[Amistoso Internacional Masculino 2026] Análise e palpite: Argentina x Burkina Faso Início da partida: 4 de outubro, às 09:00 (horário da Coreia)
Argentina e Burkina Faso se enfrentam em amistoso internacional no Estádio Monumental, em Buenos Aires, às 09:00 do dia 4 de outubro (horário da Coreia). A Argentina realiza sua segunda partida sem Lionel Messi, aproveitando para testar novas combinações no elenco. Já Burkina Faso teve sua logística alterada devido ao cancelamento de um voo fretado e deve desembarcar em solo argentino no próprio dia do confronto.
1. Panorama da partida e momento das equipes
A Argentina goleou a Bolívia por 4 a 0 no dia 30 de setembro diante de sua torcida e, após encarar Burkina Faso, terá pela frente o Benin no dia 6 de outubro no mesmo estádio — jogo que marcará a despedida de Messi da seleção nacional. Messi foi poupado deste duelo para se juntar ao grupo contra o Benin, assim como Rodrigo De Paul e Giovani Lo Celso. Além deles, Leandro Paredes e Nahuel Molina cumprem suspensão, enquanto Thiago Almada foi cortado por lesão muscular. Com essas ausências, outros atletas terão de assumir a armação ofensiva antes liderada por Messi e De Paul, bem como a lateral direita de Molina.
Essa formação alternativa já deu resultado contra a Bolívia. Exequiel Palacios distribuiu passes verticais pelo meio, e Alexis Mac Allister fez a ligação direta com os atacantes. Nico Paz atacou as costas da zaga com frequência e assumiu as cobranças de bola parada. Ainda assim, a Argentina encontrou dificuldades para criar lances de perigo nos primeiros 15 minutos, quando a Bolívia se fechou com uma linha de cinco defensores. Os dois primeiros gols só saíram depois que os passes verticais de Palacios furaram o bloqueio central. A proposta de Scaloni de valorizar a posse e a troca de passes mesmo sem Messi funcionou, mas não foi simples superar um adversário tão recuado desde o início.
Scaloni adiantou que dará rodagem a outros jogadores contra Burkina Faso. Na vitória sobre a Bolívia, o treinador começou a mexer aos 56 minutos, quando o placar já apontava 3 a 0, utilizando todas as oito substituições permitidas — e o reserva José Manuel López marcou o quarto gol. A tendência é que os testes continuem ao longo da segunda etapa. Apesar das especulações de uma rotação massiva no time titular, a TyC Sports, cobrindo o último treino de 2 de outubro, informou que Cristian Romero, Lisandro Martínez, Mac Allister, Julián Álvarez e Lautaro Martínez figuravam entre os titulares. O cenário mais provável é a manutenção da espinha dorsal que venceu a Bolívia, com Facundo Medina entrando na lateral esquerda na vaga de Román Vega. A presença de Lautaro Martínez entre os onze iniciais ainda não está confirmada.
Comparativo Retrospecto recente: Argentina com 17 vitórias, 1 empate e 2 derrotas em 20 jogos / Burkina Faso com 9 vitórias, 4 empates e 3 derrotas em 16 jogos Gols marcados e sofridos na mesma amostra: Argentina 49 marcados e 11 sofridos / Burkina Faso 30 marcados e 15 sofridos Último jogo: Argentina 4 a 0 Bolívia / Burkina Faso 1 a 0 República Centro-Africana
Os números recentes de ambos não permitem uma comparação direta pelo nível de exigência dos adversários. Na amostragem da Argentina constam jogos de Copa do Mundo, enquanto os gols de Burkina Faso saíram contra equipes mais frágeis. Em seus últimos quatro confrontos diante de rivais mais fortes — Egito, Argélia, Costa do Marfim e Rússia —, Burkina Faso somou 1 empate, 3 derrotas e não marcou nenhum gol. O time segurou o 0 a 0 contra o Egito, mas foi derrotado por 0 a 3 tanto para a Costa do Marfim quanto para a Rússia. Contra adversários desse porte, o momento em que a equipe sofreu o primeiro gol teve impacto direto na dilatação do placar.
