[26-27 UEL Liga Europa da UEFA Fase de liga] Análise e prévia: Olympique Lyonnais x Crystal Palace Início da partida: 15 de outubro, às 13:45 (horário de Brasília)
Olympique Lyonnais e Crystal Palace se enfrentam neste dia 15 de outubro, às 13:45 (horário de Brasília), no Groupama Stadium, em Lyon, pela 2ª rodada da fase de liga da UEFA Europa League. As duas equipes venceram na estreia, mas agora temos um time da casa que perdeu seu principal atacante contra um visitante com pouco tempo de descanso. O fato de o técnico do Crystal Palace, Pierre Sage, enfrentar seu ex-clube também adiciona um tempero tático ao confronto.
1. Visão geral da partida e momento das equipes
Ambos chegam de vitória na primeira rodada da Liga Europa. Em seus campeonatos nacionais, o Lyon ocupa a 4ª posição na Ligue 1, enquanto o Crystal Palace está em 12º na Premier League. O Lyon vem de derrota fora de casa por 2 a 1 contra o Lens, sofrendo seu primeiro revés na liga nesta temporada, enquanto o Palace soma 2 vitórias e 1 empate nos últimos 3 jogos oficiais desde a partida contra o Lech Poznań.
Comparativo Últimos 6 jogos na liga nacional: Olympique Lyonnais 11 pontos · 11 gols marcados e 4 sofridos / Crystal Palace 7 pontos · 9 gols marcados e 12 sofridos Estreia na Liga Europa: Olympique Lyonnais 2 a 1 Anderlecht (fora) / Crystal Palace 4 a 0 Lech Poznań (casa) Descanso antes deste jogo: Olympique Lyonnais 5 dias / Crystal Palace 3 dias
O Lyon divide o posto de melhor defesa da liga, o que mostra consistência defensiva, mas isso não resume as chances que pode ceder ao adversário de hoje. Somando as 5 partidas europeias desta temporada entre fases prévias e playoffs da Champions League e a Liga Europa, a equipe sofreu 6 gols. Nos últimos 11 jogos oficiais em casa, marcou 22 vezes, mas cedeu 16 gols. Como mandante, criou bastante ofensivamente, mas acabou derrotado por Celta de Vigo, Monaco, Lens e Fenerbahçe. Do lado do Crystal Palace, o retrospecto de 2 vitórias, 2 empates e 5 derrotas nos últimos 9 jogos oficiais como visitante também não conta toda a história: boa parte desses tropeços ocorreu no fim da temporada passada, antes da chegada de Sage. Sob o comando do novo treinador, o time soma 1 vitória, 1 empate e 1 derrota fora de casa em uma amostra de apenas 3 partidas.
Há pontos nos resultados recentes de cada equipe que merecem uma análise além do placar. O Lyon goleou o Rennes por 4 a 0 em casa, recuperando a posse no campo de ataque e convertendo jogadas pelas pontas em gols. No entanto, com a mesma formação titular, empatou sem gols contra o Paris FC fora de casa, finalizando apenas 3 vezes. Já o Crystal Palace, após sofrer 11 gols nos primeiros 4 jogos, viu Sage reajustar o sistema defensivo e passou sem sofrer gols contra Lech Poznań e Leeds United. Na rodada anterior, venceu o Nottingham Forest por 3 a 1, mas permitiu 24 finalizações ao rival. O próprio Sage admitiu o início ruim e destacou as defesas difíceis do goleiro Walter Benítez. Portanto, não se pode atribuir a recente redução de gols sofridos apenas à organização da zaga.
As mudanças no elenco afetam com mais peso o setor ofensivo do Lyon. Lois Openda fraturou a fíbula contra o Lens e desfalca a equipe. O técnico Paulo Fonseca definiu Openda como o atacante que mais ataca o espaço nas costas da defesa adversária e ressaltou que não tem uma peça de reposição com essas mesmas características. O treinador adiantou que Keito Nakamura começará como titular, mas sem especificar o posicionamento: cogita-se Pavel Šulc recuando pelo centro para receber o passe, com Nakamura vindo da esquerda para o meio. Na defesa do Lyon, o zagueiro Moussa Niakhaté voltou a ser relacionado, mas sua presença em campo ainda é incerta. Caso não jogue, a tendência é que Barhe e Kluivert, que formaram a dupla de zaga pela primeira vez contra o Lens, atuem juntos novamente.
