[26-27 Serie A (Itália)] Prévia de análise: Udinese x Milan Início da partida: 25 de outubro de 2026, às 16:45 (horário de Brasília)
Udinese e Milan se enfrentam pela 8ª rodada da Serie A no Bluenergy Stadium, em Udine, neste domingo, 25 de outubro, às 16:45 (horário de Brasília). Com cinco derrotas seguidas no campeonato, a Udinese tem a mesma pontuação das equipes da zona de rebaixamento, enquanto o Milan segue invicto na liga. No entanto, o Milan volta a jogar fora de casa apenas três dias após atuar por bastante tempo com 10 jogadores na visita ao Bournemouth, e ainda sem seis titulares.
1. Visão geral da partida e momento das equipes
A Udinese ocupa a 16ª posição com 4 pontos, somando 1 vitória, 1 empate e 5 derrotas em 7 rodadas. Empatada em pontos com Genoa, Fiorentina e Parma, a equipe precisa encerrar essa sequência negativa. Após a derrota por 3 a 0 para o Lecce, surgiram notícias sobre a permanência do técnico Kosta Runjaic. Ele admitiu estar sob pressão, mas afirmou que a diretoria está satisfeita com seu trabalho. O elenco descansou durante sete dias após o tropeço contra o Lecce e fez uma preparação concentrada para enfrentar o Milan.
O Milan está em 5º lugar com 15 pontos, acumulando 4 vitórias e 3 empates em 7 partidas pela liga. Venceu os 3 jogos que disputou em casa, mas fora tem 1 vitória e 3 empates. Nos 3 jogos como visitante em que o índice de gols esperados (xG) foi calculado, criou chances iguais ou inferiores às dos adversários. Além disso, não marcou nenhum gol no primeiro tempo nas 4 rodadas fora de casa — todos os seus 6 gols como visitante saíram na etapa final. Assim, apenas pelo fato de estar invicto, não dá para projetar que o time vá se impor desde os minutos iniciais nesta viagem.
Sete rodadas da liga Posição e pontos: Udinese 16ª (4 pts) / Milan 5º (15 pts) Campanha: Udinese 1V-1E-5D / Milan 4V-3E-0D Gols marcados e sofridos: Udinese 9 e 16 / Milan 14 e 7 No mesmo mando desta partida: Udinese em casa com 1E-3D e 2 gols marcados / Milan fora de casa com 1V-3E e 6 gols marcados
As cinco derrotas seguidas da Udinese tiveram enredos diferentes. Contra Lazio e Inter de Milão, a equipe chegou a sair na frente; diante do Cagliari, finalizou 26 vezes e acumulou 2.13 de gols esperados, mas ainda assim saiu derrotada. Em contrapartida, nas últimas apresentações contra Torino e Lecce, o xG foi de modestos 0.70 e 0.55, permitindo 2.42 e 3.40 de xG aos rivais. O problema atual é que um time que vinha desperdiçando pontos agora também perdeu a capacidade de criar jogadas perigosas. Diante do Lecce, sofreu dois gols em cobranças de escanteio antes do intervalo e, ao adiantar as linhas, cedeu sucessivos contra-ataques.
A Udinese utiliza basicamente o 3-4-2-1 armado por Kosta Runjaic. Na fase defensiva, os alas recuam para formar uma linha próxima ao 5-4-1 e, ao recuperar a bola, a primeira opção de ligação costuma ser Keinan Davis, que soma 1 gol e 3 assistências nesta temporada. Na partida contra a Inter, James Abankwah abriu o placar de cabeça aos 9 minutos após cruzamento de Unai Gómez, e aos 16 Jürgen Ekkelenkamp ampliou servido por Davis. No entanto, a Udinese perdeu a posse por prender a bola demais no próprio campo, permitindo a virada da Inter. Embora a transição com Davis seja uma via clara de ataque, a retenção de bola na saída defensiva ainda traz riscos consideráveis de sofrer gols.
Os desfalques no ataque limitam as alternativas da Udinese para o segundo tempo. Sem Idrissa Gueye e Vakoun Issouf Bayo, Runjaic perde peças que costumava acionar quando estava atrás no placar. Nicolò Zaniolo se recuperou de um problema muscular e foi relacionado, mas não começa jogando e terá seus minutos dosados. Na linha de três zagueiros, a presença de Oumar Solet é dúvida; se ele não atuar, a tendência é que Christian Kabasele assuma o centro da defesa. Por outro lado, James Abankwah deve retornar, o que ajuda tanto no setor defensivo quanto na bola parada ofensiva.
