[Futebol masculino dos Jogos Asiáticos de 2026] China x Uzbequistão: análise e prévia Início da partida: 3 de outubro, às 15h (horário da Coreia)
China e Uzbequistão se enfrentam às 15h de 3 de outubro (horário da Coreia), no Toyota Stadium, no Japão, pela medalha de bronze do futebol masculino dos Jogos Asiáticos de Aichi-Nagoya. Para a China, é a chance de voltar ao pódio após 28 anos. Para o Uzbequistão, será a última partida do torneio depois de disputar 120 minutos contra o Japão. Mais importante do que as derrotas nas semifinais são as condições que elas deixaram para as escalações e a gestão do segundo tempo de hoje.
1. Panorama da partida e das equipes
A China perdeu por 2 a 1 para a Coreia do Sul na semifinal, depois de não conseguir segurar o gol de Wang Yudong. O Uzbequistão abriu o placar contra o Japão aos 8 minutos, sofreu o empate aos 88 e, após o 1 a 1 na prorrogação, perdeu por 9 a 8 nos pênaltis. A partida da China começou às 15h de 30 de setembro e terminou no tempo regulamentar. O jogo do Uzbequistão começou naquela noite e durou 30 minutos a mais. Segundo o jornal Pengpai, seis jogadores da defesa e do meio-campo, além do atacante Tülkünbekov, atuaram durante os 120 minutos (Pengpai, 1º de outubro). Nenhuma das equipes tem motivo para poupar titulares, mas o tempo de recuperação e a carga da partida anterior são diferentes.
Resumo Campanha em 5 jogos: China, 2 vitórias, 2 empates e 1 derrota, 6 gols marcados e 3 sofridos / Uzbequistão, 4 vitórias e 1 empate, 13 gols marcados e 2 sofridos Semifinal: China perdeu por 2 a 1 para a Coreia do Sul no tempo regulamentar / Uzbequistão empatou por 1 a 1 com o Japão, perdeu nos pênaltis após a prorrogação Desfalques e dúvidas para hoje: Mao Weijie, da China, deve ficar fora / Uzbequistão ainda não informou se Saydnurullaev estará disponível
O Uzbequistão abriu o placar em todas as cinco partidas do torneio, sempre até os 29 minutos. Contra o Japão, também saiu na frente aos 8: uma enfiada de Jumaev, o cruzamento rasteiro de Hamidov e a finalização de Bakhramov. Nas quartas de final, venceu a Arábia Saudita por 3 a 0, mesmo com apenas 41% de posse de bola, e terminou com 19 finalizações. Não é uma equipe que depende de ficar muito tempo com a bola para marcar. Ela combina a capacidade de roubar a bola e atacar rapidamente quando o adversário avança com o perigo nas segundas bolas após cobranças de bola parada. Ainda assim, quatro dos cinco gols contra as Filipinas saíram depois que o rival teve um jogador expulso. Por isso, não dá para projetar a expectativa de gols de hoje simplesmente a partir dos 13 gols marcados no torneio.
Cinco dos seis gols da China vieram contra Coreia do Norte e Tailândia. Contra Irã e Emirados Árabes Unidos, a equipe ficou no 0 a 0 nas duas partidas. Contra a Coreia do Norte, Zhang Yuning cabeceou para o gol após cruzamento de Wu Xi; depois, Wu Xi marcou ao receber uma bola desviada de cabeça por Zhang. Os três gols contra a Tailândia também nasceram de uma confusão após falta, de um chute depois de um cruzamento afastado parcialmente e de uma jogada aérea. A China não é uma equipe que cria chances repetidamente com passes curtos pelo meio. Ela se fecha na defesa e tenta aproveitar as oportunidades limitadas em lançamentos longos e bolas paradas. Contra a Coreia do Sul, Wang Yudong também abriu o placar ao receber um passe longo perto do círculo central.
Quando defende, o técnico Antonio Puche costuma deixar cinco jogadores atrás e concentrar a equipe diante da área. A China teve 32% de posse contra a Coreia do Norte e 33% contra os Emirados Árabes Unidos. Já o Uzbequistão, comandado por Ravshan Haydarov, ajusta a posse e a altura da pressão conforme o adversário. No primeiro tempo contra o Japão, pressionou alto para atrapalhar a saída de bola. Depois dos 70 minutos, já em vantagem, recuou a defesa para o próprio campo. Aos 88, sofreu o empate após um cruzamento pela lateral e uma cabeçada. Essa gestão do segundo tempo também merece atenção hoje.
