[Liga das Nações da UEFA 2026] Análise e Prévia: República da Irlanda x Israel Início da partida: 5 de outubro, às 03:45 (horário da Coreia)
República da Irlanda e Israel se enfrentam no TSC Arena, em Backa Topola, na Sérvia, às 03h45 do dia 5 de outubro (horário da Coreia), pela 4ª rodada do Grupo 3 da Liga B da Liga das Nações da UEFA. Embora o mando de campo pertença formalmente à República da Irlanda, o jogo será realizado com portões fechados. Tendo vencido por 3 a 0 o duelo direto há uma semana, os irlandeses buscam se consolidar na disputa pela segunda colocação, enquanto os israelenses, na lanterna da chave, precisam desesperadamente de pontos para sair da zona de rebaixamento.
1. Visão Geral da Partida e Momento das Equipes
Após 3 rodadas, a República da Irlanda ocupa o 3º lugar com 4 pontos, enquanto Israel é o 4º, com apenas 1 ponto. A Irlanda perdeu fora de casa para o Kosovo por 1 a 0, mas se recuperou goleando Israel por 3 a 0 e empatando em 2 a 2 com a Áustria, líder da chave. Já Israel foi batido pela Áustria por 3 a 1 e pela Irlanda por 3 a 0, somando seu primeiro ponto no empate em 0 a 0 contra o Kosovo. Se vencer, a Irlanda vai a 7 pontos e mantém acesa a briga pela vice-liderança. Em caso de novo revés, Israel disputará as últimas duas rodadas em plena zona de descenso.
Equipes República da Irlanda: 3 jogos nesta edição, 1V-1E-1D, 5 gols marcados e 3 sofridos / 4 pontos Israel: 3 jogos nesta edição, 0V-1E-2D, 1 gol marcado e 6 sofridos / 1 ponto
As mudanças recentes de cada lado apontam para rumos bem distintos. Contra o Kosovo, a Irlanda reforçou o setor defensivo, mas sofreu insistentes investidas pelo corredor direito e não conseguiu acionar seus homens de frente após recuperar a posse. O técnico Heimir Hallgrímsson mudou 5 titulares para encarar Israel na sequência: o recém-promovido Jack Moylan brilhou com 1 gol e 1 assistência, enquanto Adam Idah e Troy Parrott também deixaram suas marcas. Contra a Áustria, o time abriu dois gols de vantagem na etapa inicial, mas cedeu o empate levando gols aos 71 e 77 minutos. Hallgrímsson admitiu que o preparo físico e a compactação caíram antes do esperado. Vale destacar que todos os 5 gols da Irlanda nesta edição saíram no primeiro tempo, enquanto os 3 sofridos ocorreram após os 70 minutos. Embora três partidas não definam uma tendência imutável, o desgaste físico reconhecido pelo próprio comandante deve ser levado em conta neste reencontro.
Israel, por sua vez, mudou sua postura defensiva depois de sofrer 3 gols em apenas 25 minutos diante da própria Irlanda. O técnico Ran Ben Simon trocou 6 jogadores contra o Kosovo e escalou volantes de contenção à frente de uma linha com 3 zagueiros. A meta de não ir para o intervalo em desvantagem e evitar o primeiro gol funcionou, resultando em um 0 a 0. Israel até criou chances claras, incluindo um mano a mano de Tai Baribo com o goleiro, mas pecou na finalização. O ajuste defensivo surtiu efeito, mas o ataque — com apenas 1 gol em 3 jogos — ainda não engrenou.
O triunfo irlandês por 3 a 0 em Debrecen, há uma semana, representa o único histórico recente de confrontos diretos nos últimos cinco anos. Naquela ocasião, a Irlanda marcou seus três gols entre os 13 e os 25 minutos da etapa inicial: aproveitando rebatidas ruins da zaga israelense para Parrott finalizar, uma enfiada precisa de Moylan nas costas da defesa e uma ligação direta do goleiro Caoimhín Kelleher dominada por Moylan antes de balançar as redes. Israel até reteve mais a posse e arrematou depois disso, mas esbarrou nas defesas de Kelleher. Como as escalações e as estratégias defensivas de hoje devem mudar, não dá para projetar a diferença técnica apenas pelo placar daquele duelo.
