finaliza antes da recomposição defensiva, além de o time ceder espaço nas infiltrações pelo lado oposto da grande área. A Inter conseguiu virar contra Napoli e Udinese e buscou o empate com a Roma. Mostrou poder de reação, mas, se precisar correr atrás do placar novamente hoje, a vitória fica longe de estar garantida.
A vitória por 3 a 0 sobre o Parma, na última rodada, encerrou essa sequência de gols sofridos. Petar Sučić pressionou a saída curta do goleiro, roubou a bola e abriu o placar, enquanto Thuram aproveitou o espaço deixado pelo avanço da linha adversária para marcar. Como o Club Brugge também gosta de construir curto desde a defesa, esse é um cenário que a Inter pode tentar explorar. Contudo, contra o Parma, Manuel Akanji e Alessandro Bastoni — cotados para retornar ao time titular hoje — foram poupados. Portanto, não dá para afirmar que apenas um jogo sem sofrer gols tenha resolvido as vulnerabilidades da dupla titular de zaga.
O Club Brugge embalou 3 vitórias seguidas na liga nacional após a derrota para o Aston Villa. Nesse período, as cobranças de falta e escanteio de Joaquin Seys geraram gols de cabeça. Hugo Vetlesen e Jan Virgili também participaram diretamente de gols nas jogadas pelas pontas. Esses caminhos continuam válidos mesmo fora de casa, em San Siro, onde o time deve ter menos posse de bola. Por outro lado, diante do Aston Villa, a equipe teve 59% de posse no primeiro tempo e mesmo assim levou 3 gols. Teve problemas para lidar com bolas lançadas nas costas da defesa e infiltrações de atacantes entre os zagueiros. O baixo número de gols sofridos no Campeonato Belga dificilmente se mantém contra potências europeias.
Chivu mantém a estrutura no 3-5-2 promovendo rodízio de peças e costuma mexer no setor ofensivo com várias substituições por volta dos 60 minutos. Diante do Parma, Barella, Bastoni, Akanji, Lautaro Martínez e Zieliński começaram no banco, e a expectativa é de que os cinco voltem ao time titular nesta partida. Curtis Jones e John Stones continuam fora por lesão, mas o meio-campo e o trio de zaga prováveis já atuam juntos desde o início da temporada. Segundo Chivu, Çalhanoğlu também está liberado para jogar após se recuperar de uma pancada no joelho.
No Club Brugge, o zagueiro Joel Ordóñez desfalca a equipe com um problema no pé. Brandon Mechele e Han-Beom Lee devem formar a zaga central. No ataque, a grande dúvida é Carlos Forbs na ponta direita. Ele foi substituído na rodada passada por um desconforto na parte superior da coxa, participou de parte dos treinos e viajou com a delegação para Milão. Sua presença entre os titulares e os minutos que aguentará em campo ainda são incertos. Trata-se de um jogador que Leko destacou por sua velocidade e capacidade no um contra um, admitindo não ter um substituto natural com as mesmas características. Se Forbs não puder atuar, o treinador pode deslocar Vetlesen para a direita ou utilizar Félix Lemaréchal, mas a profundidade para atacar diretamente as costas da defesa da Inter muda de figura.
As duas equipes nunca se enfrentaram em jogos oficiais, o que impede comparações diretas de retrospecto. Ainda assim, partidas contra adversários fortes da Europa sob o comando dos mesmos técnicos oferecem bons parâmetros. A Inter de Chivu, ao perder por 2 a 1 para o Bodø/Glimt em San Siro na última temporada, finalizou 30 vezes, mas sofreu gols em perdas na transição e contra-ataques. Já o Club Brugge de Leko marcou em dois confrontos com o Atlético de Madrid e também contra o Aston Villa nesta temporada, mas levou 3 ou mais gols em todos eles. Embora peças do setor defensivo do Club Brugge tenham mudado de lá para cá, impedindo dizer que o mesmo número de gols vai se repetir, o desafio de conter as infiltrações nas costas da linha de defesa continua posto.
Ambos os times entraram em campo pela liga nacional no dia 10 de outubro. A Inter terá pela frente jogos pesados na sequência, visitando o Bologna e depois enfrentando o Shakhtar Donetsk, mas Chivu já dosou a minutagem dos titulares contra o Parma. Assim, o desgaste da tabela tende a influenciar mais o momento das substituições ao longo da partida do que a escalação inicial.
2. Análise do confronto tático
A decisão mais importante para o Club Brugge será como iniciar a construção desde trás. O time de Leko costuma ter posse alta e trocar muitos passes na liga local, saindo curto a partir do goleiro. A Inter pode subir a marcação para pressionar esse primeiro passe e recuperar a bola no campo de ataque, assim como fez diante do Parma. Se o Brugge tentar fugir da pressão com bolas longas, o centroavante Nicolò Tresoldi terá que disputar essas jogadas contra os 3 zagueiros da Inter. Manter a saída curta dá chances de superar a primeira linha de pressão, mas envolve o risco considerável de perder a bola perto da própria área.
