[Liga dos Campeões da UEFA Fase de liga 2026-27] Análise e palpite: Internazionale de Milão x Shakhtar Donetsk Início da partida: 21 de outubro, às 16h (horário de Brasília)
Internazionale de Milão e Shakhtar Donetsk se enfrentam no Estádio Giuseppe Meazza, pela 3ª rodada da fase de liga da Liga dos Campeões da UEFA 2026-27. A Inter divide a liderança da Serie A, mas ainda não pontuou na competição europeia, com duas derrotas. Diante do Shakhtar, que soma quatro pontos, a questão é se a Inter conseguirá comandar o ataque e controlar os riscos defensivos que apareceram nas últimas partidas europeias.
1. Panorama da partida e das equipes
A Inter perdeu por 2 a 1 para o Real Madrid fora de casa e por 4 a 3 para o Club Brugge em Milão. Ainda terá pela frente as visitas a Borussia Dortmund e Liverpool na fase de liga, por isso pontuar em casa agora é importante. Já o Shakhtar empatou por 1 a 1 com o PSV fora e venceu o AEK Atenas por 3 a 1. As duas equipes lideram seus campeonatos nacionais, mas começaram a Champions de formas bem diferentes.
Equipe Internazionale de Milão: 2 jogos na Champions, 2 derrotas, 4 gols marcados e 6 sofridos / Serie A: 7 jogos, 6 vitórias e 1 empate, 19 pontos Shakhtar Donetsk: 2 jogos na Champions, 1 vitória e 1 empate, 4 gols marcados e 2 sofridos / Campeonato Ucraniano: 9 jogos, 8 vitórias e 1 derrota, 20 gols marcados e 4 sofridos
As duas derrotas europeias da Inter não foram por falta de produção ofensiva. Contra o Real Madrid, a equipe finalizou 20 vezes, mas sofreu o primeiro gol depois de perder a bola no próprio campo. O goleiro Josep Martínez também foi pressionado, perdeu a posse e acabou sofrendo mais um gol. Diante do Brugge, a Inter chutou 30 vezes, mas não conseguiu conter um contra-ataque logo após um escanteio a seu favor nem uma ligação longa do adversário. Nos últimos quatro jogos, aqueles com xG compilado pelo Data Center, a Inter registrou pelo menos 2,42 de xG em cada um. A capacidade de criar chances continua presente, mas a zona do campo em que a equipe perde a bola durante o ataque mudou o resultado das partidas europeias.
O técnico Chivu mantém o 3-5-2 e ajusta a equipe com mudanças na escalação e nas substituições. Nos nove jogos oficiais desta temporada, a Inter marcou 9 gols e sofreu 9 no primeiro tempo; no segundo, marcou 16 e sofreu 6. Na última partida, fora contra o Bologna, saiu atrás, mas venceu por 3 a 1 com a contribuição de jogadores que entraram no segundo tempo. Ainda assim, não dá para contar sempre com uma reação depois do intervalo. Contra o Brugge, a Inter foi para o descanso empatando por 1 a 1 e sofreu três gols no segundo tempo.
O ataque terá uma baixa importante: Lautaro Martínez, artilheiro da equipe, ficará fora por uma lesão nos flexores da coxa esquerda. Além dos gols, ele também participa das jogadas pelo lado direito, levando a bola rasteira para o meio. Thuram deve ser a referência no ataque, com Bonny como provável titular ao seu lado. Nesta temporada, Bonny entrou como substituto nos oito jogos da Inter e marcou três gols em 171 minutos, mas ainda não tem experiência como titular por um período longo. Pavard também está fora, e Bisseck deve cobrir o lado direito da zaga. No gol, a decisão deve ficar entre manter Josep Martínez como titular ou escalar Provedel. Se Provedel jogar, será sua primeira partida oficial na temporada.