O elenco de ambos também apresenta alterações. Na Irlanda, o ala-direito James Abankwah cumpre suspensão por acúmulo de cartões amarelos. Ele deu a assistência para o primeiro gol de Parrott em Debrecen, e Jake O'Brien deve ser o substituto imediato. Na zaga central, Dara O'Shea foi liberado para acompanhar o nascimento do filho e segue como dúvida. Parrott foi substituído contra a Áustria por cansaço e dores decorrentes de uma pancada, mas treinou normalmente. Do lado israelense, o goleiro Daniel Peretz é desfalque por lesão. Os atacantes de lado Manor Solomon e Anan Khalaili, além do zagueiro Raz Shlomo, são dúvidas por problemas médicos e lesões. Vale lembrar que Khalaili e Solomon construíram 3 das 4 melhores oportunidades criadas por Israel diante do Kosovo.
Equipes República da Irlanda: Desfalques/Dúvidas: Abankwah suspenso; O'Shea é dúvida / Impacto esperado: Menor ímpeto ofensivo pela direita e possível reestruturação na zaga central Israel: Desfalques/Dúvidas: Solomon, Khalaili e Shlomo são dúvidas / Impacto esperado: Menos criação de jogadas pelas pontas e possíveis mudanças no trio de zaga
Outros fatores essenciais são o local e o calendário. Ambas as seleções tiveram 3 dias de descanso desde a última partida e encaram uma maratona de 4 jogos em 11 dias nesta Data FIFA. A Irlanda jogou em Dublin contra a Áustria e viajou para a Sérvia, enquanto Israel atuou em Debrecen, na Hungria, contra o Kosovo, antes de se concentrar e treinar em solo sérvio. Como os israelenses já vêm mandando seus jogos na Hungria, atuar sem público não é novidade. Além disso, a Irlanda superou Israel justamente no estádio praticamente vazio de Debrecen, de modo que a ausência de torcida não desequilibra a balança para nenhum lado. Com a próxima rodada marcada apenas para 14 de novembro, nenhum dos técnicos precisa poupar peças pensando no compromisso seguinte.
2. Análise dos Confrontos Diretos e Encaixe Tático
Hallgrímsson manteve o esquema 3-4-2-1 ao longo das 3 partidas desta convocação, promovendo apenas rodízio de nomes. Em vez de controlar a posse por longos períodos, a Irlanda priorizou as ligações diretas de Kelleher buscando a segunda bola e saídas velozes aproveitando falhas de corte do oponente. No primeiro gol diante da Áustria, Kelleher fez o lançamento longo, Idah ganhou pelo alto e Parrott limpou dois marcadores antes de estufar as redes. Em Debrecen, o roteiro se repetiu quando Moylan recuperou a bola no meio após chutão de Kelleher e concluiu em gol. Por outro lado, contra o Kosovo, a equipe finalizou apenas uma vez no primeiro tempo, sentindo enorme dificuldade de transição ofensiva depois de desarmar o adversário.
Se Ben Simon mantiver a postura cautelosa vista diante do Kosovo, Moylan terá muito menos espaço entrelinhas e nas costas da zaga do que encontrou em Debrecen. Para a Irlanda, a chave estará na capacidade de Idah ou Parrott disputarem a bola aérea lançada por Kelleher para que Moylan recolha a sobra. Caso o miolo de zaga de Israel consiga afastar com segurança, a Irlanda será forçada a construir jogadas trabalhadas contra um bloco baixo. Por outro lado, se a ausência de Shlomo desajustar a linha defensiva israelense e provocar novos erros na rebatida, os irlandeses terão finalizações imediatas na entrada da área — exatamente como nos lances do primeiro e do terceiro gols em Debrecen.
Pela ala direita da Irlanda, a ausência de Abankwah mexe com os dois lados do campo. Sem ele, o time perde amplitude ofensiva e capacidade de passe na linha de fundo. Seu provável substituto, O'Brien, cedeu espaços consideráveis quando atacado por aquele setor contra o Kosovo. Em contrapartida, Israel deve contar com o retorno de Roy Revivo na ala esquerda. Se Solomon tiver condições de atuar, formará com Revivo uma dobradinha perigosa para explorar essa fragilidade irlandesa. Sem Solomon, contudo, a capacidade de conduzir a bola e infiltrar na área cai drasticamente. Israel ainda contaria com os passes verticais de Eliel Peretz e a presença de área de Sayed Abu Farchi no jogo aéreo, mas dificilmente reeditaria a contundência ofensiva dos corredores laterais mostrada contra o Kosovo.
