[Liga das Nações da CONCACAF 2026] Guatemala x Suriname: análise e prévia Início da partida: 6 de outubro, às 09h (horário da Coreia)
Guatemala e Suriname se enfrentam às 09h de 6 de outubro, no horário da Coreia, no Estádio Manuel Felipe Carrera, na Cidade da Guatemala, pela rodada final do Grupo B da Liga A da Liga das Nações da CONCACAF. As equipes empataram por 0 a 0 no Suriname há três dias e agora voltam a campo com uma vaga nas quartas de final em jogo. A Guatemala precisa vencer; para o Suriname, um empate basta para terminar entre os dois primeiros do grupo.
1. Visão geral da partida e momento das equipes
Item Três jogos na fase de grupos: Guatemala, 1 vitória, 1 empate e 1 derrota, 4 pontos / Suriname, 2 vitórias e 1 empate, 7 pontos Gols marcados e sofridos: Guatemala, 8 marcados e 3 sofridos / Suriname, 5 marcados e 3 sofridos O que cada equipe precisa nesta partida: a Guatemala tem de vencer e depois acompanhar o resultado do outro jogo / o Suriname avança às quartas com um empate ou uma vitória
Mesmo que vença, a Guatemala chegará aos 7 pontos do Suriname e ainda precisará esperar pelo resultado de Honduras. O Suriname garante a classificação sem depender de outro jogo se somar mais um ponto. Os dois técnicos estão atentos a essa diferença. Luis Fernando Tena, treinador da Guatemala, disse que o empate não serve e espera uma partida com chances nas duas áreas. Henk Fraser, técnico do Suriname, acredita que, se a Guatemala atacar mais em casa, sua equipe encontrará espaços. Para ele, o Suriname pode ser perigoso sem mandar muitos jogadores ao ataque desde o início.
O retrospecto recente da Guatemala pode fazer seu desempenho parecer pior do que foi. Nos últimos nove jogos registrados pelo Data Center, a equipe tem 1 vitória, 2 empates e 6 derrotas, mas quatro dessas partidas foram amistosos disputados em 2026 contra Canadá, Argélia, Tchéquia e Equador. Nos cinco jogos oficiais que somam a Copa Ouro de 2025 e esta Liga das Nações, foram 1 vitória, 2 empates e 2 derrotas, com 10 gols marcados e 6 sofridos. Nesta competição, a Guatemala perdeu por 3 a 2 fora para a Jamaica, venceu El Salvador por 6 a 0 em casa e empatou por 0 a 0 fora com o Suriname. Como os adversários e as condições foram diferentes, também não dá para usar apenas o 6 a 0 como parâmetro do ataque para hoje.
Contra El Salvador, a Guatemala teve 51% de posse de bola e finalizou 17 vezes. Aos 8 minutos, um chute de Darwin Lom desviou em um defensor e terminou em gol. Aos 28, Aaron Herrera roubou a bola pela direita, avançou e deu a assistência para o gol de Rubio Rubín. Depois, a defesa e a ligação entre meio-campo e ataque de El Salvador se desorganizaram, e a diferença no placar aumentou. Já na visita ao Suriname, há três dias, a Guatemala ficou com 40% de posse, finalizou apenas duas vezes e não acertou o alvo. A pressão alta do Suriname interrompeu a saída de bola, e os lançamentos longos eram recuperados rapidamente pelo adversário. No segundo tempo, a Guatemala avançou um pouco melhor depois das substituições e da queda na intensidade da pressão do Suriname, mas criou poucas chances claras de gol.
Na Liga das Nações, o Suriname venceu Honduras por 3 a 2 fora, derrotou a Martinica por 2 a 1 em casa e empatou por 0 a 0 com a Guatemala em casa. Contra Honduras, cedeu a posse, com apenas 36%, mas marcou após duas assistências de Gyrano Kerk. Diante da Martinica, teve 69% de posse e controlou o jogo, mas não conseguiu marcar no primeiro tempo contra um adversário recuado. Contra a Guatemala, também ficou com a bola — 60% de posse e 13 finalizações —, mas não balançou a rede. Vale lembrar que 8 das 13 finalizações foram de fora da área. Ter mais posse, por si só, não significa que o Suriname tenha criado chances claras o tempo todo.