O desempenho do Shakhtar no campeonato nacional não deve ser confundido com o que a equipe vem mostrando na Europa. Segundo números publicados pela edição italiana da Eurosport, o time teve 65% de posse de bola no Campeonato Ucraniano e 50% nos dois jogos da Champions; o xG por partida foi de 1,98 e 0,94, respectivamente. O técnico Turan manteve as linhas próximas no 4-1-4-1 contra o PSV para responder aos ataques do adversário. O gol do Shakhtar saiu quando o PSV perdeu a bola perto do meio-campo: Isaque tocou para Gleiker Mendoza pela esquerda, e Mendoza avançou para dentro antes de finalizar. Contra o AEK, o Shakhtar sofreu primeiro, mas empatou em uma cobrança de pênalti. No fim do segundo tempo, Vinícius Tobias cruzou pela direita para virar o jogo, e Mendoza, que havia entrado como substituto, marcou mais um. O Shakhtar encontrou formas diferentes de marcar nos dois jogos europeus, embora tenha criado menos chances do que no campeonato nacional.
O retrospecto nos confrontos europeus favorece a Inter, com 3 vitórias e 4 empates em 7 jogos. Mas o goleiro do Shakhtar que enfrentou a pressão da Inter na semifinal da Liga Europa de 2020 e os técnicos das duas equipes já são outros. Lautaro Martínez, que marcou o primeiro gol naquela ocasião, também não estará em campo desta vez. Mais do que a invencibilidade histórica, importa como o Shakhtar vai lidar com a pressão da Inter ao sair jogando desde a defesa.
O intervalo entre os jogos é parecido, mas a viagem foi diferente. A Inter voltou a Milão depois da partida fora contra o Bologna. Já o Shakhtar jogou contra o Kolos em Lviv e depois seguiu de ônibus até a Polônia, de onde voou para Milão. É difícil afirmar se a viagem longa vai pesar no segundo tempo. Turan mudou o meio-campo e a defesa contra o Kolos, e o Shakhtar marcou ou resistiu à pressão adversária no segundo tempo dos dois jogos europeus anteriores.
2. Análise do confronto
No começo da partida, a saída de bola do Shakhtar vai enfrentar a pressão alta da Inter. O técnico Turan disse que não pretende se limitar a defender e que quer manter o próprio estilo contra a Inter. Como aconteceu fora contra o PSV, mesmo mantendo as linhas compactas, o Shakhtar deve tentar avançar pelos lados quando recuperar a bola. Quando o goleiro e os zagueiros do Shakhtar trocarem passes curtos, a Inter deve adiantar seus dois atacantes e meio-campistas para tentar roubar a bola no campo adversário. O Shakhtar sofreu um gol contra o Kolos depois de perder a posse no meio-campo, o que torna esse duelo ainda mais interessante.
A Inter também precisa cuidar bem do primeiro passe. Contra o Real Madrid, uma perda de bola no próprio campo levou diretamente a um gol. O retorno de Çalhanoğlu, que deve recuar para organizar a saída de bola à frente da defesa, oferece uma condição diferente da que a equipe teve no primeiro tempo contra a Roma. Naquela partida, sem Çalhanoğlu, o meio-campo da Inter sofreu com a pressão adversária. Se a Inter proteger a bola no próprio campo e recuperar rapidamente a posse quando perdê-la no campo do Shakhtar, o adversário terá de voltar a defender antes de seus pontas avançarem. Se o Shakhtar escapar da pressão, por outro lado, poderá atacar o espaço nas costas dos alas da Inter.
O lado direito da defesa da Inter é onde esse duelo deve ficar mais evidente. Diouf avança para apoiar o ataque, enquanto Bisseck fica atrás para enfrentar o ponta esquerdo do Shakhtar. Contra o PSV, Mendoza recebeu pela esquerda, cortou para dentro da área e marcou. O Brugge também explorou repetidamente o espaço nas costas dos alas da Inter. Se Mendoza for titular, Diouf e Bisseck terão de lidar com essas movimentações desde o início. Se ele entrar como substituto, como aconteceu contra o AEK, o mesmo duelo pode ocorrer no segundo tempo, quando os alas da Inter talvez estejam com menos fôlego.
