[UEL 26-27] Análise e palpite: Ferencváros x Viktoria Plzeň Início da partida: 15 de outubro, às 16:00 (horário de Brasília)
Ferencváros e Viktoria Plzeň se enfrentam nesta quinta-feira na Groupama Arena, em Budapeste, pela 2ª rodada da Liga Europa da UEFA Fase de liga 2026-27. Na estreia, o Ferencváros venceu o Celtic fora de casa por 3 a 1, enquanto o Viktoria Plzeň perdeu em casa para o Royale Union Saint-Gilloise por 3 a 0. É o quarto confronto entre as duas equipes em competições europeias, chegando com começos bem opostos.
1. Panorama do jogo e momento das equipes
Embora tenha somado três pontos na estreia da Liga Europa, o Ferencváros ocupa apenas a 6ª colocação na liga húngara, com 13 pontos após 9 rodadas. A equipe empatou as últimas três partidas pelo campeonato nacional. A posição mais baixa na tabela não se deve a um excesso de derrotas. Sob o comando do técnico Balázs Borbély, que assumiu no verão, o time soma 7 vitórias e 2 empates em 9 jogos europeus nesta temporada. Nos 4 jogos em casa pela Europa nesta temporada, passou 3 sem sofrer gols, e na visita ao Celtic também soube conter a pressão inicial antes de explorar os espaços deixados pelas subidas do adversário.
O Viktoria Plzeň também soma 13 pontos, mas em 10 rodadas do campeonato tcheco, figurando no 10º lugar. O time marcou 20 gols e sofreu 17. O técnico Radoslav Kováč, que assumiu em 23 de agosto, tem alternado entre formações com linha de três e linha de quatro para tentar ajustar a defesa. Na partida mais recente, venceu o Mladá Boleslav por 3 a 0 com gols aos 2 e 21 minutos, mas permitiu duas bolas na trave do adversário no segundo tempo. O próprio Kováč admitiu que a intensidade da equipe caiu depois dos 60 minutos.
Últimos 10 jogos oficiais Geral: Ferencváros 6V-4E · 19 marcados e 7 sofridos / Viktoria Plzeň 5V-1E-4D · 18 marcados e 13 sofridos Fora de casa: Ferencváros 3V-2E · 8 marcados e 4 sofridos / Viktoria Plzeň 1E-3D · 1 marcado e 8 sofridos
No levantamento da central de dados, os últimos 4 jogos do Viktoria Plzeň fora de casa incluíram Slavia Praga, Sparta Praga e Estrela Vermelha. A marca de apenas um gol marcado também é reflexo de encarar adversários pesados. Na prática, nos últimos 6 jogos como visitante em competições europeias, o Viktoria Plzeň perdeu apenas para o Estrela Vermelha. Ainda assim, fazer o ataque funcionar fora de casa nesta partida é outra história. Diante do Union Saint-Gilloise, finalizou 14 vezes sem marcar e acabou sofrendo gols na transição defensiva após perder a posse no ataque.
Os recentes empates do Ferencváros no cenário nacional também precisam ser contextualizados. Na visita ao Nyíregyháza, disputada três dias depois de encarar o Celtic, o time trocou 5 jogadores de linha. Depois de uma pausa de três semanas, enfrentou o Debrecen com a mesma base do duelo contra o Celtic — trocando apenas o goleiro —, mas ficou no 1 a 1. Borbély e Kristoffer Zachariassen comentaram que a equipe perdeu ritmo de jogo após o período de descanso. Levando em conta que o goleiro adversário Plamen Andreev fez 7 defesas contra o Debrecen, não dá para dizer que a equipe não criou chances. No entanto, não ter aproveitado as oportunidades e ter cedido o empate em pênalti aos 95 minutos é um sinal de alerta para este confronto.
O cenário de quem deve ir a campo entre os titulares é relativamente claro. No Ferencváros, a expectativa é pelo retorno de Dénes Dibusz ao gol, após ter ficado fora contra o Celtic por um problema físico leve. Bamidele Yusuf pela direita, Daniel Arzani pela esquerda, Zachariassen na meia e Ádám Bagi na frente já atuaram juntos diante do Celtic. Por outro lado, Lenny Joseph, centroavante de ofício que marcou nas fases preliminares, foi dado como desfalque por lesão, e Franko Kovačević voltou a se lesionar contra o Debrecen. Borbély não confirmou a presença de Joseph nem de Naby Keïta para esta partida. A capacidade de mexer na referência ofensiva caso o ataque trave é uma incógnita.
