O Galatasaray diz que vai para cima do Barcelona jogando em casa, e eu não duvido, mas a pergunta que realmente importa é quanto esse ímpeto ofensivo custou nos jogos em que o plano não funcionou. Contra o Kasimpasa, na semana passada, foram 25 finalizações e 2.40 de xG, mas o jogo foi para o intervalo em 1 a 0 e continuava empatado em 1 a 1 aos 68 minutos, até saírem dois gols no apagar das luzes. Por outro lado, as duas derrotas pesadas nesta temporada aconteceram pelo caminho inverso: 0 a 4 contra o Trabzonspor e 1 a 3 diante do Sporting, na estreia da Liga dos Campeões da UEFA Fase de liga. O Barcelona, que vem mantendo entre 70% e 80% de posse de bola nas rodadas recentes da liga, é um adversário de perfil bem diferente para esse tipo de postura; por isso, eu ficaria de olho no espaço que a pressão inicial do Galatasaray vai deixar nos primeiros dez minutos.
Olhando primeiro para o Galatasaray, pelos registros da partida no nosso banco de dados (alguns resultados ainda constam como provisórios): contra o Trabzonspor, em 19 de setembro, eles tiveram até mais posse de bola (54%) e mais finalizações (13 a 7), mas o adversário marcou quatro gols nessas sete tentativas — três deles ainda nos primeiros 44 minutos —, gerando 2.20 de xG contra 0.96 do Galatasaray. Diante do Sporting, a própria prévia do clube destaca que eles abriram o placar e mesmo assim perderam por 3 a 1. Juntando tudo, eu interpreto isso menos como “o Galatasaray não sabe se defender” e mais como uma equipe que avança com muita gente e acaba castigada em um contra-ataque limpo — o que é um detalhe muito específico para se levar a um confronto contra o Barcelona.
O lado do Barcelona é quase um espelho disso. No 3 a 0 sobre o Getafe, a equipe teve 83% de posse de bola, 23 finalizações e 1.93 de xG, abrindo dois gols de vantagem antes da meia hora de jogo; contra o Sevilla, em 19 de setembro, foram 24 chutes a 7 e 3.47 de xG contra 0.40. Os dois adversários jogaram recuados e praticamente não levaram perigo. Em Istambul, o cenário não será esse. Hansi Flick deixou Raphinha (por precaução), Frenkie de Jong (perto do retorno, mas ainda sem condições), Christensen e Bardghji em casa, segundo a prévia do clube, enquanto Cubarsí e Cancelo foram poupados no fim de semana. A postura de Buruk, de acordo com o relato do Goal sobre a coletiva, é de que o Galatasaray não vai se limitar a defender, independentemente da escalação. Se os dois times cumprirem o que prometeram, a partida será decidida por quem se sair melhor nas transições do que na troca de passes — e os jogos recentes do Barcelona dizem muito pouco a esse respeito.