A Inter também pode explorar os espaços pelos lados. Os laterais do Shakhtar, Vinícius Tobias e Pedro Henrique, participam do ataque. Se a Inter recuperar a bola quando eles estiverem avançados, seus alas poderão subir pelos flancos e cruzar ou tocar rasteiro para Thuram e Bonny. Thuram marcou de cabeça após um cruzamento de Barella na última partida contra o Bologna. Com Lautaro Martínez fora, a Inter precisa encontrar outra forma de preencher o papel que ele tinha na construção pelo centro, e os ataques pelas laterais e a finalização dentro da área ganham ainda mais importância.
Esse plano ofensivo também exige atenção na defesa. Se os alas da Inter estiverem avançados quando o Shakhtar recuperar a bola, Mendoza ou Alisson Santana, pela direita, poderão partir para cima dos defensores. Alisson Santana sofreu um pênalti contra o AEK. A Inter só terminou sem sofrer gols em uma das cinco partidas em casa nesta temporada, contra o Parma. Esse dado, sozinho, não permite cravar que o Shakhtar vai marcar, mas, considerando também como a Inter sofreu gols nas duas partidas europeias e o ataque pelos lados do Shakhtar, os riscos para o mandante são claros.
As substituições no segundo tempo também terão pesos diferentes dependendo de quem começar jogando. Bonny e Carlos Augusto já mudaram o rumo de partidas ao entrarem pela Inter, mas ambos podem ser titulares desta vez. A escalação de Mendoza determinará qual ponta o Shakhtar terá à disposição para entrar no segundo tempo. Mesmo que a Inter abra o placar, se o Shakhtar continuar avançando seus laterais, tanto a chance de ampliar o placar para o mandante quanto a de buscar o empate para os visitantes podem aparecer. Se o Shakhtar sair na frente, Turan poderá manter as linhas compactas, como fez contra o PSV, e a Inter terá de encontrar espaços numa defesa fechada sem Lautaro Martínez.
3. Prognóstico e conclusão
Acreditamos que a Inter deve criar mais chances e tem boas possibilidades de vencer. Se o Shakhtar insistir em sair jogando desde a defesa, a Inter poderá recuperar a bola em posições avançadas. O retorno de Çalhanoğlu também deve ajudar o mandante a lidar com o primeiro passe no próprio campo. Mesmo sem Lautaro Martínez, a Inter ainda tem caminhos para marcar: o jogo aéreo de Thuram, a capacidade de Bonny de finalizar na área e as infiltrações dos alas.
Nosso placar previsto é 3 a 1 ou 2 a 1 para a Inter, com o 3 a 1 como cenário mais provável caso o Shakhtar avance seus laterais depois de ficar atrás no placar. A Inter pode abrir vantagem recuperando a bola no campo adversário ou atacando pelos lados; o Shakhtar, por sua vez, pode buscar o gol de empate explorando o espaço atrás de Diouf. Se continuar atacando, o Shakhtar também poderá oferecer à Inter chances para marcar mais um no segundo tempo.
O mercado dá bastante peso ao mando de campo da Inter e à capacidade da equipe de criar chances, e também considera provável uma vitória por uma margem ampla. Porém, sem Lautaro Martínez, se a Inter aumentar o volume de ataques pelos lados, o Shakhtar poderá encontrar espaços para avançar quando recuperar a bola. Por isso, ficamos com a vitória da Inter, como o mercado, mas projetamos uma diferença de 1 a 2 gols. Essa previsão depende de a Inter manter a posse no primeiro momento da construção, com Çalhanoğlu no comando. Se esse plano falhar logo no começo e o Shakhtar marcar primeiro, a Inter poderá ter mais dificuldade para transformar as chances esperadas em gols.