No Viktoria Plzeň, Prince Adu ficou fora da lista de viagem por opção do treinador. Como Christophe Kabongo começou como titular na última rodada e balançou as redes, a equipe não chega sem um centroavante de início. No entanto, as alternativas para mudar o ataque a partir do banco diminuíram. Baboucarr Faal marcou saindo do banco contra o Sigma Olomouc e o Mladá Boleslav. Já Matěj Vydra, que voltou a treinar após cirurgia no joelho, pode atuar por 10 a 20 minutos dependendo do andamento do jogo. O goleiro Florian Wiegele, desfalque na partida anterior por problema de saúde, volta a ficar disponível. As responsabilidades da jovem linha defensiva seguem grandes para cobrir a ausência prolongada de Václav Jemelka e a baixa de Jan Paluska, que não viajou.
No retrospecto dos últimos 3 duelos europeus entre eles, o Ferencváros soma 1 vitória, 1 empate e 1 derrota. Em fevereiro de 2025, cada equipe venceu em seu estádio; em setembro do mesmo ano, empataram em 1 a 1 em Budapeste. Contudo, os técnicos de ambas as equipes eram diferentes na época, e Rafiu Durosinmi, autor do gol do Viktoria Plzeň no ano passado, já foi negociado. O retrospecto serve mais para mostrar o peso das disputas físicas e da bola parada no confronto do que uma real superioridade técnica. O desgaste de calendário é equilibrado: ambos jogaram em 10 de outubro por suas ligas e voltam a atuar fora de casa três dias após este duelo.
2. Análise do confronto
O ponto-chave a se observar é o momento em que o Ferencváros recupera a bola após as subidas do Viktoria Plzeň. Contra o Celtic, o time húngaro teve apenas 37% de posse de bola, mas conseguiu 6 finalizações certas. Logo após o empate, Yusuf invadiu a área pela direita e cruzou rasteiro para a finalização de Zachariassen; no início do segundo tempo, Arzani recebeu passe de Yusuf, avançou e marcou. Os dois gols saíram justamente em momentos em que o Celtic colocou muitos jogadores à frente e não conseguiu recompor as linhas defensivas.
O Viktoria Plzeň sofreu gols em situações parecidas. Contra o Union Saint-Gilloise, cedeu o segundo gol em contra-ataque após perder a bola próximo à área adversária. No primeiro gol sofrido, não cortou um passe longo e deixou o atacante escapar nas costas da zaga. Diante do Sigma Olomouc, também saiu atrás em lançamento direto nas costas dos defensores. Como Kováč explicou que tentou recuar as linhas contra o Union, não dá para afirmar que apenas baixar o bloco defensivo resolva esse problema. O Ferencváros pode testar essa fragilidade com os avanços de Yusuf e Arzani e as infiltrações de Zachariassen na área.
O duelo entre Yusuf pela direita e o lado esquerdo do Viktoria Plzeň envolve os planos ofensivos de ambos os lados. Se Cheick Souaré atuar como ala pela esquerda e avançar, como se desenha, o Ferencváros pode acionar Yusuf no espaço deixado. Por outro lado, se Souaré e Alexandr Sojka tomarem a iniciativa por ali, Yusuf terá de recuar mais para marcar. Contra o Celtic, o lateral-direito Olivér Nagy teve dificuldades para segurar James Forrest, e Kieran Tierney também infiltrou por aquele setor no gol de empate. Borbély sacou Nagy no intervalo e colocou Attila Osváth. Mais uma vez, a capacidade de conter as investidas do rival por aquele lado vai ditar a altura em que Yusuf poderá iniciar os contra-ataques.
Caso o Viktoria Plzeň opte por recuar em linha de três, o Ferencváros terá um desafio diferente. Com Bagi isolado brigando contra três zagueiros centrais, Pirgić e Patrik Hrošovský podem fechar as infiltrações de Zachariassen por dentro. O Ferencváros precisará recorrer com mais frequência aos passes rasteiros de Yusuf pela direita e às arrancadas de Arzani cortando da esquerda para o meio para finalizar. Isso porque falta um homem de referência com presença aérea para disputar cruzamentos com os zagueiros. O histórico recente de tropeços em casa na liga húngara evidencia as dificuldades do time quando precisa reter a posse e quebrar defesas fechadas. Enquanto o Viktoria Plzeň mantiver o número de peças e o espaçamento na zaga, dificilmente os lances de gol vistos contra o Celtic se repetirão de forma idêntica.