Os três confrontos mais recentes entre as equipes terminaram o primeiro tempo em 0 a 0. No duelo mais recente na Cidade da Guatemala, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo em novembro de 2025, a Guatemala marcou três gols no segundo tempo e venceu por 3 a 1. Na ocasião, o Suriname precisava vencer para manter viva a chance de classificação direta. Hoje, é a Guatemala que está nessa situação. Óscar Santis, autor de um gol naquele jogo, não foi convocado desta vez, e o Suriname também está sob o comando de outro técnico. Por isso, é difícil projetar o resultado de hoje com base naquele confronto em casa.
As duas equipes também têm baixas em funções importantes no ataque. Santis marcou dois gols contra a Jamaica atacando o espaço nas costas da defesa, mas não poderá jogar desta vez. Lom cumpriu suspensão e está de volta. Seus passes para a frente e chutes de média distância podem ajudar no ataque, mas não substituem as infiltrações de Santis. A Guatemala ainda tem dúvidas sobre a presença do meio-campista Jorge Aparicio, que ajudava a equipe a avançar com a bola, e de Rubín, que também participava das jogadas ofensivas. Pelo Suriname, Justin Lonwijk, que marcou dois gols na competição, saiu lesionado há três dias e deve ficar fora. Os defensores Radinio Balker e Anfernee Dijksteel também não estarão disponíveis para o restante dos jogos.
As equipes viajaram de Paramaribo para a Cidade da Guatemala depois de disputar quatro partidas em 11 dias. Tena mencionou o desgaste da longa viagem, enquanto Fraser falou sobre a recuperação dos jogadores e a montagem da escalação. O calor que pesou no segundo tempo do confronto em Paramaribo deve ser menos intenso neste jogo noturno na Cidade da Guatemala. Ainda assim, o impacto do cansaço em cada equipe vai depender das mudanças na escalação e das substituições durante a partida.
2. Análise do confronto
O maior desafio da Guatemala será ficar mais tempo com a bola e, ao mesmo tempo, encontrar o primeiro gol diante de uma defesa bem organizada. Contra a Jamaica, teve 40% de posse e marcou dois gols com Santis atacando o espaço nas costas da defesa. Diante de El Salvador, os erros do rival e o desvio que resultou no primeiro gol deram início ao ataque. Na visita ao Suriname, a Guatemala teve dificuldades para recuperar a bola e voltar a avançar. Esses três jogos não mostram por completo o desafio de hoje: criar chances tendo a posse desde o início.
Tena pode explorar o lado direito e as imediações da área. Se Herrera avançar pela direita para cruzar ou tocar para trás, William Fajardo e Jeffry Bantes podem tentar concluir. Fajardo marcou três vezes contra El Salvador, e Bantes teve uma chance de cabeça na visita ao Suriname, há três dias. Lom pode chutar de fora da área ou servir os companheiros com passes verticais. Ólger Escobar também entrou no segundo tempo contra El Salvador, driblou defensores e participou de dois gols. Sem Santis, porém, um passe de Lom não necessariamente vai deixar um atacante cara a cara com o goleiro nas costas da defesa.
O Suriname pode transformar as subidas de Herrera em oportunidades de ataque. Se a Guatemala perder a bola depois de avançar com vários jogadores pela direita, Kerk terá espaço para atacar às costas de Herrera. Contra Honduras, Kerk ajudou a criar dois gols em ataques rápidos após roubadas de bola. Denzel Jubitana e Lehonel Margaret também finalizaram contra a Guatemala há três dias. É por isso que Fraser vê as investidas da Guatemala como uma situação favorável para sua equipe. Se a Guatemala mantiver um lateral recuado em cada lado para controlar esses espaços, os contra-ataques do Suriname podem acabar em chutes de fora da área. Se, por outro lado, precisar vencer e avançar os dois laterais ao mesmo tempo, o Suriname terá mais espaço para conduzir a bola.
Não dá para afirmar que o Suriname vai passar a partida inteira fechado na defesa. Em Paramaribo, pressionou a saída de bola da Guatemala desde o início, e Samayoa e o goleiro Kenderson Navarro cometeram erros com a bola. Se repetir essa pressão, o Suriname pode forçar a Guatemala a perder a posse na defesa. Mas, ao adiantar seus jogadores para pressionar, também pode abrir espaço para Lom lançar a bola às costas da defesa. Se o Suriname recuar para recuperar a bola e atacar, a Guatemala terá mais facilidade para manter a posse do que teve há três dias, mas precisará encontrar um caminho contra uma defesa compacta.