No Crystal Palace, mais do que o número de baixas, vale notar quem vem perdendo espaço no time titular. Jean-Philippe Mateta mal jogou nesta temporada, deixando o comando do ataque com Jørgen Strand Larsen. Benítez assumiu o gol no lugar de Dean Henderson e foi titular nos últimos 3 jogos. Jefferson Lerma não está inscrito na Liga Europa e fica de fora; a função que desempenhou contra o Forest, completando de cabeça o escanteio de Adam Wharton, precisará de outro executor. Já Axel Disasi, apesar de suspensão em competições nacionais, está liberado para jogar na Europa e desponta como opção para a linha de três zagueiros.
Depois de comandar o Lyon, Sage treinou o Lens na temporada passada e encarou o Lyon de Fonseca em 3 oportunidades, somando 1 vitória, 1 empate e 1 derrota. O Lens chegou a vencer por 4 a 0 no Groupama Stadium, mas Sage agora trabalha com outro grupo de atletas. Entre os dois clubes, também não há histórico recente de confrontos oficiais que sirva de parâmetro; em amistoso disputado em 2023, o Crystal Palace venceu por 2 a 0, mas ambos mudaram bastante tanto no comando técnico quanto no elenco.
O calendário pesa mais contra o Crystal Palace. O Lyon teve 5 dias de intervalo após enfrentar o Lens, ao passo que o time inglês jogou contra o Nottingham Forest e viajou de Londres para Lyon apenas 3 dias depois. As duas equipes voltam a campo pelas ligas nacionais 3 dias após este confronto. Na rodada de abertura da Liga Europa, Sage repetiu exatamente os mesmos 11 titulares do fim de semana anterior. Se mantiver a base agora, o pouco tempo de recuperação pode cobrar o preço no fôlego da equipe durante a etapa final. A previsão do tempo indica céu limpo e vento fraco, sem favorecer o estilo de jogo de nenhum dos lados.
2. Análise do confronto tático
A principal pendência que o Lyon precisa resolver é a contenção da linha de armadores do Crystal Palace. No primeiro tempo contra o Lens, Corentin Tolisso subia para pressionar e os adversários recebiam a bola nas costas do meio-campo lioês. Após o jogo, Tolisso admitiu que estava muito adiantado e que o rival posicionou 3 jogadores naquele setor. O Palace escala Daichi Kamada e Yeremy Pino logo atrás de Strand Larsen. Se Wharton e Quinten Timber conseguirem acionar essa dupla, os zagueiros do Lyon terão de escolher entre dar o combate à frente ou proteger a referência de Strand Larsen.
Se Fonseca optar por um 4-3-3 com Tolisso, Mads Bidstrup e Tyler Morton no meio, ganha capacidade de contenção direta sobre Kamada e Pino. Em contrapartida, perde a presença ofensiva de Tolisso, que desarmaria menos na frente e pisaria menos na grande área. Caso o Lyon tente apertar a saída de bola adiantando seus homens de meio sobre Wharton e Timber, reabrirá exatamente o espaço problemático visto contra o Lens. Como a linha de meias do Palace tem 2 atletas, a dinâmica numérica é diferente daquela contra o Lens, e o perigo real dependerá da capacidade do visitante em fazer essa bola chegar limpa até eles.
Na transição anterior a esse passe, o Lyon pode encontrar oportunidades. Diante do Rennes, Tolisso desarmou o meio-campo rival em posição adiantada, e Ernest Nuamah tabelou com Šulc para balançar as redes. Sage prioriza a construção desde a defesa, mas o Palace sofreu gol no início contra o Nottingham Forest justamente após uma cabeçada fraca recuada para o goleiro que foi interceptada. Se o time inglês insistir em passes curtos para furar a pressão do Lyon, correrá riscos parecidos. Outra alternativa é a ligação direta para Strand Larsen, pulando a marcação; nesse cenário, será determinante ver se Kamada e Pino conseguirão recolher a segunda bola após a disputa aérea do centroavante com os defensores.
A ausência de Openda também muda a forma como o Lyon conclui suas jogadas depois de roubar a bola. Openda atacava o espaço em profundidade ao mesmo tempo em que prendia os defensores no centro e dialogava com os companheiros. Com Šulc recuando para receber a bola no pé, o trio de zagueiros do Palace não sentirá tanta necessidade de recuar com receio da velocidade nas costas. Se o Crystal Palace fechar as linhas com bastante gente e ceder a posse, o Lyon corre o risco de repetir o jogo contra o Paris FC, retendo a bola sem transformá-la em volume de chutes. O próprio Fonseca já declarou que tem dificuldades para fixar um centroavante quando o oponente joga em bloco baixo.