Ainda assim, o Viktoria Plzeň dificilmente conseguirá se limitar a defender o tempo todo. Kováč declarou publicamente que vai a Budapeste em busca dos 3 pontos. Tendo estreado sem pontuar, um 0 a 0 prolongado ou sair em desvantagem no placar aumentam a necessidade de lançar os alas e os meias ao ataque. Para o Ferencváros, é exatamente aí que surgem as brechas para a transição ofensiva. Dados da central mostram que o Viktoria Plzeň foi derrotado sem marcar nenhum gol nos últimos 3 jogos oficiais em que foi para o intervalo perdendo. Isso não define o resultado de hoje, mas mostra a dificuldade recente da equipe em reagir quando precisa se expor para buscar o placar.
A principal arma do Viktoria Plzeň para responder é a bola parada. Diante do Sigma Olomouc, Faal marcou de cabeça após cobrança de falta de Sojka; contra o Mladá Boleslav, dois gols vieram de lances de bola parada. Já o Ferencváros resistiu a 11 escanteios contra o Celtic sem sofrer gols pelo alto. Como as características dos adversários e das jogadas variam, esse dado isolado não garante que o time húngaro vá neutralizar tudo novamente. Se o Viktoria Plzeň conseguir cavar faltas e escanteios pelo vigor físico nos duelos, poderá criar perigo mesmo se o jogo construído com a bola rolando for bloqueado.
O desempenho dos goleiros e o timing das substituições também devem mexer com o placar. Wiegele fez 10 defesas contra o Union Saint-Gilloise, o que mostra que o Ferencváros não terá vida fácil para converter suas chances mesmo quando finalizar bem. Por outro lado, Borbély sacou Yusuf e Arzani juntos aos 66 minutos contra o Celtic quando vencia por dois gols de diferença, o que fez o Celtic crescer e atacar com mais frequência na reta final. Se fizer alterações semelhantes caso esteja em vantagem, o Viktoria Plzeň pode ter mais posse e tempo para buscar bolas paradas. Kováč ainda pode acionar Faal para ganhar peso no jogo aéreo. A gestão da equipe no segundo tempo será tão determinante quanto abrir o placar.
3. Conclusão e palpite
Nosso placar provável é 2 a 0 para o mandante. No início, com o Viktoria Plzeň fechado em linha de três e protegendo a área com muitos jogadores, o Ferencváros não deve encontrar facilidade para marcar. Contudo, quando a equipe tcheca precisar avançar em busca de pontos, a tendência é que o Ferencváros saia na frente aproveitando as transições em velocidade com Yusuf e Arzani. Em desvantagem, caso o Viktoria Plzeň se lance à frente e ceda espaço novamente nas costas dos zagueiros, o segundo gol pode se desenhar.
O Ferencváros já provou contra o Celtic que sabe transformar em gol o espaço deixado pelas subidas adversárias, enquanto o Viktoria Plzeň concedeu exatamente esse tipo de oportunidade diante do Union Saint-Gilloise ao perder bolas no campo de ataque. Sob a direção de Borbély, a equipe húngara costuma conceder poucos gols como mandante na Europa, e o próprio Kováč admitiu a queda de ritmo de sua equipe no segundo tempo mesmo após a vitória recente. Caso abra dois gols de vantagem, a tendência é que Borbély diminua o ímpeto e controle a partida, assim como fez contra o Celtic, razão pela qual não projetamos um placar mais elástico como cenário central.
O mercado também coloca o peso no lado do Ferencváros. A diferença está nos argumentos para a linha de gols. Embora o mercado considere os placares movimentados recentes de ambos os times, desta vez o Ferencváros não conta com um centroavante típico para disputar bolas aéreas contra a zaga fechada do Viktoria Plzeň. Por isso, achamos que os espaços claros para atacar devem demorar mais a aparecer. No entanto, se o Viktoria Plzeň surpreender ao atuar em linha de quatro com bloco alto desde o apito inicial, as costas da defesa ficarão expostas desde o primeiro tempo. Nesse cenário, tanto o momento do primeiro gol quanto o volume geral de gols da partida podem mudar.