A Associação Chinesa de Futebol espera que Mao Weijie, que lesionou os ligamentos do tornozelo esquerdo contra a Coreia do Sul, fique fora da disputa pelo bronze (Associação Chinesa de Futebol, 1º de outubro). Ele ajudava na marcação e na progressão pelo meio; os registros do centro de dados também atribuem a ele a assistência no gol da China na semifinal. Mutilipu Yimingkari, que entrou em seu lugar contra os sul-coreanos, criou uma boa chance com um cruzamento pela direita. Yimulanmaimaiti, titular contra a Tailândia, também recupera a bola no meio e ajuda a ligar a defesa ao ataque. Há opções para substituí-lo, mas nenhum jogador oferece exatamente o mesmo perfil de Mao. Pelo Uzbequistão, Saydnurullaev saiu lesionado aos 13 minutos contra o Japão, e sua disponibilidade ainda não foi anunciada.
A China não sofreu gols nos dois confrontos deste ano. Nas quartas de final da Copa Asiática Sub-23, em janeiro, o placar ficou em 0 a 0 por 120 minutos, e a China avançou nos pênaltis. Em um amistoso fechado antes do torneio, também venceu por 2 a 0. Mas o resultado de janeiro não deve ser interpretado como prova de superioridade chinesa. Segundo a Confederação Asiática de Futebol, o Uzbequistão teve mais de 70% de posse e finalizou 28 vezes, enquanto o goleiro Li Hao fez várias defesas (Confederação Asiática de Futebol, 18 de janeiro). Como o amistoso também precisa ser analisado levando em conta as diferenças nas escalações, ele é uma referência menos útil para a partida de hoje do que o confronto oficial de janeiro. Os dois técnicos e vários jogadores importantes voltam a se enfrentar, mas a China agora conta com Wu Xi, Zhang Yuning e Zhu Chenjie, que não estavam naquela partida, enquanto o Uzbequistão retorna ao campo logo depois de jogar a prorrogação contra o Japão.
A partida será em campo neutro. A indicação de mandante e visitante na tabela não significa que a China terá uma vantagem real de jogar em casa. A equipe já atuou no Toyota Stadium contra a Tailândia nas quartas, mas os dois times vêm disputando o torneio no Japão. Hoje, a diferença mais importante está no tempo de jogo das semifinais e na ausência de Mao Weijie.
2. Análise do confronto
A tendência é que o Uzbequistão tenha mais posse, enquanto a China espere à frente da própria área. Se a China evitar a troca prolongada de passes curtos desde a defesa, o Uzbequistão terá menos oportunidades de pressionar a saída de bola como fez no primeiro tempo contra o Japão. Em compensação, precisará recuperar as bolas afastadas e atacar a defesa fechada pelas laterais e em bolas paradas. No confronto de janeiro, o Uzbequistão cobrou 13 escanteios sem marcar. É importante separar a possibilidade de finalizar bastante da capacidade de furar a defesa chinesa.
O Uzbequistão também mostrou caminhos diferentes no ataque desde aquele duelo de janeiro. No gol contra o Japão, Hamidov recebeu pela lateral e cruzou rasteiro para o lado oposto, onde Bakhramov concluiu. A China sofreu dois gols contra a Coreia do Sul em cabeçadas após escanteio e cruzamento pela lateral. Mesmo que consiga bloquear o primeiro cruzamento com vários jogadores na defesa, a China ficará em perigo se não lidar com a bola que chega ao lado oposto ou com a sobra após a disputa aérea. O mesmo vale para o primeiro gol contra a Arábia Saudita: o goleiro espalmou a cobrança de Bakhramov, e Murtazaev marcou no rebote. Para mudar o resultado de janeiro, o Uzbequistão precisa conseguir levar a bola até o fundo pela lateral e criar uma segunda finalização, em vez de repetir apenas chutes de média distância.
Quando recuperar a bola, a China terá de observar a posição da linha defensiva uzbeque. Se Haydarov pressionar alto, Wang Yudong pode atacar o espaço nas costas da defesa ao receber um chutão de Li Hao ou um passe longo de Wu Xi. Foi assim que ele marcou contra a Coreia do Sul. Mas, sem Mao Weijie, haverá menos jogadores capazes de acertar esse tipo de passe. Se o Uzbequistão não der tempo para Wu Xi dominar a bola, a China talvez dependa ainda mais de lançamentos para Zhang Yuning e das disputas pelo alto. Com Mutilipu Yimingkari no meio, os cruzamentos pelas laterais podem aumentar, mas a cobertura defensiva e a circulação da bola serão diferentes do que seriam com Yimulanmaimaiti. Antes da divulgação das escalações oficiais, não dá para afirmar qual opção será usada.