Por outro lado, o Lyon conta com a força da sua ala direita. Nuamah é o artilheiro do time na temporada com 4 gols, e o lateral-direito Jan Ategame soma 2 gols e 2 assistências. Diante do Rennes, Ategame apareceu na segunda trave para marcar e, depois, avançou pela direita para servir o gol de Tolisso em cruzamento rasteiro. O confronto direto será com o ala-esquerdo Tyrick Mitchell, que também já anotou 2 gols nesta temporada. Se Mitchell se mandar ao ataque e o Palace perder a posse, Nuamah terá espaço para encarar no mano a mano o zagueiro pelo lado de fora. Da mesma forma, se Ategame subir e o Lyon for desarmado, Mitchell terá o corredor direito livre para contragolpear.
A vitória do Lyon sobre o Lens de Sage na temporada passada também foi construída em jogadas individuais pelos lados. Contudo, os atletas que criaram e definiram aqueles lances não fazem mais parte do grupo. Quem reúne características para repetir esse papel hoje é Nuamah. Caso o Palace saia atrás no marcador e seja forçado a adiantar Mitchell, Nuamah terá ainda mais campo para explorar. Se os visitantes abrirem o placar e se fecharem, o Lyon terá poucas brechas nas costas do ala inglês.
Na reta final da partida, as substituições ganham peso decisivo. Recentemente, contra Leeds e Nottingham Forest, Sage renovou a armação e o ataque por volta dos 80 minutos. Ismaïla Sarr voltou de lesão e figura como alternativa no banco. Se o Lyon estiver em desvantagem e lançar seus laterais à frente, a entrada de Sarr pode explorar essas lacunas com velocidade. Por outro lado, caso o Crystal Palace precise suportar uma pressão longa do Lyon, o intervalo curto de 3 dias e a falta de peças para rodar o sistema defensivo podem pesar. Se permitir um volume de chutes alto como o do último jogo, é improvável que apenas as defesas de Benítez sustentem o placar intacto.
A bola parada é outro caminho aberto para ambos. O Crystal Palace conta com a precisão dos cruzamentos de Wharton e o perigo aéreo de Chris Richards, que marcou contra o Lech Poznań, mas não terá Lerma, autor do gol de cabeça em escanteio na rodada anterior. Já o Lyon viu Barhe marcar de cabeça após cruzamento de Morton diante do Auxerre. Se as equipes neutralizarem as principais tramas ofensivas do rival, um lance de bola parada pode destravar o placar. De todo modo, como os dois lados vêm cedendo chances claras em seus últimos compromissos, uma postura inicial mais cautelosa não garante por si só uma partida truncada e sem chances de gol.
3. Conclusão e palpite
O fator campo e os dois dias a mais de descanso representam uma vantagem concreta para o Lyon. Se o Crystal Palace errar na saída de bola logo no início, os donos da casa podem abrir o placar mesmo sem Openda. Contudo, à medida que o Lyon adianta suas linhas de meio para pressionar, concede exatamente os espaços que Kamada e Pino sabem ocupar. Sage já enfrentou o Lyon de Fonseca e tem em Wharton e Timber os distribuidores ideais para abastecer essa transição.
O mercado aponta um favoritismo leve para o Lyon, apoiado no mando de campo, na diferença de desgaste físico, no baixo número de gols sofridos no campeonato francês e no histórico recente do Palace como visitante. O fator casa e o fôlego pesam, mas os números da zaga lionesa na liga diferem bastante do que o time tem apresentado nas copas europeias, enquanto o retrospecto do Palace fora engloba tropeços da temporada anterior. Diante desses elementos, vemos um impacto maior na ausência de Openda e no perigo de Kamada e Pino receberem com liberdade nas costas dos volantes franceses.
Nosso palpite de placar fica em 1 a 2 ou 1 a 1. Caso o Crystal Palace escape da pressão do Lyon e conecte seus meias, achamos mais provável que os visitantes vençam por um gol de diferença, mesmo que o Lyon marque em uma jogada individual de Nuamah ou em bola parada. Se Fonseca resguardar Tolisso na contenção e dosar a pressão alta, os meias do Palace terão menos espaço para criar, aproximando o desfecho de um 1 a 1. Esse cenário muda se o Lyon conseguir travar a primeira linha de passe do Crystal Palace apenas com os homens da frente, mantendo o bloco intermediário protegido.