No Milan, o técnico Ruben Amorim vem alternando entre esquemas com três e quatro defensores de acordo com o adversário e as opções disponíveis. Desta vez, mais do que a estrutura tática, a questão principal é quem pisará na área adversária. Adrien Rabiot vinha subindo pelo meio para apoiar Gonçalo Ramos e finalizar, enquanto Diego Moreira atacava pela esquerda com passes verticais e infiltrações. Além dos dois, estão fora Mario Gila Fuentes, Matteo Gabbia, Samuel Chukwueze e Alexis Saelemaekers. Fikayo Tomori deve suprir uma das vagas na defesa, mas disputou apenas 145 minutos nesta temporada e pode atuar como lateral-direito ou zagueiro pelo lado direito, dependendo da formação inicial.
O Milan ainda conta com a qualidade nos passes e na bola parada de Luka Modrić, a agressividade em profundidade de Christian Pulisic e o momento de Alphadjo Cissè, autor de 5 gols em partidas oficiais na temporada. Ramos voltou a treinar com o grupo e surge como opção para comandar o ataque titular. A suspensão de Mike Maignan pela expulsão contra o Bournemouth se aplica apenas às competições europeias, de modo que ele pode jogar diante da Udinese. Vale lembrar, porém, que o Milan atuou quase 70 minutos com um jogador a menos na Inglaterra. Vários titulares daquela partida devem começar novamente agora. Com compromissos pesados na sequência contra Bologna e o clássico contra a Inter, as substituições no segundo tempo ganham peso redobrado.
Os confrontos diretos recentes trazem sinais de alerta para ambos os lados. Em abril, no San Siro, a Udinese venceu por 3 a 0 explorando contra-ataques após perdas de posse do Milan no campo ofensivo. Já em setembro do ano passado, em Udine, o cenário se inverteu: a Udinese se complicou na saída de bola e perdeu por 3 a 0 para o Milan. Naquele duelo de abril, Amorim ainda não comandava os rossoneri, e Zaniolo, que liderou os contra-ataques da Udinese na ocasião, agora não começa jogando. Mais do que olhar apenas o placar anterior, é preciso observar qual equipe cedeu mais oportunidades ao adversário após erros de posse.
2. Análise do confronto
A tendência é que o Milan fique mais com a bola e a Udinese baixe suas linhas. O próprio Runjaic já adiantou que espera um volume maior de posse do adversário e destacou que seus comandados terão muito trabalho sem a bola. Se a Udinese fechar a entrada da grande área em um 5-4-1, o Milan poderá até fazer a bola avançar por meio de Modrić, mas precisará que outros jogadores ocupem os espaços que Rabiot e Moreira atacavam pelo meio e pela esquerda. Pulisic e Cissè são capazes de romper em velocidade ou cortar das pontas para o meio para finalizar, mas, contra um adversário recuado, o espaço para essas infiltrações fica bem mais reduzido.
A resposta da Udinese dependerá de Davis conseguir reter essa primeira bola. Quando ele protege de costas e distribui, Jürgen Ekkelenkamp e Hassane Kamara ganham tempo para se projetar ao ataque. Se o Milan errar na circulação intermediária, os defensores da retaguarda terão que travar imediatamente as investidas de Davis e as aproximações em torno dele. Por outro lado, caso os passes para Davis sejam interceptados, a Udinese precisará recompor seus alas às pressas para recompor a defesa. O lance contra a Inter, em que lançamentos longos não conectaram e abriram caminho para a pressão rival, escancara o risco dessa proposta.
O setor esquerdo da Udinese, onde atua Kamara, é justamente onde as baixas do Milan pesam de forma direta. Sem Chukwueze e Saelemaekers, o time visitante pode armar a lateral direita com Tomori ou improvisar Omari Giraud-Hutchinson como ala. Quando Kamara recupera a posse e arranca, essa nova dupla terá que contê-lo. Por sua vez, se o lateral da Udinese perder a bola adiantado, abrirá espaço nas costas da defesa para as arrancadas de Pulisic e Cissè. A efetividade de cada lado não dependerá apenas da velocidade pelos flancos, mas também de Davis segurar a bola na frente e de o Milan concluir seus passes para frente em segurança.