Sob o comando de Amir Abdou, Burkina Faso soma 2 vitórias, 3 empates e 1 derrota. No amistoso fora de casa contra a Rússia, levou 2 gols antes dos 24 minutos, enquanto contra Belarus buscou o empate em 2 a 2 no segundo tempo. Em setembro, diante da República Centro-Africana, Aboubacar Camara saiu do banco aos 59 minutos e marcou o gol da vitória apenas um minuto depois. Embora peças vindas do banco já tenham resolvido partidas, repetir esse impacto contra uma seleção do nível da Argentina é outra história. Além disso, Dango Ouattara desfalcou o time nos dois jogos eliminatórios de setembro por doença e segue como dúvida; sem ele, a responsabilidade de balançar as redes recai quase toda sobre Lassina Traoré.
As duas seleções nunca se enfrentaram na história. A Federação Burquinense de Futebol informou que o voo fretado previsto para 30 de setembro acabou cancelado. Segundo o jornal La Nación, citando fontes da AFA, a delegação visitante deve aterrissar em Buenos Aires apenas às 13:15 locais do próprio dia da partida. Mesmo se o desembarque ocorrer no horário previsto, restarão menos de 8 horas até o apito inicial. Enquanto a Argentina descansou por três dias e treinou no país após encarar a Bolívia, Burkina Faso provavelmente entrará em campo sem realizar nenhum treino de adaptação no local. Por isso, a capacidade de Abdou em acertar o espaçamento defensivo e o timing de pressão sem preparação em solo argentino será posta à prova.
2. Análise do confronto
No setor central, o embate se dará entre os passes verticais da Argentina e o volante burquinense Rohan Doucet. O jornal Mundo Deportivo projeta Burkina Faso em um 4-3-3 focado em segurança defensiva, com dois meio-campistas à frente de Doucet para fechar as linhas de passe por dentro. Caso a Argentina repita o esquema visto contra a Bolívia, com Paz e outro homem de criação flutuando atrás da dupla de ataque, Doucet sozinho terá dificuldades para acompanhar a movimentação de ambos. Se os meias de Burkina Faso fecharem o funil para ajudar Doucet, darão liberdade para Palacios e Mac Allister armarem o jogo. Por outro lado, se adiantarem a marcação para pressionar os passadores, abrirão espaço nas entrelinhas ao lado de Doucet.
Não se pode garantir que a Argentina vá explorar esses espaços logo de início. Contra a Bolívia, a bola circulou de um lado para o outro nos minutos iniciais sem conseguir infiltrações verticais contra a retranca adversária. Além disso, se Palacios não começar como titular e Enzo Fernández assumir a função no meio, a dinâmica dos passes também mudará. Se Burkina Faso conseguir fechar o miolo, a Argentina precisará apostar mais nas jogadas laterais e nas bolas paradas. O terceiro gol contra a Bolívia, com cruzamento de Paz e cabeceio de Romero, mostrou uma alternativa letal para quando os caminhos pelo centro estiverem bloqueados.
Existe a possibilidade de o time de Abdou tentar pressionar em bloco alto. Para limitar os passes curtos da Argentina, porém, o setor ofensivo e o meio-campo precisam avançar em sincronia. Se a pressão for descoordenada, Mac Allister e Paz encontrarão espaços livres para receber a bola. Se Abdou priorizar a disciplina tática e recuar as linhas em seu próprio campo, a posse de bola da Argentina será avassaladora. Em qualquer estratégia, a ausência de treinos no local pesa contra o ajuste da distância entre os setores. Principalmente com o desfalque de Ismahila Ouédraogo, que deve forçar a estreia de um novo meio-campista, exigindo que a cobertura a Doucet seja ajustada com a bola rolando.