Se o Uzbequistão recuar a defesa, Wang Yudong terá menos espaço para infiltrar. Nesse cenário, a China deve apostar nas cobranças de falta e escanteio de Wu Xi, além das disputas aéreas de Zhang Yuning, Zhu Chenjie e Liu Haofan. O Japão empatou no segundo tempo com um cruzamento pela esquerda e uma cabeçada, depois que o Uzbequistão recuou. A China também já reagiu contra a Coreia do Norte com a combinação de cruzamento de Wu Xi e cabeçada de Zhang Yuning. Isso, porém, não significa que a China marcará necessariamente no segundo tempo. A equipe não fez gols contra Irã e Emirados Árabes Unidos, e ainda precisa resolver como levar a bola ao ataque sem Mao Weijie.
O primeiro gol pode mudar bastante a partida. Se o Uzbequistão abrir o placar, como fez repetidamente no torneio, a China terá de buscar o empate. Mesmo depois de sair atrás contra a Coreia do Norte, a China manteve sua estrutura defensiva e reagiu com cruzamentos; não é provável que retire de imediato jogadores da defesa. Ainda assim, os laterais podem avançar mais, abrindo espaço para os atacantes que entrarem no segundo tempo atacarem as costas da defesa. Contra o Vietnã, o Uzbequistão aproveitou justamente o avanço do adversário em busca do empate para criar uma chance cara a cara e marcar mais um gol.
Se o 0 a 0 persistir, o cenário muda. O Uzbequistão pode passar mais tempo com a bola perto da área chinesa, enquanto a China dependerá das defesas de Li Hao e de poucas oportunidades em contra-ataques e bolas paradas. Em janeiro, esse roteiro se estendeu até a prorrogação, e o ritmo ofensivo uzbeque caiu. Isso também pode acontecer no segundo tempo de hoje, mas Wang Yudong, Wu Xi e Zhang Yuning também jogaram os 90 minutos contra a Coreia do Sul, e Puche costuma demorar para fazer substituições. Haydarov já usou atacantes que saíram do banco para marcar gols decisivos no segundo tempo. Os 120 minutos da semifinal pesam contra o Uzbequistão, mas não dá para considerar cada lance da etapa final favorável à China.
Também vale observar quem estará no centro da defesa uzbeque. O goleiro Muratbaev e os defensores Murtazaev e Hamidov disputaram os cinco jogos do torneio e ainda jogaram a prorrogação contra o Japão. Se forem titulares novamente, terão de perseguir Wang Yudong nas infiltrações e disputar as bolas aéreas nos cruzamentos chineses do segundo tempo. Se Haydarov optar por trocá-los, a equipe também mexerá em uma formação defensiva que se manteve durante todo o torneio. De qualquer forma, o jogo contra o Japão mostrou o risco de o Uzbequistão recuar totalmente depois de abrir o placar e apenas tentar segurar a vantagem.
3. Palpite final e conclusão
A expectativa é que o Uzbequistão tenha mais posse no primeiro tempo e pressione a China com cruzamentos rasteiros pelas laterais e segundas bolas após cobranças de bola parada. O resultado mais provável é o Uzbequistão sair na frente, recuar a defesa e a China buscar o empate no segundo tempo com uma bola parada de Wu Xi ou um cruzamento pela lateral: 1 a 1. Se o Uzbequistão não aproveitar as chances no início, também é possível um 0 a 0, com a China resistindo diante da área e contando com as defesas de Li Hao. Esses placares não ignoram a capacidade ofensiva que o Uzbequistão mostrou no torneio. O palpite leva em conta a forma como a China deve ceder a posse hoje e a carga de minutos do Uzbequistão na partida anterior.
O mercado dá mais peso à vitória do Uzbequistão, considerando o desempenho no torneio, os poucos gols da China e a ausência de Mao Weijie. Ainda assim, em janeiro a China passou 120 minutos sem sofrer gols ao proteger a área sob o mesmo técnico, e o recuo do Uzbequistão depois de abrir o placar contra o Japão também pode voltar a ser um problema. Levando em conta que a defesa uzbeque, desgastada após a prorrogação, terá de conter os cruzamentos e as bolas paradas chinesas até o fim, vejo o empate como mais provável do que o mercado indica, à frente da vitória do Uzbequistão. Esse palpite não se confirma se o Uzbequistão abrir o placar cedo e ampliar aproveitando os espaços deixados pelo avanço chinês, ou se conseguir manter a pressão no segundo tempo e a velocidade dos defensores para acompanhar os atacantes apesar do desgaste dos 120 minutos.