Na segunda etapa, as opções no banco devem ditar o ritmo da partida. Fora de casa, Amorim costuma ajustar o desenho tático ou fazer trocas no intervalo para buscar os gols no segundo tempo. Contra o Sassuolo, a entrada de Modrić destravou o jogo, com Moreira ganhando a linha pela esquerda e Rabiot pisando na área para participar do gol de abertura. Agora, esses dois protagonistas estarão ausentes. Por isso, se o Milan não conseguir furar o bloqueio da Udinese nos primeiros 45 minutos, nada garante que encontrará a mesma solução depois do intervalo. A Udinese também sofre sem Gueye e Bayo, com pouca margem para mudar o estilo caso a referência de Davis seja neutralizada ou o time saia atrás. Zaniolo pode entrar, mas sem ritmo para atuar por muito tempo.
A bola parada pode ser a chave para desatar um jogo travado. A Udinese levou dois gols de escanteio contra o Lecce e também saiu atrás contra o Torino em jogada semelhante. O Milan tem o cruzamento refinado de Modrić e a presença aérea de Strahinja Pavlović, Koni De Winter e Tomori. No entanto, não terá Rabiot nem Gila, que participaram diretamente do gol de escanteio contra a Atalanta. Na Udinese, o retorno de Abankwah, autor de gol de cabeça após bola parada diante da Inter, reforça o jogo aéreo. Como o Milan também cedeu o empate em lances de bola parada depois de abrir o placar fora de casa contra Juventus e Sassuolo, precisará de concentração máxima mesmo se estiver na frente.
Depois que o primeiro gol sair, a postura do time em desvantagem será determinante. Se a Udinese for vazada primeiro, precisará soltar seus alas e meio-campistas com carência de atacantes reservas, correndo o risco de deixar o campo aberto para Pulisic e Cissè, tal como ocorreu frente ao Lecce. Caso o Milan sofra o primeiro gol, terá que furar uma defesa muito fechada sem Rabiot e Moreira, embora ainda tenha a visão de Modrić e o poder de fogo de Pulisic, Cissè e Ramos. Qualquer que seja o lado a inaugurar o marcador, o cenário segue aberto para novos gols, e dificilmente o primeiro tento definirá o resultado de forma antecipada.
3. Palpite e conclusão
O placar previsto por nós é 1 a 1, considerando o mando da Udinese. No primeiro tempo, a expectativa é de raras chances claras, com o Milan retendo a bola e a Udinese protegendo a entrada da área em 5-4-1. Na etapa complementar, o cenário mais plausível aponta o Milan abrindo o placar, aproveitando uma falha na saída defensiva da Udinese ou a precisão de Modrić na bola parada. Depois, a Udinese pode buscar o empate com a intensidade de Zaniolo ou a força aérea de Abankwah, mas achamos improvável que qualquer uma das equipes consiga anotar um segundo gol.
O Milan tem construído suas vitórias fora de casa na base de mudanças ofensivas no segundo tempo, sem marcar antes do intervalo, mas desta vez não terá Rabiot e Moreira para executar essa rotação. A Udinese, por sua vez, pode machucar se ceder a posse e acelerar em transições com Davis. Além disso, os defensores do Milan, que jogaram quase todo o duelo contra o Bournemouth com um a menos, terão que suportar esse contragolpe e a bola parada no fim, lembrando que a equipe já vacilou e tomou empates nas visitas a Juventus e Sassuolo após sair na frente.
O mercado aponta um favoritismo claro para o Milan, respaldado pela invencibilidade na liga, pela fase ruim da Udinese com cinco derrotas seguidas e pelo talento individual dos jogadores disponíveis. A qualidade do time titular justifica parte desse peso, mas as ausências de Rabiot e Moreira reduzem a presença dentro da área e as cartadas do banco para a reta final, de modo que ampliar a vantagem para fechar a partida não será simples. O único cenário que mudaria essa perspectiva seria um gol precoce da Udinese: se os mandantes sofrerem um gol antes dos 30 minutos em escanteio ou erro na saída de bola, terão que sair para o jogo sem opções ofensivas no banco, deixando a retaguarda exposta para o Milan construir um placar mais elástico.