A presença de O'Shea é determinante para conter os cruzamentos e a bola parada de Israel. Ele foi titular nas 3 partidas desta janela atuando centralizado na linha de três. Sem ele e já sem o capitão Nathan Collins por lesão, a Irlanda teria de improvisar uma nova trinca defensiva. Entretanto, se Israel perder seus principais pontas criadores, o volume de cruzamentos que chegarão à área também diminuirá. É essencial analisar o desfalque defensivo irlandês em conjunto com as baixas no ataque israelense.
O momento em que o primeiro gol sair ditará as estratégias dos treinadores. Caso a Irlanda abra o placar, Israel precisará se lançar à frente em busca da vitória, cedendo espaços. Em Debrecen, ao descer para o vestiário perdendo por 3 a 0, Ben Simon colocou imediatamente o meia Dor Peretz para dar mais agressividade à equipe. Se Israel adiantar suas linhas, os irlandeses voltam a encontrar campo aberto para os passes em profundidade de Moylan e contragolpes rápidos. No entanto, entrar na reta final com vantagem de apenas um gol é um risco real para a Irlanda: diante da Áustria, perdas de bola após as substituições e faltas em zonas de perigo custaram o resultado, refletindo o cansaço assumido por Hallgrímsson.
Caso o 0 a 0 persista além dos 60 minutos, a Irlanda enfrentará um cenário espinhoso. Israel soube sustentar seu bloco defensivo enquanto o marcador esteve zerado diante do Kosovo. Se os israelenses repetirem a linha baixa de marcação, o espaço nas costas da zaga desaparecerá para a Irlanda, que já sofreu contra o Kosovo para transformar desarmes em ataques organizados. Israel, por sua vez, também terá dificuldade em agredir na transição caso seus pontas não joguem. Contudo, necessitando desesperadamente dos três pontos, Ben Simon pode acionar no segundo tempo nomes de peso que foram poupados contra o Kosovo, como Oscar Gloukh ou Dor Turgeman. Esse momento coincide com a faixa dos 60 minutos, momento em que Hallgrímsson costuma fazer suas primeiras trocas. O desfecho dessa disputa física na etapa final dependerá diretamente de quem for titular e do placar construído no início.
3. Conclusão e Palpite
A tendência aponta para um duelo bem mais parelho do que outra vitória folgada por três gols da Irlanda. Israel corrigiu sua postura ao povoar o meio-campo com volantes marcadores diante do Kosovo para não sofrer gols, sinalizando uma abordagem bem diferente daquela vista em Debrecen. A Irlanda mantém o recurso dos lançamentos de Kelleher e a agressividade de Idah e Moylan na segunda bola para abrir o placar, mas a ausência de Abankwah tira força ofensiva pela direita, e o desgaste de atletas desgastados pode cobrar o preço no segundo tempo com a zaga mexida. Do lado de Israel, as dúvidas no setor ofensivo diminuem a probabilidade de muitos gols, mas a equipe pode machucar em um lance isolado com os cruzamentos de Revivo, a visão de Eliel Peretz ou homens frescos vindos do banco.
No mercado de apostas, a odd da República da Irlanda segue apontando favoritismo, mas a distância entre as seleções encurtou ao longo da última semana. Essa movimentação acompanha o jogo sem sofrer gols de Israel contra o Kosovo e a queda de rendimento irlandesa na reta final contra a Áustria. Acreditamos que a probabilidade de empate é elevada: enquanto os desfalques nas pontas limitam o poder de fogo de Israel para buscar o triunfo, o sistema defensivo reforçado visto contra o Kosovo tende a ser mantido. Além disso, o intervalo em que a Irlanda costuma vacilar fisicamente coincide com o momento em que Israel lança seus atacantes mais descansados, dificultando a manutenção de uma vantagem mínima até o apito final.
Nosso palpite de placar exato fica no 1 a 1 ou 0 a 0. Se a Irlanda sair na frente, o caminho mais provável é a bola longa de Kelleher com aproveitamento de sobra por Idah ou Moylan, com Israel buscando a igualdade na etapa final em bolas paradas, cruzamentos ou trocas ofensivas. Se Israel passar ileso pelos minutos iniciais, poderemos ter um jogo amarrado e de poucas chances claras de gol, com a Irlanda tendo de furar um ferrolho e Israel carente de velocidade nas pontas. Essa projeção baseia-se na dificuldade irlandesa em sustentar vantagens magras no segundo tempo. Caso O'Shea confirme presença na zaga e tanto Solomon quanto Khalaili fiquem de fora — reduzindo drasticamente os recursos ofensivos israelenses —, nosso palpite migra para uma vitória apertada da República da Irlanda por um gol de diferença.