Quando Burkina Faso recuperar a bola, o papel de Lassina Traoré será decisivo. Se a Argentina adiantar a marcação para retomar a posse no campo de ataque, Burkina Faso tentará lançamentos longos em Traoré para escapar do sufoco. Ele precisará segurar a bola no pivô contra Romero ou Lisandro Martínez para dar tempo aos homens de lado avançarem. Se a zaga argentina levar a melhor nesses duelos, Burkina Faso voltará a ser encurralada em seu campo de defesa. Para piorar, sem Ouattara, diminuem as opções de atacantes capazes de agredir a área além de Traoré, aumentando a responsabilidade do centroavante.
Pela direita de Burkina Faso, vale ficar de olho nas subidas de Issa Kaboré. Com Facundo Medina assumindo a lateral esquerda da Argentina, a capacidade de Kaboré em transportar a bola determinará as rotas de contragolpe de sua equipe. Caso Kaboré avance e perca a bola, o ataque argentino poderá explorar as costas do lateral. Román Vega roubou a bola no campo de ataque no lance do segundo gol contra a Bolívia, mas resta saber se Medina exercerá a mesma função, dependendo de sua escalação e postura em campo. Portanto, as descidas de Kaboré e a agressividade do lateral esquerdo argentino serão determinantes naquele setor.
O momento do primeiro gol mudará as decisões de ambos os lados. Se a Argentina abrir o placar cedo, Burkina Faso terá de adiantar suas linhas para dar suporte a Traoré, permitindo que os atacantes argentinos explorem as costas da defesa e criem oportunidades para quem entrar no segundo tempo. Por outro lado, se Burkina Faso segurar o zero no placar até a metade da etapa inicial, a Argentina terá de insistir pelo centro por mais tempo do que precisou contra a Bolívia. Se o jogo for para o intervalo com vantagem mínima, a quantidade e o momento das substituições de Scaloni ganharão ainda mais peso. Enquanto contra a Bolívia a Argentina ampliou mesmo após mexer no time, no amistoso de março contra a Mauritânia a equipe recuou após fazer oito substituições e acabou sofrendo um gol no fim. O mesmo número de alterações nem sempre garante o mesmo rendimento.
3. Conclusão e prognóstico
Esperamos um início com a Argentina dominando a posse de bola e Burkina Faso compactada para fechar o meio. Mais importante do que a goleada por 4 a 0 sobre a Bolívia é o fato de que a Argentina conseguiu marcar sem Messi por meio de passes verticais pelo centro, bolas paradas e gols dos reservas. Burkina Faso não balançou as redes nos últimos quatro jogos contra seleções fortes e ainda tem o agravante de chegar apenas no dia do jogo. Traoré pode até segurar a bola para armar contragolpes e os reservas podem ameaçar na etapa final, mas a missão primária dos africanos será segurar a pressão e manter as linhas organizadas.
O mercado reflete essa disparidade técnica colocando a vitória da Argentina como muito provável, mas projeta um total de gols abaixo do que esperamos. Não sabemos o quanto o possível descanso de alguns titulares pesou na precificação das odds, mas os relatos do último treino indicam a presença de vários nomes de peso no time principal. Como o meio-campo de Burkina Faso terá de conter os passes verticais sem nenhum treino de adaptação e ambos os técnicos devem rodar bastante os elencos no segundo tempo, vemos valor em um jogo com mais gols do que o projetado pelo mercado. Caso a vantagem seja menor, acreditamos que isso se deva mais a um gol de honra de Burkina Faso na etapa final do que à falta de gols da Argentina.
Nosso palpite de placar é de 3 a 1 ou 4 a 1 para a mandante Argentina. O roteiro mais provável aponta para a Argentina construindo vantagem cedo em jogadas verticais pelo meio ou na bola parada, com os atacantes que saírem do banco aproveitando os espaços para ampliar quando Burkina Faso se lançar ao ataque. Burkina Faso também pode aproveitar os minutos em que a defesa argentina estiver modificada para descontar. Contudo, se Burkina Faso mantiver a compactação entre Doucet e os meio-campistas e passar ilesa até a metade do primeiro tempo, a Argentina pode demorar para abrir o marcador, o que pode reduzir o placar final.