Por sua vez, a forma como o Club Brugge pressionar a saída da Inter também terá seu preço. Se Tresoldi e Hans Vanaken subirem o bloco, a Inter consegue rodar a bola com seus 3 zagueiros e Çalhanoğlu. Caso os pontas do Club Brugge também apertem, abrem-se corredores para o avanço dos alas Dimarco e Diouf. Com os laterais adversários saindo para caçar essas subidas, Lautaro Martínez e Thuram encontram espaço para infiltrações entre os zagueiros ou nas costas dos laterais. É um desenho que remete diretamente aos lances em que o Aston Villa infiltrou seus atacantes pelo miolo de zaga do Club Brugge para construir seus gols.
Se Leko optar por recuar as linhas, o espaço de penetração da dupla de ataque da Inter diminui. Nesse caso, a Inter precisará encarar uma defesa compacta por meio dos cruzamentos e movimentações de Dimarco, das batidas de Çalhanoğlu e dos arremates da entrada da área. Vale lembrar que volume de finalizações nem sempre vira bola na rede: contra o Cagliari, a Inter chutou 29 vezes e marcou apenas 1 gol; contra o Bodø/Glimt, foram 30 finalizações para o mesmo único gol. Um bloco baixo pode reduzir os riscos defensivos do Club Brugge, mas também distancia a recuperação da bola do gol adversário. A postura mais conservadora que Leko indicou adotar, caso não consiga mandar no jogo, traz impactos diretos tanto para a defesa quanto para o ataque.
Ao recuperar a bola em posições recuadas, a condição física de Forbs passa a ser decisiva. Se ele estiver em condições normais pela direita, pode explorar os espaços deixados pelas subidas de Dimarco ou partir para o duelo individual. Sem Forbs, a velocidade do contragolpe pela direita cai, concentrando o peso ofensivo na esquerda, com Virgili e Seys. Contra o Aston Villa, Virgili superou Wan-Bissaka e deu um passe rasteiro para o gol de Vetlesen. Com o ala direito Diouf avançado, Bisseck terá que dobrar a atenção no mano a mano contra Virgili e nas chegadas de Seys no apoio.
A bola parada é outra arma fundamental para os visitantes. Na partida recente contra o Genk, uma falta batida por Seys resultou no gol de cabeça de Han-Beom Lee, e um escanteio gerou o gol de cabeça de Mechele. O primeiro gol diante do La Louvière também nasceu de uma cobrança de falta de Seys. A Inter, por sua vez, cedeu cabeceio livre após escanteio contra a Udinese e permitiu finalizações claríssimas em lances de tiro de canto diante de Napoli e Roma. Mesmo que Forbs não atue, a batida calibrada de Seys e a presença física na área continuam presentes. Do lado mandante, a Inter também tem armas aéreas no trio de zaga e em Thuram para aproveitar as cobranças de Çalhanoğlu e Dimarco, sendo um recurso valioso caso o Club Brugge se feche.
Com o passar dos minutos, a profundidade do banco de reservas deve pesar. Na atual temporada, a Inter tem 7 gols marcados e 7 sofridos nas etapas iniciais, enquanto no segundo tempo registra 12 gols marcados e apenas 3 sofridos em 7 jogos oficiais. O Club Brugge, por outro lado, marcou no primeiro tempo em todas as 9 partidas oficiais que disputou. Os números mostram que o time belga pode incomodar logo cedo, embora a grande maioria desses gols tenha sido anotada no campeonato local. Na segunda etapa, Chivu tem à disposição nomes como Francesco Pio Esposito, Bonny, Sučić e Carlos Augusto para manter o ritmo ofensivo. Mesmo que o Club Brugge saia na frente, terá que suportar essa pressão na reta final para segurar qualquer pontuação.
3. Palpite e conclusão
Vemos maior probabilidade de vitória da Internazionale. Se o Club Brugge mantiver a linha alta e a saída curta desde a defesa, a Inter tem capacidade de abrir o placar roubando bolas na pressão ou com infiltrações da dupla de ataque. Caso Leko abaixe o bloco, a equipe italiana ainda conta com cruzamentos laterais e lances de bola parada. O retorno provável dos titulares poupados contra o Parma e o fôlego ofensivo que Chivu pode acionar no segundo tempo sustentam a expectativa de que a Inter construa uma vantagem sólida, mesmo que o Club Brugge consiga marcar seu gol.
O mercado aponta amplo favoritismo aos mandantes, amparado no poderio ofensivo da Inter em casa, no retorno das peças principais, no retrospecto de muitos gols sofridos pelo Club Brugge no cenário europeu e nas dúvidas físicas sobre Forbs. Concordamos com a direção do resultado, mas vemos uma chance maior de os visitantes balançarem as redes. Independentemente da presença de Forbs, o Club Brugge mantém a qualidade na bola parada de Seys e a força do corredor esquerdo com Virgili, enquanto a Inter tem vacilado na defesa de escanteios nesta temporada.
Nosso palpite de placar exato fica em 3 a 1 ou 4 a 1 a favor dos donos da casa. Esperamos um cenário em que a Inter tome a frente aproveitando a pressão na saída adversária ou as infiltrações dos atacantes, com o Club Brugge marcando em bola parada ou jogada pelo lado esquerdo. Na sequência, a Inter tende a ampliar usando os reservas para desgastar o adversário. No entanto, se o time mandante repetir os apagões de setembro e ceder 2 gols logo no início por erros na transição, essa projeção de margem elástica dificilmente se sustentará.