Dois jogos em que o encaixe tático pesa mais do que os nomes. No Brasil, um confronto direto contra o rebaixamento coloca um mandante que gosta de ficar com a bola contra um visitante que abriu mão da posse — e esse visitante acabou de perder os dois jogadores que faziam esse plano funcionar. Em Osaka, um mandante que quase não sofreu gols no seu estádio encara um Kawasaki que marca a maioria dos seus gols em casa, e não fora. Ambas as partidas parecem desenhadas para serem decididas pela consistência estrutural de um dos lados, e não por uma trocação franca.
Mirassol x Internacional. O Mirassol está em 15º e o Inter em 17º, um ponto atrás, o que faz deste duelo uma briga direta contra a degola. Eduardo Baptista esteve à frente do Inter em dois jogos, e os dois tiveram a mesma cara: linha de três zagueiros com pouquíssima posse de bola (28% e 33%), suportando 22 e 12 finalizações e vivendo de escapadas rápidas. Alan Patrick era o ponto de referência desses contragolpes. Ele deu a assistência para o gol de Vitinho no primeiro minuto contra o Corinthians e marcou o da vitória.
Agora Alan Patrick está fora após ser substituído no intervalo do Gre-Nal — e, depois da saída dele naquele jogo, o Inter praticamente não criou nada no segundo tempo. O Colorado também vai para o jogo com seu terceiro goleiro, Matheus Cunha, que não atua desde meados de setembro, atrás de uma zaga sem Maripán. Em casa, o Mirassol costuma controlar a posse (76% de posse e 12 escanteios contra o Vitória), e seus pontas abertos devem prender os alas do Inter, insistindo nos cruzamentos e disputas de segunda bola contra um goleiro sem ritmo.
O Mirassol não é um time refinado. Seus primeiros tempos costumam ser discretos, e a equipe já sofreu gols em jogadas diretas, com Vitinho ainda sendo uma ameaça nos contra-ataques. Os gols do time mandante costumam sair no final, após as mexidas de Mozart por volta de uma hora de jogo. O empate é um resultado bem plausível para uma partida tão tensa. Mas, com o contragolpe do Inter sem o seu passador principal e um goleiro reserva sob pressão constante, quem tem mais probabilidade de achar a vitória é a equipe da casa. Por isso, fico com o Mirassol.
Cerezo Osaka x Kawasaki Frontale. Sob o comando de Machín, o Cerezo vence em casa sendo muito difícil de ser vazado: sofreu apenas um gol em cinco jogos da liga no seu estádio, passando inclusive sem levar gols do Marinos. O ataque do Cerezo em casa tem volume, mas peca na pontaria, o que deixa suas partidas em seus domínios sempre equilibradas. O Kawasaki é um time mais aberto no geral, mas fora de casa seus quatro jogos de liga renderam só oito gols no total.
As opções do Kawasaki são escassas. Miyagi e Konno estão fora, Romanic dificilmente joga e dois zagueiros estão machucados, deixando Maruyama e Yamahara encarregados da zaga após atuarem 90 minutos no meio de semana, com apenas dois dias para descansar. O Cerezo poupou a maioria dos seus titulares na copa e chega mais inteiro fisicamente, indicando um jogo compacto, decidido em transições e bolas paradas, e não em uma partida aberta.
O roteiro mais provável é um primeiro tempo cauteloso, com o Kawasaki rodando a bola diante de um bloco defensivo bem postado do mandante, e uma bola parada ou um contra-ataque tardio do Cerezo fazendo a diferença. Uma vitória pela margem mínima para qualquer um dos lados se encaixa nesse cenário. Por isso, fico com o mercado de poucos gols em Osaka.