Honduras marcou quatro gols nesta janela da Nations League, e todos eles saíram nos primeiros 23 minutos. Já os cinco gols da Jamaica aconteceram quase todos no segundo tempo. Portanto, esse reencontro em Tegucigalpa gira em torno de duas perguntas: o que acontece com um time que larga tão forte quando o gol rápido não sai, e se o hábito da Jamaica de crescer ao longo do jogo terá espaço para se impor.
Os gols de Honduras: Suriname (aos 20 e 23 minutos, mas ainda assim perdeu por 3 a 2 após sofrer gols aos 18, 39 e um contra aos 66), Jamaica (aos 14 minutos, vitória por 1 a 0) e Martinica (aos 8 minutos, derrota por 2 a 1 após a Martinica empatar aos 40 e virar aos 88). Foram três jogos em que a equipe abriu vantagem ou esteve empatada logo cedo e precisou se segurar pelo resto da partida. O primeiro confronto com a Jamaica foi o ponto fora da curva, já que Honduras precisou suportar a pressão com um jogador a menos: Moncada foi expulso por conduta violenta aos 68 minutos, e mesmo assim seguraram a vitória. A base de dados registra 15 finalizações contra 12 de Honduras, com 7 no alvo contra apenas 3 da Jamaica; então não foi uma retranca total, mas o roteiro daquele jogo (gol no início, cartão vermelho e 22 minutos no modo sobrevivência) não é algo que dê para planejar repetir.
Os gols da Jamaica: 3 a 2 sobre a Guatemala (Palmer aos 37, Burrell aos 53 e Cephas aos 90) e 2 a 0 em El Salvador (East aos 39 e 64). No jogo contra El Salvador, os mandantes ficaram com dez jogadores desde os 20 minutos e a Jamaica chutou 13 vezes contra 4, por isso eu descartaria essa partida como parâmetro de como eles furam uma equipe bem postada. Já em casa contra Honduras, tiveram 53% de posse de bola, 12 chutes e apenas 3 no alvo, e esse é o ponto de atenção: muita posse de bola e pouco perigo real ao goleiro, com Honduras liderando o placar por 76 minutos.
Vejo dois caminhos possíveis. Se Honduras marcar outro gol cedo, a postura da Jamaica no segundo tempo terá que funcionar contra um adversário que, ao menos nesta janela, não marcou nenhum gol após os 23 minutos — o que permite à Jamaica pressionar sem correr tanto risco no contra-ataque. Se Honduras não abrir o placar logo de cara, vale lembrar que a equipe sofreu gols na reta final em dois dos três jogos, e o duelo em casa contra o Suriname foi uma troca franca de gols. As duas seleções jogaram em 3 de outubro, o período de descanso é praticamente o mesmo (cerca de 3 dias para cada), então não vejo o desgaste pesando para nenhum dos lados.
Duas ressalvas sinceras. Três jogos na fase de grupos é uma amostra muito pequena para cravar essa regra de “todos os gols antes dos 23 minutos”, e a base de dados tem apenas 2 jogos registrados com o atual técnico da Jamaica, então eu não trataria esse padrão como algo definitivo. O foco principal aqui é simples: quem abre o placar e se o jogo passará a ser disputado no campo de defesa de Honduras ou no da Jamaica.