O primeiro gol mudará imediatamente o papel das equipes. Se a Guatemala abrir o placar, o Suriname terá de avançar para buscar o empate. A Guatemala poderá então voltar a um plano mais familiar: ceder a bola e atacar os espaços deixados pelo adversário. Contra a Martinica, o Suriname saiu de uma primeira etapa sem criatividade no ataque depois da entrada de Lonwijk, mas ele deve ficar fora desta vez. Isso pode dificultar os ajustes ofensivos do Suriname caso a Guatemala marque primeiro.
Se o Suriname marcar primeiro, a Guatemala precisará de dois gols para vencer. Ao colocar mais jogadores no ataque, dará ao Suriname mais oportunidades de contra-atacar. É verdade que a Guatemala não sofreu gols na partida de três dias atrás, mas naquela ocasião um ponto já servia e era possível manter mais jogadores na defesa. Não há motivo suficiente para esperar o mesmo resultado defensivo com uma postura mais ofensiva hoje.
As substituições também podem pesar no segundo tempo. Tena fez duas mudanças no intervalo tanto contra El Salvador quanto na partida de três dias atrás contra o Suriname. Fraser colocou dois jogadores de uma vez aos 66 minutos contra a Martinica e contra a Guatemala. Se o primeiro tempo terminar em 0 a 0, a Guatemala terá ainda mais motivos para reforçar o ataque, e o Suriname poderá colocar em campo jogadores capazes de explorar os espaços deixados. Mas, se houver muitas mudanças na escalação titular, não dá para saber se o Suriname repetirá a pressão ou as combinações ofensivas de três dias atrás. Lonwijk também deve ficar fora, então não é certo que o Suriname consiga transformar os espaços em gols.
3. Palpite final e conclusão
A tendência é que a Guatemala tenha mais posse no primeiro tempo e que o Suriname espere por uma oportunidade para avançar. A Guatemala precisa vencer, mas, se sofrer o primeiro gol, terá de marcar duas vezes. Por isso, pode ser melhor observar o efeito das investidas pela direita antes de avançar os dois laterais desde o início. Como as duas equipes devem ficar sem jogadores que costumam infiltrar na área a partir da linha de meio-campo ou atacar o espaço nas costas da defesa, vejo o primeiro gol saindo mais provavelmente no segundo tempo, após as substituições.
Meu palpite é Guatemala 0 a 1 Suriname. A Guatemala aumentará o número de jogadores no ataque na etapa final, e o Suriname aproveitará o espaço às costas de Herrera para avançar a bola e criar o primeiro gol depois dos 60 minutos em um contra-ataque iniciado por Kerk. Depois, o Suriname manterá jogadores na defesa e tentará segurar a vantagem mínima. Nesta competição, a Guatemala não mostrou muitas vezes que consegue furar uma defesa recuada apenas com a posse de bola. Sem Santis, também perde uma de suas principais opções para atacar o espaço nas costas da defesa. O Suriname marcou em ataques rápidos mesmo cedendo a posse contra Honduras e pode esperar pelos avanços da Guatemala hoje, já que um empate basta para avançar. Fraser também indicou que pretende aproveitar esse espaço.
O mercado dá leve favoritismo à Guatemala por jogar em casa, pela vitória anterior diante do Suriname em seu estádio e pelas baixas do rival. As ausências realmente limitam as chances de uma vitória do Suriname por uma grande diferença. No entanto, o triunfo da Guatemala no último confronto em casa aconteceu quando o Suriname precisava avançar para buscar a vitória. Hoje, é a Guatemala que terá de atacar primeiro, então não dá para esperar que o jogo se desenvolva da mesma forma.
Este palpite pode mudar se a Guatemala marcar primeiro com um chute de média distância de Lom ou em um cruzamento ou bola parada para Bantes, sem precisar avançar os dois laterais ao mesmo tempo. Nesse cenário, o Suriname teria de atacar, e a Guatemala poderia explorar os espaços deixados pelo adversário.